Redes comunitárias – SANDBOX WP https://teste.projeto-zero.site Subdominio de Teste Fri, 08 Nov 2024 20:39:59 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 Curso orienta sobre o uso de tecnologias digitais no monitoramento de territórios https://teste.projeto-zero.site/curso-orienta-sobre-o-uso-de-tecnologias-digitais-no-monitoramento-de-territorios/ Fri, 08 Nov 2024 20:39:59 +0000 https://projeto-zero.site/?p=21094 Representantes de comunidades, aldeias e quilombos de Santarém, Belterra e Jacareacanga discutiram riscos, segurança e conteúdos no ambiente digital

A capacitação foi realizada entre os dias 4 e 8 de novembro na Fazenda da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), em Santarém. O Curso de Extensão em Monitoramento Territorial e Tecnologias Digitais foi destinado a 30 participantes representantes de organizações comunitárias das bacias do Rio Tapajós e Baixo Amazonas, por meio do projeto de extensão Juventudes Vivas Tecendo Saberes (JUNTES). A iniciativa é uma parceria da UFOPA, Fundação Getúlio Vargas (FGV), SAPOPEMA e Projeto Saúde e Alegria (PSA).

“Este curso reúne lideranças de organizações de base das bacias do Tapajós e do Amazonas, que estão compartilhando suas experiências de monitoramento territorial independente. A intenção do curso é fortalecer essas iniciativas já existentes nos territórios, com a inclusão de tecnologias digitais para melhorar e qualificar o monitoramento dos recursos naturais, que essas comunidades já desenvolvem, e seus modos de vida”, explicou a Coordenadora da SAPOPEMA, Wandicleia Lopes.

Alguns participantes já realizam os monitoramentos dos lagos, rios e florestas. Eles representam as comunidades e territórios: Tiningú, Pae Tapará, Santa Maria do Tapará, Aldeia Muruari, Vista Alegre – Resex, Belterra, Cachoeira do Moró, Cobra Grande, Pae Lago Grande, Saracura, Pae Ituqui, Aldeia Esperança, Surucuá, São Pedro – Resex T. Arapiuns, Maripá, Alter-do-Chão, Santa Rita – Juruti e Jacareacanga.

O monitoramento, apesar de muito importante, implica em exposição a riscos e confrontos. Como relata a Liderança da comunidade Ipixuna do Tapará, João Pedro da Rocha: “A gente tem o monitoramento de pesca, e fazemos a fiscalização. Então, a gente sai pra fiscalização à noite, ao longo do dia. A gente sai de canoa, bajara, é o monitoramento que usamos. Às vezes a gente tem tido confronto com pessoas que vão para fraudar no lago, pegando peixe irregular. É perigoso, porque não sabemos o que encontrar. Mas quando aprendemos um monitoramento diferenciado é muito importante.

“Esse encontro tem a proposta de construir um espaço de troca entre organizações, representantes, lideranças de diferentes partes do Tapajós. A ideia é que as pessoas desenvolvam o monitoramento territorial aliado às tecnologias digitais. Apresentamos uma série de ferramentas que são utilizadas hoje para o monitoramento territorial, para registros, construções de mapas, e como elementos da vida dos povos. Também ameaças, focos de calor, garimpo, e pesca predatória. A ideia é que a tecnologia possa servir como ferramenta importante para a proteção territorial”, destacou o pesquisador da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Erick Macedo.

O objetivo é capacitar os participantes para o uso de aplicativos e outras ferramentas digitais para ações de monitoramento territorial, orientar sobre segurança digital e possibilidades de incidência política para a proteção do território. A expectativa é que o conteúdo seja repassado às comunidades para o desenvolvimento de estratégias com a utilização dessas tecnologias.

“A experiência é muito importante, e aprimora as nossas práticas do dia a dia. Nós já temos um tempo discutindo e fazendo ações territorial na Terra Indígena (TI) Maró, desde 2007, com a auto demarcação. E agora com as ferramentas tecnológicas e acesso a internet, isso só aprimora, só contribui para a produção de dados, de material de divulgação. A gente vai disseminar as informações da formação no território, porque quanto mais informações e formação é importante pra gente aprimorar as práticas de monitoramento territorial”, disse o morador da TI Maró, Poró Borari.

O curso abordou temáticas importantes sobre os territórios e o uso da internet como possibilidade. O conteúdo abordou questões voltadas ao bom uso da Internet e à segurança digital, incluindo riscos e oportunidades ligados ao ambiente digital, uso de aplicativos e outras ferramentas digitais no monitoramento territorial e possibilidades de incidência política para proteção dos territórios. O encontro apresentou fatores ligados à segurança dos dados e possibilidades no ambiente virtual.

“Em um dos módulos, discutimos o uso seguro da internet. Na dinâmica identificamos que furto de dados, vícios e invasão de privacidade, são os maiores riscos apontados pelos participantes. Para diminuir os riscos, utilizam estratégias para o ambiente digital, como usar senhas fortes, não abrir links suspeitos e bloquear perfis desconhecidos”, pontuou Samela Bonfim, pesquisadora do projeto.

Ao longo da formação, os participantes receberam informações sobre os direitos dos povos tradicionais e acionamentos de órgãos públicos voltados aos territórios. O intercâmbio entre diferentes comunidades possibilitou aprendizados e conhecimento. Os resultados são observados a partir dos usos de plataformas, aplicativos e redes de monitoramento para a proteção.

“Os nossos territórios estão sofrendo inúmeras ameaças, e as comunidades elas têm sofrido com isso e precisam estar discutindo e se informando a como proteger seus territórios. Para isso, a gente dá um suporte para que eles possam ter a capacidade de proteger o território, a cultura e a forma de viver. É uma articulação que promovemos há alguns anos, e geralmente temos bastante sucesso nos resultados”, afirmou o professor da UFOPA, Sandro Leão.

]]>
Encontro Nacional de Conectividade Centrada em Comunidades reúne representantes de redes comunitárias, em São Paulo https://teste.projeto-zero.site/encontro-nacional-de-conectividade-centrada-em-comunidades-reune-representantes-de-redes-comunitarias-em-sao-paulo/ https://teste.projeto-zero.site/encontro-nacional-de-conectividade-centrada-em-comunidades-reune-representantes-de-redes-comunitarias-em-sao-paulo/#respond Fri, 25 Oct 2024 23:23:35 +0000 https://projeto-zero.site/?p=20996 Primeira edição foi espaço de acolhimento para articulação, aprendizado, troca de experiências e elaboração da estratégia nacional

O 1º Encontro Nacional de Conectividade Centrada em Comunidades foi realizado entre os dias 15 a 17 de outubro, em São Paulo. O Projeto Saúde e Alegria (PSA) participou deste evento que reuniu representantes de redes comunitárias do país, e promoveu um debate participativo para ouvir as prioridades e necessidades das redes, em diferentes regiões. O projeto LocNet, que promove o projeto, é uma iniciativa da APC e Rhizomatica, soma esforços com o IRIS e ISOC Brasil para fortalecer redes comunitárias na América Latina.

“A partir da temática principal, que é conectividade significativa centrada nas comunidades, dialogamos sobre a interseccionalidade de gênero e raça, até as pautas sobre os desafios e potências de infraestrutura e tecnologias livres, formações sociotécnicas, políticas públicas, sustentabilidade, segurança, soberania digital e atualização da carta das redes comunitárias produzida em 2022. O encontro contou com a participação de várias pessoas das regiões do Brasil, e tivemos a oportunidade especial de levar representantes da Escola de Redes Comunitárias da Amazônia, em que a nossa escola fez parte da LocNet, coordenada pelo nosso querido amigo Paulo Lima, e do projeto Rede Floresta Digital, uma nova parceria entre o Projeto Saúde e Alegria e a DW Akademy” destacou a pesquisadora de redes comunitárias do PSA, Adriane Gama.

Ao longo dos três dias de discussões, as redes comunitárias apresentaram as demandas de cada região. A partir desse debate, as sugestões vão ser sistematizadas e organizadas em um documento, que irá nortear a Estratégia Nacional de atuação das redes. Os debates envolveram discussões sobre o trabalho técnico, capacitação continuada, capacitação voltada às mulheres e o desenvolvimento de uma plataforma que atendesse as diferentes necessidades, funcionando como uma comunidade adaptada e customizada a partir de cada rede. 

