Abaré – Saúde da Família Fluvial – SANDBOX WP https://teste.projeto-zero.site Subdominio de Teste Mon, 22 Dec 2025 12:53:33 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 Projeto Saúde e Alegria entrega dez UBS da