“As principais necessidades que, dentro do contexto de diversidade que temos no país, para as redes comunitárias, são as tecnologias que estão sendo utilizadas, os tipos de capacitações que são demandados dessas diferentes redes, as soluções de sustentabilidade, entre outras questões. Foi importante também destacar o espaço que a gente teve de gênero, o círculo de solidariedade de mulheres e de homens, onde a gente pôde trocar também diferentes experiências, e também o espaço de troca cultural. São várias ideias que saíram das nossas discussões durante o encontro, e a gente fez um esforço coletivo de que essas ideias se constituíssem como prioridades e que fossem viáveis. Então, a partir daí, a gente quer que saiam muitos e muitos projetos para as redes comunitárias” enfatizou a Representante do Programa LocNet da APC, Cristiana Gonzalez.

“Eu fui uma das primeiras alunas da Escola de Redes Comunitárias da Amazônia e estar participando desse evento hoje é muito importante para mim, como mulher amazônica, tanto para as outras meninas e os meninos que vieram participar também. Ter informações, aproveitar o que estão repassando pra gente, tanto na parte teórica, também na parte prática, conversar com diversas diversas redes e poder se aperfeiçoar para a nossa rede comunitária, no PAE Lago Grande. Um momento para poder estar participando, poder compartilhar as vivências que temos no nosso território e poder também levar um pouco do que a gente aprende aqui até o nosso projeto” relatou a jovem que faz parte do coletivo de jovens Guardiões do Bem Viver, da região do PAE Lago Grande e da Web rádio Uxicará na Vila Brasil, Karina Matos. 

“Foi muito bom fazer parte desse primeiro encontro nacional, ter compartilhado a realidade que nós vivenciamos no nosso território, apresentando os desafios que nós temos dentro do nosso território, para conseguir ter uma conectividade de verdade e significativa, foi muito bom. E eu acredito que, voltando pra minha comunidade cheia de ter ouvido tantas experiências legais e que estão dando certo, e de pensar que futuramente estaremos pensando em estratégias onde vamos ter esse olhar pra todos os territórios, pra todos os lugares, principalmente pra esses lugares da Amazônia que precisam tanto desse olhar” enfatizou a jovem moradora da Comunidade Acará-Açu – PA, Antonina de Oliveira. O território está dando início as atividades do Projeto Rede Floresta Digital, apoiado pelo PSA.

A participação das mulheres foi destaque neste evento, em especial as mulheres amazônidas, que compartilharam as vivências e importância dos debates e das redes para os territórios. Além disso, destacaram o direito a conectividade, sobretudo, políticas públicas que cheguem também nas comunidades mais remotas da Amazônia.

“A gente não está falando só sobre um direito específico, mas abrangente, quando a gente vem entender a questão da internet, a gente tem que entender que  tem que ter políticas públicas, tem que ter saneamento básico para as coisas poderem funcionar. E a gente que está lá na linha de frente, na ponta, na base, na nossa comunidade, às vezes não tem um entendimento sobre esses direitos. E quando a gente está nesses espaços, a gente começa a compreender que o nosso direito é igualitário para o Brasil todo, só que de fato não chega onde tem que chegar” exclamou a comunicadora Índigena da Rede Wayuri, Juliana Albuquerque, que foi aluna da Escola de Redes e participante ativa dos espaços de redes comunitárias. 

“Eu acredito que comunidades tradicionais, comunidades amazônicas, elas têm esse anseio, essa esperança de que elas tenham um olhar da sociedade. As pessoas devem entender que elas também precisam ser inseridas nesse mundo digital. Então, eu vi no encontro pessoas de diferentes locais, de diferentes setores interessadas e mobilizadas em transformar essa realidade, em trazer a luz para essas comunidades hoje esquecidas pelo poder público. Então, nós vimos a esperança que essa união de forças, ela traz para que nós, amazônidas, nós que hoje não temos uma conectividade com o mundo, que a gente esteja muito próximo a conseguir esse avanço” destacou Luciana Sampaio, representante do território de Curiaú – AP, no projeto Floresta Digital.

O encontro também colaborou para a elaboração de diretrizes para o uso e desenvolvimento da internet no País. Representantes da Sociedade Civil do Terceiro Setor no Comitê Gestor da Internet no Brasil participaram do evento. É um espaço multissetorial que reúne organizações da sociedade civil, acadêmicos, pesquisadores, representantes de empresas e do poder público para colaborar com a ferramenta. Um dos temas debatidos foi sobre a soberania tecnológica das redes comunitárias, e a infraestrutura utilizada, estruturação de softwares para ter condição de manter uma rede comunitária soberana que preserve os direitos das comunidades. O Comitê Gestor da Internet (CGI) apoia com recursos a organização de eventos, seminários, formas de debate sobre os mais diferentes aspectos do uso e desenvolvimento da internet no Brasil.

“O CGI realiza um trabalho fundamental para apoiar iniciativas descentralizadas que não estejam só nos grandes centros, onde acontecem a maior parte dos eventos do campo da internet já no Brasil, para que a gente consiga fomentar discussões importantes como essa em todo o território nacional. Então, fazer um convite para você que está pensando, em se organizar, em realizar uma atividade no seu território, na sua região, organizar um seminário, pensar um fórum, um evento específico para discutir as necessidades que vocês têm, seja para falar de soberania tecnológica ou pra falar de outros temas, que o CGI pode apoiar essa iniciativa. O CGI não tem um período de edital para projetos nesse sentido, mas você pode entrar na página do Comitê Justiça da Internet e fazer uma petição de apoio para um evento” orienta a representante do CGI, Bia Barbosa.

Este momento foi mais um passo importante para fortalecer a Estratégia Nacional de Conectividade Centrada em Comunidades, e também a construção de ações de apoio as redes comunitárias. É apenas um passo desse diálogo para entender as necessidades e prioridades das redes, não deixando de lado essas ferramentas como estratégias para a proteção dos territórios, dos povos e das florestas. 

“Foi bem significativa a participação de várias regiões do Brasil, mas especialmente da delegação nortista, que trouxe relatos e saberes que de outra forma a gente não consegue encontrar quando a gente está fazendo análise documental, ou quando a gente está estudando isso na academia, mas que aqui na prática a gente consegue ver a forma como cada comunidade se expressa, que não é a mesma, mas que tem trocas e que já tem muita tecnologia formada e feita, que não é aquela tradicional que a gente tá acostumada nos ambientes de tomada de poder e nos ambientes de decisão” destacou a consultora do ISOC Brasil e mediadora do Encontro, Milena Cramar.

“Para a gente, enquanto Comitê Consultivo, enquanto organizadoras e consultoras desse projeto, é mais valioso a gente ter conseguido reunir, principalmente pelas indicações do Comitê Consultivo, esses perfis de pessoas adultas, sobretudo, de pessoas jovens que tem o objetivo de permanecer nos seus territórios, as oportunidades de permanecer nos seus territórios, desenvolvendo políticas de conectividade centrada em comunidades que de fato dialoguem com essas realidades locais e que, sobretudo, prezam pelo bem coletivo” pontuou a consultora do IRIS, Glenda Dantas. 

]]>
https://teste.projeto-zero.site/encontro-nacional-de-conectividade-centrada-em-comunidades-reune-representantes-de-redes-comunitarias-em-sao-paulo/feed/ 0
Saúde e Alegria participa de seminário de conectividade significativa e Encontro de Redes Comunitárias do Brasil  https://teste.projeto-zero.site/psa-participa-de-encontros-conectividade-significativa/ https://teste.projeto-zero.site/psa-participa-de-encontros-conectividade-significativa/#respond Mon, 22 Apr 2024 12:58:03 +0000 https://projeto-zero.site/?p=20135 Em Brasília, a pesquisadora da Escola de Redes Comunitárias da Amazônia, iniciativa do Projeto Saúde e Alegria, participou dos eventos nacionais que discutem estratégias para inclusão digital 

O seminário sobre conectividade significativa, organizado pelo NIC.br e CGI.br, contou com a participação de diversos setores, incluindo governo, empresas, universidades e terceiro setor, com destaque para as redes comunitárias do Brasil. Lideranças indígenas da etnia Munduruku do Pará e representantes da rede Wayuri do Amazonas, incluindo a aluna Juliana da Escola de Redes da Amazônia e a pesquisadora do PSA, Adriane Gama participaram do encontro.

O foco foi a pesquisa do CETIC.br sobre conectividade, que revelou melhorias no acesso à internet no Brasil, mas que apontou deficiências significativas, especialmente na região amazônica. A Escola de Redes Comunitárias do PSA foi destaque como iniciativa inovadora para promover o acesso sustentável às tecnologias.

“Continuamos esses diálogos em nossos espaços de atuação, em busca de soluções e alternativas por mais redes comunitárias amazônicas com autonomia e seus direitos garantidos. Foram momentos produtivos sobre todas essas temáticas que a gente vem lutando constantemente em prol dos direitos da inclusão digital e também das autonomias das redes comunitárias voltadas para as áreas rurais, indígenas e quilombolas” – Adriane Gama, pesquisadora da Escola de Redes Comunitárias da Amazônia, PSA.

Após o seminário, em 18 de abril, foi realizado o Encontro de Redes Comunitárias do Brasil em Brasília, promovido pelo GTR-COM e CGI.br. O evento reuniu especialistas e representantes da sociedade civil para discutir a Carta das Redes Comunitárias de 2022, conexões entre redes, processos formativos, tecnologias livres e experiências locais. A Escola de Redes Comunitárias da Amazônia compartilhou suas experiências colaborativas em sete territórios de três estados amazônicos.

Foram destacadas a importância dos processos formativos para o uso crítico e reflexivo das tecnologias e a governança comunitária. Reuniões com o Ministério dos Povos Indígenas e a ministra de exercício do Ministério das Comunicações, Sônia Faustino, abordaram a inclusão digital e a autonomia das redes comunitárias em áreas rurais, indígenas e quilombolas.

“A gente reivindica, através do governo, melhoria nas redes comunitárias para a Amazônia. Porque ainda é uma decadência muito grande nas comunidades indígenas, nas comunidades ribeirinhas, a questão da conexão, conectividade. O intuito deste evento é tentar fazer com que a gente possa buscar, do governo, melhoria para as nossas redes” – Ágio Lobo, comunidade Montanha-Mangabal, assentamento agro-extrativista no município de Itaituba, Pará.

“O ponto principal da nossa pauta foi justamente fortalecer essas redes que estão aí localizadas nas comunidades e povos tradicionais do Brasil, e fortalecer essas redes vai fortalecer todo um aparato de comunicação universal do país, que é uma defasagem que nós temos ainda muito grande dentro das comunidades estacionais do nosso Brasil” – Giovana Aires, Associação de Redes Comunitárias de Pernambuco, Maranhão.

O presidente do Ibebrasil e membro do comitê de redes comunitárias – Marcelo Saldanha, destacou a importância das redes comunitárias no contexto da universalização do acesso. “Ela é a única opção hoje de política pública para poder garantir acesso significativo na residência das pessoas”. Lembrou que a própria pesquisa do CETIC, apresentou indicadores nesse sentido: “esse cenário terrível de que a gente precisa avançar na qualidade do serviço. E não só na qualidade do serviço, mas realmente que o acesso à internet tem um significado para o desenvolvimento humano. Então o papel das redes comunitárias, ela vem exatamente para poder integrar o rol de políticas públicas, para poder fazer esse trabalho de levar uma internet que tenha significado para as pessoas”.

]]>
https://teste.projeto-zero.site/psa-participa-de-encontros-conectividade-significativa/feed/ 0
Rede Wayuri inaugura Web Rádio no Alto Rio Negro, Amazonas: “Foi através desse projeto que a gente colocou nosso sonho em prática” https://teste.projeto-zero.site/radio-web-wayuri/ https://teste.projeto-zero.site/radio-web-wayuri/#respond Tue, 28 Nov 2023 14:15:04 +0000 https://projeto-zero.site/?p=19603 Apoiada pela Escola de Redes Comunitárias da Amazônia do Projeto Saúde e Alegria, rádio online terá programação sobre ancestralidade, direitos indígenas, cultura e entretenimento

Em operação desde a última sexta-feira (24), a Web Rádio da Rede Wayuri representa as vozes dos 23 Povos Indígenas do Rio Negro. A iniciativa é fruto do projeto dos três estudantes da Escola de Redes Comunitárias da Amazônia que participaram de capacitações, receberam apoio técnico e financeiro para tornar esse sonho coletivo realidade.

Ao longo de um ano, os comunicadores indígenas participaram de formações sobre rádio amador, energia fotovoltaica e construção de sistema Hermes, segurança de dados, Jornalismo comunitário, Comunicação comunitária e linguagem radiofônica. As temáticas possibilitaram ampliar o conhecimento sobre o uso de software livre e tecnologias potenciais para seus territórios. “Participamos de aulas online com diversos temas relacionados à comunicação e uso de software livres e tivemos encontros presenciais, conexões com territórios indígenas e não indígenas”, contou o comunicador da Rede Wayuri, Adeson Ribeiro.

Como proposta da Escola que é parte da iniciativa global “Conectando os Desconectados”, promovida pelas organizações APC e Rhizomatica e executada no Brasil pelo PSA, cada uma das sete organizações escreveu seu projeto para receber mentoria e recurso para consolidá-los.

“Durante todo esse tempo que a Rede Wayuri fez parte do projeto, evoluiu e aprendeu bastante. Foi através desse projeto que a gente colocou nosso sonho em prática. Pra gente foi muito significativo esse projeto e estamos muito felizes e contemplados com essa organização”, destacou a comunicadora da Rede Wayuri, Claudia Ferraz.

A rádio recém inaugurada, terá a princípio, programações três vezes por semana: Alô Parente, Papo da Maloca e Kacuri. A previsão é que em poucos meses, a grade seja ampliada e opere de segunda a sexta. “Nossos próximos passos é dar continuidade. A gente vai poder levar as nossas vozes muito mais além através das nossas línguas, mostrando que nós indígenas do Rio Negro temos um plano de comunicação que é a rádio online”, comenta Ferraz.

O canal é fruto de muita organização e articulação dos povos indígenas e implementa tecnologias com princípios de autonomia e gestão de base comunitária, ressalta a pesquisadora da Escola de Redes, Adriane Gama: “Isso é muito bom porque foi a partir desse processo de inclusão digital que a Escola de Redes conseguiu sair da região do Pará e percorrer outros rios, caminhos, grupos e jovens que tentam fortalecer a comunicação comunitária”. Adriane ressalta que a iniciativa previu a sustentabilidade e como o projeto terá continuidade: “Aqui em São Gabriel da Cachoeira a gente percebe muito esse ativismo, esse engajamento desses jovens, eles conseguem avançar com esses sonhos. Que eles possam seguir com autonomia, sustentabilidade e que possam garantir e fortalecer essa comunicação comunitária indígena na região”.

Juliana Albuquerque, uma das alunas da escola, ressaltou que os estudantes enfrentaram muitos desafios logísticos e operacionais para conseguir implementar acesso à internet e equipar a rádio, devido a distância e limitação para chegar nesse território e pela crise climática com a atual seca extrema na região. Por isso, a inauguração é simbólica e representativa: “Os desafios foram muito maiores do que a gente imaginava. E com muita persistência, pensando no território e na floresta em pé, hoje a gente finaliza esse projeto com a instalação da rádio comunitária”.

A Web Rádio também contou com a consultoria da Rede Wayuri/ISA, através da participação de Naiara Bertoli.

A REDE WAYURI

O Rio Negro está localizado no extremo noroeste do estado do Amazonas, abrange os municípios de São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos. Nessa região vivem mais de 40 mil indígenas em cerca de 750 comunidades que abrigam 23 povos indígenas que pertencem a três famílias linguísticas: Aruak, Tukano e Maku: Arapaso, Bará, Barasana, Desana, Karapanã, Kubeo, Makuna, Mirity Tapuya, Piratapuya, Siriano, Tariana, Tukano, Tuyuca, Kotiria, Baniwa, Kuripako, Hupda, Yuhupde, Dâw, Nadöb, Baré e Warekena.

As comunidades indígenas atualmente estão organizadas em 91 associações de bases que compõem a FOIRN. Essa estrutura de organização política dos povos indígenas do Rio Negro, fortalece a luta em defesa dos direitos, dos territórios e do controle social da implementação das políticas públicas. Esse formato de organização é responsável na conquista da demarcação de 07 Terras Indígenas e desenvolvimento de ações que contribuem com o bem viver indígena no Rio Negro.

A  defesa do território envolve uma forte articulação de comunicação. Em 2017, as lideranças indígenas membros do Conselho Diretor da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN) criaram a Rede Wayuri durante uma das suas reuniões, composta por comunicadores indígenas que produzem boletins de áudio Wayuri, levando informação sobre os territórios indígenas do Rio Negro para suas 750 comunidades e atuando como fazedores de eventos do movimento indígena e mobilizadores de ações voltadas à melhoria do bem viver em suas comunidades. A Rede Wayuri recentemente celebrou seis anos e conta com a assessoria do Instituto Socioambiental (ISA) e o apoio financeiro da União Europeia (EU), e entre outros parceiros.

A Rede é uma das sete organizações integrantes da Escola de Redes Comunitárias da Amazônia no período de 01 a 02 de abril de 2022, recebeu as ações de campo do projeto. Lideranças, comunicadores e alunos da Escola se deslocaram para participar da oficina com o objetivo de refletir e dialogar sobre o território, mapear fortalezas, desafios e sonhos dos povos indígenas do Rio Negro, pela metodologia da Mandala dos Saberes. O processo foi conduzido pelos professores da Escola de Redes Adriane Gama e Guilherme Gitahy de Figueiredo, acompanhados por Gicely Ambrósio, coordenadora do departamento de comunicação da FOIRN e Ana Amélia Hamdan, jornalista do ISA.

“É uma honra ter participado desse projeto. Pra gente foi desafiador. Esse é um resultado muito bonito. Nada é feito sozinho” – Gicely Ambrósio.

“Essa web rádio faz parte da vocação da rádio Wayuri que já vem trabalhando com o Papo da maloca que é um programa FM, quanto com o podcast Wayuri. Com essa inovação, a rede tem essa marca inovadora de comunicação indígena para indígena. A Rádio Web vem fortalecer essa comunicação. O projeto da web rádio chega nesse momento com uma expansão da Internet num território indígena. Vai ser muito importante para levar conteúdo responsável, confiável e que de fato interessam aos povos indígenas do Rio Negro” – Ana Amélia Hamdan – jornalista do Programa Rio Negro do ISA.

https://soundcloud.com/projeto-saudede-e-alegria/programa-alo-comunidade-241123

]]>
https://teste.projeto-zero.site/radio-web-wayuri/feed/ 0
Projeto Arandu Caratateua inicia atividades de artivismo da comunicação e conectividade comunitária no Pará https://teste.projeto-zero.site/projeto-arandu-caratateua/ https://teste.projeto-zero.site/projeto-arandu-caratateua/#respond Wed, 25 Oct 2023 15:19:43 +0000 https://projeto-zero.site/?p=19328 Iniciativa apoiada pela Escola de Redes Comunitárias da Amazônia está na fase de implementação. Equipe visitou território para acompanhamento das ações na Ilha de Caratateua, região de Outeiro

Idealizado durante o processo de participação nas aulas da Escola de Redes Comunitárias da Amazônia, o Coletivo Arandu Caratateua é uma iniciativa dos alunos Luane Silva, Tamiris Gomes e  Raphael Oliveira em parceria com a Rede Águas do Cuidar e Casa Preta Amazônia. A proposta do projeto apoiado pela Escola de Redes é criar e ampliar espaços de educomunicação socioambiental e conectividade comunitária para quem reside na ilha de Caratateua, fortalecendo a circulação das informações de interesse popular, como eventos culturais, ações sociais e espaços de cultura, saúde e lazer na comunidade que estejam conectados com os eixos principais.

“As nossas oficinas são baseadas em trazer a juventude, a comunidade para que a gente consiga produzir conhecimento”, Tamiris Gomes.

No último sábado, quando foi realizada uma das ações do coletivo, a Escola desembarcou no território por meio da pesquisadora Samela Bonfim. A oficina ‘engajamento coletivo como tecnologia ancestral criando projetos de conectividade comunitária’ reuniu jovens da Ilha de Caratateua para discutir a temática.

“A Escola fica muito feliz em poder ver os frutos sendo multiplicados em diferentes territórios, a exemplo de Outeiro por meio do Coletivo Arandu Caratateua. Os jovens que têm participado das oficinas já falam em formar novas redes, motivados por essa semente. E essa sempre foi a intenção da Escola. Multiplicar redes comunitárias pela Amazônia”, destacou Samela Bonfim.

Na fase de implementação, o coletivo propõe além das capacitações, disponibilizar de forma permanente e constante, sinal de internet para a comunidade com alcance médio de 300m da sede onde será instalada a antena. O projeto busca gerar reflexões sobre o uso da internet de modo a fortalecer a consciência, autonomia e engajamento digital na Ilha, criar uma rede de multiplicadores da educomunicação e conectividade comunitária na Ilha de Caratateua e que entendam com clareza as possibilidade e importância, abranger assuntos socioambientais  que geram inquietações em torno da comunidade através da comunicação e conectividade, proporcionar espaços educativos e informativos na comunidades, promover a criação de conteúdos honestos e com responsabilidade social com e para a ilha, sobretudo da primeira edição da revista Arandu Caratateua e valorizar artistas, educomunicadores e criadores de conteúdos da ilha.

“A gente está podendo multiplicar nos nossos territórios. Está sendo esse processo de a gente se empoderar das nossas narrativas, fazer essa troca com a comunidade. A gente vê que estamos contribuindo para a comunidade”, ressaltou Lua Silva.

O público alvo da escola foi definido pelo grupo: moradores da ilha de Caratateua em condições de vulnerabilidade social e digital, com faixa etária entre 18 e 60 anos, pessoas majoritariamente negras, baixa renda, LGBTQIAP+, PCD’s.  Com a criação de um núcleo de comunicação e conectividade comunitária, se busca promover o combate às vulnerabilidades socioambientais e digitais, pontua  Thayná Silva: “Parte do Arandu é a criação de um espaço de comunicação que a gente chama do núcleo de comunicação que é esse espaço de compartilhamento e criação de dentro da Ilha, com pessoas da Ilha criando arte, saberes, com múltiplas linguagens. A partir da camisa, revista, copo, adesivo. Comunicar essa Ilha a partir de outro ponto de vista”. 

O projeto também é focado na democratização da conectividade, alinhados ao ativismo digital como ferramenta metodológica de toda a execução. Além da instalação de uma antena na sede do projeto, com sinal aberto e disponível para a comunidade acessar, de modo a estimular a autonomia de acesso e participação no projeto.

“Despertar a consciência e trazer esse entendimento é o que vai formar a nossa realidade. A gente precisa conectar a comunidade e se tornar cada vez mais parente, mais família mesmo. Se organizar, trazer mais formações, palestras e oficinas. A transformação vai vir a partir de nós”, Raphael Oliveira ‘Gsonis A’.

Escola de Redes Comunitárias da Amazônia

A escola é o pilar de formação e treinamento do projeto “Conectando os Desconectados”, uma iniciativa global, promovida pelas organizações APC e Rhizomatica e executada no Brasil pelo Projeto Saúde e Alegria.

A iniciativa é um legado de Paulo Lima (in memoriam), cuja atuação incansável buscou conectar comunidades desconectadas por meio do desenvolvimento de modelos, capacidades e formas de sustentabilidade para populações com foco em assistência técnica, capacitação, assessoria para advocacy e mobilização comunitária.

A primeira turma da escola contou com a participação de 21 alunos em três estados da Amazônia Legal (Acre, Amazonas e Pará). As comunidades que possuíam integrantes na formação foram: no Pará, os projetos Ciência Cidadã na Aldeia Solimões e Guardiöes do Bem Viver no PAE Lago Grande – ambos no município de Santarém – e a Rede Águas do Cuidar/ Casa Preta na Ilha de Caratateua, grande Belém. No estado do Amazonas, a Aldeia Marajaí, município de Alvarães – Médio Solimões; o Grupo Formigueiro de Vila de Lindóia em Itacoatiara; e a Rede Wayuri em São Gabriel da Cachoeira. No Acre, a Aldeia Puyanawa em Mâncio Lima.

]]>
https://teste.projeto-zero.site/projeto-arandu-caratateua/feed/ 0
“Carta Paulo Lima” lançada na 14ª Oficina para Inclusão Digital pede maior atenção para a Amazônia https://teste.projeto-zero.site/carta-paulo-lima-lancada-na-14a-oficina-de-inclusao-digital-pede-atencao/ https://teste.projeto-zero.site/carta-paulo-lima-lancada-na-14a-oficina-de-inclusao-digital-pede-atencao/#respond Fri, 20 Oct 2023 19:56:04 +0000 https://projeto-zero.site/?p=19306 Documento homenageia o coordenador do Projeto Saúde e Alegria (in memoriam) e destaca elementos necessários para promover a inclusão digital no país. Lançamento foi realizado em Brasília, no Distrito Federal 

Defensor da inclusão digital como um direito humano, Paulo Lima acumulou uma trajetória de luta pelo acesso à internet em regiões isoladas da floresta. Plima, como era carinhosamente chamado, chegou à Amazônia em meados dos anos 2000, com o desejo de contribuir para melhorar a vida de populações ribeirinhas. Era um sonho particular, poder ajudar a diminuir as desigualdades sociais. Do campo da Inclusão Digital desde o fim da década de 1980, passou pelo Ibase/Alternex, Secretaria Executiva da Rede de Informações para o Terceiro Setor (RITS) e, desde 2007 atuava na Coordenação de Inclusão Digital do Projeto Saúde e Alegria.

Paulo Lima estava articulando com outras lideranças a retomada das Oficinas de Inclusão Digital e Participação Social após sete sem a realização do evento, em um contexto dificil para a sociedade brasileira.  Não conseguiu ver a oficina acontecer, mas estava presente. A 14ª Edição prestou uma homenagem com o nome da carta. “Foi uma emoção muito grande essa retomada que a gente fez. E não vamos parar, vai ter oficina todo o ano!, contou Beatriz Tibiriçá, do Coletivo Digital, uma das ONGs promotoras do evento.

A Carta ressalta a importância da retomada das políticas públicas de inclusão digital no país, dos telecentros, dos direitos digitais como o letramento digital e do livre acesso à internet, do software livre, das redes comunitárias como forma de combater a desinformação e de fortalecer a autonomia das tecnologias e gestão comunitária, das estratégias de segurança de dados, da soberania digital e ancestral. O documento, que conta com a adesão de dezenas de institutos, coletivos, associações, organizações governamentais e redes, será encaminhado para toda a administração pública e ficará disponível, no site do evento, para novas assinaturas.

Na cerimônia de encerramento também foi anunciado o retorno do Fórum Internacional do Software Livre (FISL), com previsão para julho de 2024, abrigando uma nova oficina de inclusão digital. Foto: Fábio Pena/PSA.

“É a retomada de um processo que havia sido parado há 7 anos por conta dos desmontes das políticas sociais e de inclusão. Estamos retomando esse processo e colocando a pauta da inclusão digital no processo de reconstrução do país. Nós vivemos numa sociedade de informação e conhecimento e quem não tem acesso adequado a essas tecnologias também está mais excluído socialmente. Nós do PSA sempre batalhamos por essa pauta e viemos trazer o nosso ponto de vista, o nosso reforço a essa agenda”, contou um dos  coordenadores do PSA, Fábio Pena.

O encontro contou com o apoio institucional de órgãos e entidades do governo e sociedade civil como o Sesi, Serpro, Dataprev, Comitê Gestor da Internet e Projeto Saúde e Alegria. Na cerimônia de encerramento também foi anunciado o retorno do Fórum Internacional do Software Livre (FISL), com previsão para julho de 2024, abrigando uma nova oficina de inclusão digital.

Leia aqui na íntegra.

“Nesta Carta que contém contribuições do próprio Paulo, tivemos a oportunidade de incluir ainda neste documento, temáticas de incentivo às pautas de gênero, infraestrutura de cuidados e meio ambiente, fomento das redes sociodigitais, justiça climática sobre os princípios da circularidade contemplando a realidade da Amazônia. Esse foi um momento histórico depois de sete anos a gente retorna a Brasília para reunir figuras importantes da cultura digital interagindo com uma atual geração sob novos olhares, inclusive, a partir dos princípios colaborativos do Software livre”, contou a pesquisadora da Escola de Redes, Adriane Gama.

Escola de Redes Comunitárias da Amazônia 

Pilar de formação e treinamento do projeto “Conectando os Desconectados”, uma iniciativa global, promovida pelas organizações APC e Rhizomatica e executada no Brasil pelo Projeto Saúde e Alegria, a escola é um legado de Paulo Lima (in memoriam), cuja atuação incansável buscou conectar comunidades desconectadas por meio do desenvolvimento de modelos, capacidades e formas de sustentabilidade para populações com foco em assistência técnica, capacitação, assessoria para advocacy e mobilização comunitária.

Em 2021, um conselho consultivo foi formado para discutir as metodologias e áreas temáticas para as ações da escola. O grupo de especialistas é composto por Beatriz Tibiriçá (Coordenadora Geral, Coletivo Digital), Georgia Nicolau (Diretora de Projetos e Parcerias Pró Comum), Jader Gama (Pesquisador – UFPA), Doriedson Almeida (Professor – UFOPA), Karina Yamamoto (Pesquisadora – USP e Jeduca), Guilherme Gitahy de Figueiredo (Profº UEA – Tefé – AM) e Carlos Afonso (Diretor Executivo – Instituto NUPEF).

A primeira turma da escola contou com a participação de 21 alunos em três estados da Amazônia Legal (Acre, Amazonas e Pará). As comunidades que possuíam integrantes na formação foram: no Pará, os projetos Ciência Cidadã na Aldeia Solimões e Guardiöes do Bem Viver no PAE Lago Grande – ambos no município de Santarém – e a Rede Águas do Cuidar/ Casa Preta na Ilha de Caratateua, grande Belém. No estado do Amazonas, a Aldeia Marajaí, município de Alvarães – Médio Solimões; o Grupo Formigueiro de Vila de Lindóia em Itacoatiara; e a Rede Wayuri em São Gabriel da Cachoeira. No Acre, a Aldeia Puyanawa em Mâncio Lima.

“Nós somos os realizadores de coisas impossíveis. Por exemplo, a Escola de Redes Comunitárias da Amazônia, da qual eu sou conselheira também, fez e aconteceu. Nós juntamos todos os fazedores e montamos a 14ª Oficina de Inclusão Digital e Participação Social que acabou de aprovar a carta Paulo Lima de Inclusão Digital e Participação Social. Carta ao povo brasileiro. Isso é uma emoção muito grande, inclusive que o Paulo Lima participou da escrita desses documentos que nós usamos para compartilhar com todo mundo na oficina. Ele esteve o tempo todo conosco. Toda a Amazônia estava aqui”, ressaltou Beá Tibiriçá.

Inclusão Digital como legado de Pima para a Amazônia

“Em nossa região implantamos cerca de 40 Telecentros Culturais (desde 2001, quando estava ainda na Rits) e hoje atuamos regionalmente com o Projeto da Escola de Redes Comunitárias da Amazônia, com 7 organizações do Acre, Pará e Amazonas. Estamos também coordenando ações de Telemedicina nos municípios de Santarém, Aveiro e Belterra. Temos muito interesse em contribuir no Conselho do FUST que vimos nascer lá em 2000 e que tanto lutamos para que fosse enfim aplicado para o que foi pensado”, escreveu o próprio, menos de uma semana antes de falecer.

Paulo Lima, historiador e Mestre em Recursos Naturais da Amazônia, era um apaixonado pela arte de ensinar. Atuava há treze anos como professor no Iespes, onde lecionava para os cursos de direito e jornalismo. Paulo, que foi consultor da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (CEPAL) e da Organização Internacional do Trabalho (OIT), era também especialista em avaliação e gestão de projetos sociais. Com experiência na área de História, Sociologia Rural, Ciências Ambientais, Ciência Política, Redes Comunitárias e Comunicação Social, atuava com comunidades tradicionais, Amazônia, sociedade da informação, comunicação alternativa, história, sociedade civil e movimentos sociais.

Estava animado com um novo projeto de inclusão digital que havia iniciado recentemente, o Conexão dos Povos da Floresta, dos Mundurukus ao baixo Tapajós, que levaria conexão de internet para populações indígenas e ribeirinhas da floresta. Dias antes de partir, havia realizado testes com as primeiras antenas e muito entusiasmado, chamou a equipe do Projeto de Redes Comunitários, a qual coordenava para compartilhar o sucesso da experiência.

Projeto Saúde e Alegria representado pelo coordenador Fábio Pena e pesquisadora Adriane Gama.

Saiba mais sobre o evento e a Carta Paulo Lima da 14ª OID na íntegra aqui: https://oid.org.br/

* Com informações de Sepro

]]>
https://teste.projeto-zero.site/carta-paulo-lima-lancada-na-14a-oficina-de-inclusao-digital-pede-atencao/feed/ 0
Web Rádio Tucandeira assanha Formigueiro com previsão de inauguração no interior do Amazonas  https://teste.projeto-zero.site/web-radio-tucandeira-assanha-formigueiro-com-previsao-de-inauguracao-no-interior-do-amazonas/ https://teste.projeto-zero.site/web-radio-tucandeira-assanha-formigueiro-com-previsao-de-inauguracao-no-interior-do-amazonas/#respond Tue, 17 Oct 2023 20:48:32 +0000 https://projeto-zero.site/?p=19287 Instrumento de conexão entre comunidades e aldeias do interior do Estado do Amazonas, rádio online será transmitida pelo Grupo Formigueiro de Vila de Lindóia, integrante da Escola de Redes Comunitárias da Amazônia 

Severamente castigado pela seca extrema, o município de Itacoatiara no Estado do Amazonas, Am-010, onde se encontra a Vila de Lindóia, no Km 183, banhado pelo Rio Urubu, recebeu a visita de avaliação da Escola de Redes Comunitárias da Amazônia. A pesquisadora Adriane Gama, chegou ao território dos Formigueiros, após longas horas de viagem, numa logística intensificada pela grande estiagem na Amazônia. “O objetivo foi avaliativo e de acolhimento representativo da escola nesse fechamento de ciclo de atividades do projeto, buscando dialogar sobre os desafios encontrados e suas adaptadas soluções e verificar de perto os próximos passos e sustentabilidade do projeto”, contou.

No Telecentro construído com apoio da Escola de Redes, cursos foram realizados para fortalecer a atuação da juventude ligada ao grupo, com ênfase na apropriação tecnológica. “O projeto trouxe muito conhecimentos pra mim que não conhecia sobre os computadores. A gente aprendeu a mexer no computador, criar documentos, criar certificados, usar impressoras”, destacou a jovem Yasmin Cavalcante.

Em fase de instalações, Web Rádio deve iniciar operações ainda neste semestre de 2023.

O espaço oportunizará além das capacitações, a disseminação de informações sobre território, cultura, educação e comunicação por meio da Web Rádio Tucandeira, idealizada pelas alunas Samira, Raquel e Daiane, estudantes indicadas pelo Grupo Formigueiro, integrados aos 21 alunos de três estados da Amazônia Legal (Acre, Amazonas e Pará) na primeira turma da Escola de Redes Comunitárias da Amazônia.

“Graças a Escola de Redes e PSA, estamos montando a nossa rádio Web que se chama Tucandeira. Tem como significado essa formiga que tem uma ferrada muito forte. Significa que onde nós formos, iremos incomodar. Quando o novo quer chegar, causa uma grande mudança”, explica Samira Diaz.

Os jovens planejam após a inauguração, ampliar a abrangência da Web Rádio instalada na Vila de Lindóia  para além dos limites de Itacoatiara. “Todo esse aparato tecnológico possibilitará o funcionamento da rádio Web Tucandeira. Nós temos comunidades como Boca do Padre e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro que necessitam de informações. Hoje eles estão com uma seca muito grande. Eles precisam se comunicar. Através da rádio Web, WhatsApp, site, eles vão poder se mostrar a realidade. Esse processo vai melhorar a comunicação dentro das nossas comunidades”, comentou o recém chegado ao grupo, Leandro Santos.

Seca intensa atinge comunidades do Estado do Amazonas. Fotos: Adriane Gama/PSA.

Durante a atividade de acompanhamento, foram entregues os informativos do Formigueiro, os quais serão produzidos mensalmente pela equipe de trabalho e certificados aos participantes do curso de capacitação do projeto comunitário das alunas formigueiras, ampliando o debate sobre as inovações da agricultura familiar bem como os impactos das mudanças climáticas na região e como o grupo Formigueiro está se adaptando às condições do clima.

Grupo Formigueiro

Sediado no interior da Amazônia, em Itacoatiara, a 183 km de Manaus, o Grupo Formigueiro representa associações de populações tradicionais: ribeirinhas e indígenas. Está inserido em uma área de difícil acesso à internet e telefonia celular, e se destaca por ter a festa da maior fogueira do Estado. A economia da região gira em torno do turismo, da pesca do tucunaré e da agricultura familiar.

As comunidades estão organizadas em 38 associações de bases que compõem o Grupo Formigueiro. A estrutura de organização política fortalece a luta em defesa dos direitos, dos territórios e do controle social da implementação das políticas públicas, especialmente as dos produtores rurais. A dificuldade de comunicação é um dos grandes desafios do grupo que almeja fortalecer a Rede de Comunicação local para defesa dos territórios e de propagar as suas influentes atividades colaborativas. Formigueiro foi uma das sete organizações integrantes da Escola de Redes Comunitárias da Amazônia.

Escola de Redes Comunitárias da Amazônia

A escola é o pilar de formação e treinamento do projeto “Conectando os Desconectados”, uma iniciativa global, promovida pelas organizações APC e Rhizomatica e executada no Brasil pelo Projeto Saúde e Alegria.

A iniciativa é um legado de Paulo Lima (in memoriam), cuja atuação incansável buscou conectar comunidades desconectadas por meio do desenvolvimento de modelos, capacidades e formas de sustentabilidade para populações com foco em assistência técnica, capacitação, assessoria para advocacy e mobilização comunitária.

Em 2021, um conselho consultivo foi formado para discutir as metodologias e áreas temáticas para as ações da escola. O grupo de especialistas é composto por Beatriz Tibiriçá (Coordenadora Geral, Coletivo Digital), Georgia Nicolau (Diretora de Projetos e Parcerias Pró Comum), Jader Gama (Pesquisador – UFPA), Doriedson Almeida (Professor – UFOPA), Karina Yamamoto (Pesquisadora – USP e Jeduca), Guilherme Gitahy de Figueiredo (Profº UEA – Tefé – AM) e Carlos Afonso (Diretor Executivo – Instituto NUPEF).

A primeira turma da escola contou com a participação de 21 alunos em três estados da Amazônia Legal (Acre, Amazonas e Pará). As comunidades que possuíam integrantes na formação foram: no Pará, os projetos Ciência Cidadã na Aldeia Solimões e Guardiöes do Bem Viver no PAE Lago Grande – ambos no município de Santarém – e a Rede Águas do Cuidar/ Casa Preta na Ilha de Caratateua, grande Belém. No estado do Amazonas, a Aldeia Marajaí, município de Alvarães – Médio Solimões; o Grupo Formigueiro de Vila de Lindóia em Itacoatiara; e a Rede Wayuri em São Gabriel da Cachoeira. No Acre, a Aldeia Puyanawa em Mâncio Lima.

]]>
https://teste.projeto-zero.site/web-radio-tucandeira-assanha-formigueiro-com-previsao-de-inauguracao-no-interior-do-amazonas/feed/ 0
Estudantes da Escola de Redes Comunitárias da Amazônia participam do Dweb CoolabCamp em SP  https://teste.projeto-zero.site/estudantes-da-escola-de-redes-comunitarias-da-amazonia-participam-do-dweb-coolabcamp-em-sp/ https://teste.projeto-zero.site/estudantes-da-escola-de-redes-comunitarias-da-amazonia-participam-do-dweb-coolabcamp-em-sp/#respond Mon, 11 Sep 2023 19:38:43 +0000 https://projeto-zero.site/?p=19016 Jovens das rádios comunitárias Uxicará de Vila Brasil e Sapucaia da aldeia Solimões de Santarém, participaram de evento em Ubatuba, interior de São Paulo

No período de 7 a 10 de setembro, os estudantes da Escola de Redes Comunitárias da Amazônia, Gean Silva e Leidy Sousa participaram da terceira edição do evento internacional Dweb+CoolabCamp, promovido pela Coolab, onde redes comunitárias e pessoas interessadas se encontraram para aprender, trocar, conspirar pela popularização de uma internet controlada por quem a usa.

Através da mobilização do coordenador das Escolas Nacionais de Redes Comunitárias, Carlos Baca que em julho deste ano visitou a Web rádio Uxicará do Lago Grande e rádio comunitária Sapucaia e com apoio de Débora Prado, da APC e Bruna Zanolli, da Rhizomatica, os jovens puderam participar de rodas de conversa em que apresentaram suas experiências sobre redes e rádios comunitárias, além do uso das tecnologias para o bem viver coletivo nas aldeias e territórios amazônicos.

“Foi uma experiência muito boa que a gente viveu aqui no interior SP, com as pessoas que estão na luta em defesa da casa comum, do bem viver e cada pessoa pôde compartilhar seu conhecimento numa roda de conversa, pudemos debater sobre a importância da agroecologia, da comunicação popular na Amazônia, nos territórios”, comentou Gean Silva, do Coletivo Guardiões do Bem Viver.

A visita aconteceu poucos meses após a inauguração da Web Rádio Uxicará, que entrou no ar com festa em Vila Brasil, no PAE Lago Grande. Foi o primeiro projeto da Escola de Redes Comunitárias da Amazônia executado, idealizado pelo Coletivo Guardiões do Bem Viver. Com conclusão das obras do espaço físico, instalação de energia solar e internet, a rádio comunitária passou a operar com programação diária, direto do Assentamento PAE Lago Grande para o mundo e protagonizada pelos povos da floresta, com transmissão de informações em tempo real. Um sonho fortalecido pela Escola de Redes Comunitárias da Amazônia, liderada pelo Projeto Saúde e Alegria, APC e Rhizomatica.

Já na aldeia Solimões, os trabalhos para construção do espaço físico da rádio Sapucaia seguem em ritmo acelerado. Por lá, a expectativa é de potencializar a rádio, equipada em 2022 pela Escola de Redes Comunitárias da Amazônia com potência de 15 watts, sintonizada na 88.0 FM, atingindo o raio de um quilômetro abrangendo as 55 famílias e 185 habitantes da aldeia.

Para a jovem Leidy Sousa, participar do acampamento foi uma importante oportunidade para falar sobre os sonhos do seu povo. “Foi maravilhoso ter a oportunidade de compartilhar um pouco  das nossas rádios com as pessoas nesse grande evento da DwebCamp”.

O Colab Camp e The Web Camp possibilitaram ampliar o debate sobre a Cooperativa de Redes Comunitárias, perpassando pela descentralização da Web, com criação de novos protocolos de comunicação para a internet. Hiure Queiroz da coordenação, destacou que participaram pessoas ligadas às redes comunitárias, ambiente da criação de novos protocolos para internet como programadores que trabalham com códigos e agricultores que estão entendendo e compartilhando esses princípios. “A impressão que fica é que a descentralização é a ponta do iceberg. A gente precisa muito mais de novos protocolos de internet, mas de protocolos de interação humana e que a gente tenha uma nova visão de mundo para essas novas tecnologias criadas em cima do neoliberalismo. Aqui foram compartilhadas novas ideias e maneiras de como se organizar e relacionar, acordos de convivência e como as nossas comunidades ancestrais deixaram o bem viver e a nova relação da gente com a tecnologia”, evidencia.

No espaço também foram relacionadas ações propositivas para atuação com tecnologias para agroecologia, geração de renda e fomento às redes comunitárias acessíveis e gratuitas, pontuou a pesquisadora da Escola de Redes, Adriane Gama.

]]>
https://teste.projeto-zero.site/estudantes-da-escola-de-redes-comunitarias-da-amazonia-participam-do-dweb-coolabcamp-em-sp/feed/ 0
No ar: Web rádio Uxicará é inaugurada com festa em Vila Brasil, no PAE Lago Grande https://teste.projeto-zero.site/no-ar-web-radio-uxicara/ https://teste.projeto-zero.site/no-ar-web-radio-uxicara/#respond Mon, 14 Aug 2023 11:55:22 +0000 https://projeto-zero.site/?p=18849 O primeiro projeto da Escola de Redes Comunitárias da Amazônia executado foi o da Rádio Web Uxicará, idealizada pelo Coletivo Guardiões do Bem Viver. Com conclusão das obras do espaço físico, instalação de energia solar e internet, a rádio comunitária opera com programação diária, direto do Assentamento PAE Lago Grande para o mundo 

Em uma vila chamada Brasil às margens do Rio Arapiuns, a Amazônia ganhou uma forte aliada na defesa dos territórios. A WEB Rádio Uxicará (fusão de dois frutos da região – uixi / cará) é protagonizada pelos povos da floresta e transmitirá informações em tempo real – direto do Projeto de Assentamento Agroextrativista Gleba Lago Grande. Um sonho fortalecido pela Escola de Redes Comunitárias da Amazônia, liderada pelo Projeto Saúde e Alegria, APC e Rizhomática.

A cerimônia de inauguração organizada pelo Coletivo e planejada por toda a comunidade Vila Brasil – que abriga a rádio, foi um momento de festividade. O evento contou com música, dança, ato de inauguração e fala das autoridades numa celebração marcada pela conquista do espaço que foi idealizado para abrigar os equipamentos das rádios, o sistema de internet e de energia fotovoltaica.

A gente sonhou em ter algo que chegasse mais próximo de nós e a rádio Uxicará vai ampliar as nossas lutas para outros locais e até territórios. Vai conectar os desconectados e fortalecer essa comunicação que já existe aqui”, destacou Thais Isabele do Coletivo Guardiões do Bem Viver.

Estruturação do espaço físico da Rádio contou com apoio do PSA, Ministério Público do Trabalho, Internews e APC. Fotos: Júnior Albuquerque/acervo PSA.

Há anos Vila Brasil desejava fortalecer a identidade amazônica por meio da comunicação popular, propagada deles para o entorno. Até então, os jovens utilizavam uma rádio comunitária somente com alto falantes para comunicação entre as comunidades e as redes sociais para combater a desinformação. Para reforçar esse trabalho, uma articulação entre o PSA, Ministério Público do Trabalho, Internews e APC resultou na doação de mesa, cadeiras de escritório, impressoras, notebook, aparelho celular e fones de ouvido.

O Projeto Saúde e Alegria sempre tem iniciativas voltadas para fortalecer a comunicação comunitária, o acesso à informação como um diretivo básico para as populações da Amazônia, entendendo a comunicação como um direito humano. A gente acredita muito na democratização dos meios de comunicação e essa iniciativa da rádio comunitária Uxicará faz parte dessa maravilha que são as experiências feitas da comunidade para a própria comunidade e daqui dessa comunidade para o mundo”, Fábio Pena – um dos coordenadores do Projeto Saúde e Alegria.

Em 2021, quando foi idealizada pelo mentor Paulo Lima (in memoriam), a Escola de Redes Comunitárias da Amazônia tinha como um de seus princípios, integrar coletivos organizados para realizar sonhos comunitários para o território, onde partilhariam conhecimentos e o desejo de conquistar o direito ao uso da internet, acesso de tecnologias para participação social, participação em rádios comunitárias e processos formativos de comunicação.

Cristina Caetano, esposa de Paulo Lima participou da inauguração e comentou sobre a satisfação em ver o legado de Plima se concretizando. “Estou muito feliz porque eu vi a alegria da comunidade e por no dia dos pais poder trazer o Bento para inaugurar a rádio e sentir a presença do Paulo em todo esse projeto, na fala dos jovens na comunidade. Extremamente feliz por vê-los mobilizados em projetos de comunicação, nos problemas da Amazônia, da sociedade”.

O PAE Lago Grande abriga 154 comunidades e 6.600 famílias indígenas e ribeirinhas, que trabalham com extrativismo e agricultura de base familiar. A articulação do grupo de comunicação independente aconteceu através dos Guardiões do Bem Viver – o coletivo é formado por jovens das três áreas do assentamento – Arapiuns, Arapixuna e Lago Grande.

Os três alunos da escola, Pedro Soares, Karina Matos e Jean Silva, participaram de todas as fases de formação: presencial, virtual, mentoria e construção dos projetos voluntários. A rádio Uxicará já existia e como uma iniciativa pensada pelo Coletivo Guardiões do Bem Viver já, eles planejaram a criação da rádio web”, lembrou a ex-gestora de Projetos do PSA, Sabrina Costa.

Os Guardiões atuam na mobilização dos moradores, representando um braço da Federação das Associações de Moradores e Comunidades do Assentamento Agroextrativista da Gleba Lago Grande (Feagle) – órgão máximo de representação das comunidades do PAE. Uma das ações do coletivo é a divulgação, nas redes sociais, do trabalho da Federação, além de denúncias do território sobre crimes ambientais. A ONG Fase que também atua no território, participou da cerimônia e destacou a importância do momento para a juventude.

A rádio transmitirá informações factuais, não-factuais e investigativas, além de narrar a realidade, identidade e modo de vida da nossa região. “A comunicação é uma das ferramentas de fortalecimento para que esses territórios se desenvolvam em prol da defesa da floresta, dos rios e dos povos”, pontuou a pesquisadora da Escola, Adriane Gama.

Lançada em 2010, a rádio Uxicará nasceu de forma improvisada em uma caixa amplificada no alto de uma torre de telefone. De lá pra cá, os idealizadores vem se mobilizando para conquistar apoios e garantir a continuidade do projeto, que agora, além de espaço físico, se comunica para dentro e para fora de Vila Brasil:

Vai ecoar nossas vozes em defesa do nosso território e da nossa comunidade, nossa comunidade. Mostrar nosso artesanato, turismo de base comunitária e deixar as comunidades informadas do que vai acontecer no assentamento PAE Lago Grande” – Pedro Soares, coordenador da rádio.

Fazer comunicação na Amazônia é desafiador. As comunidades não têm acesso à internet ou muita limitação. A rádio web chega para que a gente fale para o mundo sobre as nossas lutas e anuncie a cultura local, os cordões de pássaro e denunciar a falta de políticas públicas, coisas simples como saúde e educação, será importante para levarmos nossa voz ao mundo”, Darlon Neres, membro da diretoria da Feagle.

Mudanças Climáticas nas ondas do rádio

A pauta das consequências das mudanças climáticas também será destaque na programação da rádio comunitária. Impactados pelos reflexos da alteração do clima, os jovens comunicadores populares preveem conteúdos voltados para a conscientização de ações que possam contribuir para a mitigação desses efeitos, considerando que as comunidades tradicionais, ribeirinhas e indígenas da Amazônia, são as mais impactadas por essas transformações.

Especialmente nesse momento em que muito tem se falado da Amazônia, da crise climática e importância da preservação da floresta, é muito importante que as comunidades da Amazônia possam ter os seus canais de comunicação para que elas próprias possam falar nesse debate”, esclarece Pena.

]]>
https://teste.projeto-zero.site/no-ar-web-radio-uxicara/feed/ 0
Web rádio Uxicará do Lago Grande e rádio comunitária Sapucaia de Solimões recebem visita do coordenador das Escolas Nacionais de Redes Comunitárias https://teste.projeto-zero.site/web-radio-uxicara-do-lago-grande-e-radio-comunitaria-sapucaia-solimoes-recebem-visita-do-coordenador-das-escolas-nacionais-de-redes-comunitarias/ https://teste.projeto-zero.site/web-radio-uxicara-do-lago-grande-e-radio-comunitaria-sapucaia-solimoes-recebem-visita-do-coordenador-das-escolas-nacionais-de-redes-comunitarias/#respond Fri, 28 Jul 2023 19:23:14 +0000 https://projeto-zero.site/?p=18744 Em fase de construção, web rádio e rádio comunitária contam com o apoio do projeto Conectando os Desconectados da Escola de Redes Comunitárias da Amazônia. Obras do espaço físico, compra de equipamentos, instalações de internet satelital e de sistema de energia solar foram possíveis graças à integração da APC, Rizhomática e Projeto Saúde e Alegria

Dois territórios, características geográficas distintas, seis alunos e um sonho: comunicar sua cultura, a partir do rádio. A aldeia Solimões (Resex Tapajós-Arapiuns) e Vila Brasil (Pae Lago Grande) têm em comum o desejo de fortalecer a identidade amazônica por meio da comunicação popular, propagada por eles para o entorno e para o mundo.

Através da iniciativa da Escola de Redes Comunitárias da Amazônia, os estudantes estão conseguindo realizar a materialização desse sonho coletivo. Em fase de construção das obras, as duas regiões estão edificando uma área para abrigar os equipamentos das rádios, o sistema de internet e de energia fotovoltaica.

No período de 27 a 28 de julho, o coordenador das Escolas Nacionais de Redes Comunitárias, Carlos Bacca, desembarcou em Santarém para conhecer as duas iniciativas. O mexicano que representa a Rizhomática se encantou com as belezas da região, com o envolvimento dos jovens e foi recepcionado com muita aventura nas agitadas águas do rio Tapajós. Ao visitar os alunos, destacou a satisfação em ver de perto o resultado dos projetos “Muito emocionante ver como depois do processo de formação de mais de dois anos, começa a materializar esses sonhos dos participantes”.

A rodada de visitas faz parte da jornada de acompanhamento do projeto que entrou na fase de consolidação dos projetos comunitários, elaborados pelos jovens e que recebem apoio para fortalecer as iniciativas propostas por eles. Adriane Gama, pesquisadora da Escola, destacou que essa é uma etapa importante e de conclusão. “É o momento de culminância desses projetos que estão se consolidando com os planos de trabalhos desenvolvidos durante esse processo da escola de Redes”.

Rádio Web Uxicará, Vila Brasil

Em 2021, quando foi idealizada pelo mentor Paulo Lima (in memoriam), a Escola de Redes Comunitárias da Amazônia tinha como um de seus princípios, integrar coletivos organizados para realizar sonhos comunitários para o território, onde partilhariam conhecimentos e o desejo de conquistar o direito ao uso da internet, acesso de tecnologias para participação social, participação em rádios comunitárias e processos formativos de comunicação.

Mais de dois anos após o início das atividades, a Escola chegou à fase de realização de sonhos coletivos. Um deles, o de jovens comunicadores do Projeto de Assentamento Agroextrativista da Gleba Lago Grande – PAE Lago Grande – que abriga 154 comunidades e 6.600 famílias indígenas e ribeirinhas, que trabalham com extrativismo e agricultura de base familiar. A articulação do grupo de comunicação independente aconteceu através dos Guardiões do Bem Viver – um coletivo formado por jovens das três áreas do assentamento – Arapiuns, Arapixuna e Lago Grande.

Os Guardiões atuam na mobilização dos moradores, representando um braço da Federação das Associações de Moradores e Comunidades do Assentamento Agroextrativista da Gleba Lago Grande (Feagle) – órgão máximo de representação das comunidades do PAE. Uma das ações do coletivo é a divulgação, nas redes sociais, do trabalho da Federação, além de denúncias do território sobre crimes ambientais.

Os jovens do coletivo utilizam uma rádio comunitária de baixa potência para comunicação entre as comunidades e as redes sociais para combater a desinformação. Para fortalecer esse trabalho, uma articulação entre o PSA, Ministério Público do Trabalho, Internews e APC resultou na doação de mesa, cadeiras de escritório, impressoras, notebook, aparelho celular e fones de ouvido. O kit de comunicação foi destinado à rádio comunitária Uxicará de Vila Brasil, “com objetivo de fortalecer a comunicação popular no território como ferramenta de luta e resistência”, comentaram os guardiões.

O espaço físico em fase de conclusão de obras, será usado pelos alunos da escola: Pedro Soares, Karina Matos e Jean Silva e a comunidade.

“A gente se sente muito grato de fazer parte da escola de redes. Essa rádio é uma vitória para o assentamento PAE Lago Grande, Vila Brasil e nós, coletivo Guardiões do Bem Viver, nos sentimos muito gratos por tudo o que já conquistou e vai conquistar para que essa Rádio Web possa mostrar nossa realidade, identidade e modo de vida que são da nossa região. Falar sobre o assentamento nos primeiros programas, como foi criado, importância da juventude em defesa do território e bem viver e trazer mais jovens na luta em defesa da floresta” – Jean Silva, estudante da Escola de Redes e guardião do Bem Viver.

O espaço será inaugurado após instalação da internet satelital e de sistema de energia solar, no dia 13 de agosto em uma grande festa comunitária. Sabrina Costa, pesquisadora da Escola, falou sobre o desafio logístico operacional para consolidação do plano de trabalho e da conquista que é chegar a esta etapa: “Além de fortalecer a comunicação, terão acesso à internet para toda a comunidade de Vila Brasil”.

Rádio Sapucaia, aldeia Solimões

Abrigada na sala de professores da Escola Nossa Senhora das Graças, a rádio Sapucaia foi ar na aldeia Solimões, localizada na Resex Tapajós-Arapiuns em 2022. Com o apoio do projeto Conectando os Desconectados implementado no Brasil pelo Saúde e Alegria e coordenado pela Associação para o Progresso das Comunicações, será construído um estúdio com acesso a internet e movido a energia solar.

Sempre foi um sonho da aldeia. Agora estamos a poucos passos de conseguirmos isso. É uma forma de fortalecer a nossa cultura, a nossa identidade”, planeja Dailon Alves, indígena e professor na aldeia Solimões. Com a chegada dos materiais de construção, uma grande mobilização na aldeia marcou a consolidação de uma nova etapa para o povo kumaruara. A rádio comunitária que operava nas dependências da escola, terá um espaço completo e voltado para a produção de notícias da aldeia.

A rádio, equipada em 2022 pela Escola de Redes Comunitárias da Amazônia tem potência de 15 watts, sintoniza na 88.0 FM e atinge o raio de um quilômetro abrangendo as 55 famílias e 185 habitantes da aldeia. A primeira etapa desse sonho, foi a doação de mesa de som, dois microfones, cabos, fones de ouvido, suporte para microfone, caixa e retorno e transmissor FM 15 watts com antena e Oficina de Gestão e Rádio Comunitária.

Com o desembarque dos materiais, a previsão é que a construção inicie ainda neste final de julho e seja concluída até agosto, reunindo lideranças e moradores na obra. O espaço vai operar com energia solar e incluirá o acesso à internet de satélite, possibilitando a transmissão em tempo real. Os indígenas avaliam positivamente o impacto da rádio para o fortalecimento da cultura ancestral. A programação contemplará a participação democrática dos moradores, bem como processos educativos e de inclusão, destaca Dailon Alves: “A gente está no processo de revitalização da nossa língua materna. Queremos envolver todos, as nossas crianças, os anciãos. Incluir a língua nheengatu e notório saber. Dessa forma a gente consegue o nosso objetivo”.

O projeto “Conectando os Desconectados” promovido pelas organizações APC e Rhizomatica e executada no Brasil pelo Projeto Saúde e Alegria, tem como pilar de formação e treinamento a Escola de Redes Comunitárias da Amazônia, que busca conectar comunidades desconectadas por meio do desenvolvimento de modelos, capacidades e formas de sustentabilidade para populações com foco em assistência técnica, capacitação, assessoria para advocacy e mobilização comunitária.

“Estou muito feliz por ser uma aluna da Escola e apresentar o programa na rádio Sapucaia. Esperando a construção e inauguração da rádio que vai servir muito pra nós na aldeia”, Leidiane de Sousa.

]]>
https://teste.projeto-zero.site/web-radio-uxicara-do-lago-grande-e-radio-comunitaria-sapucaia-solimoes-recebem-visita-do-coordenador-das-escolas-nacionais-de-redes-comunitarias/feed/ 0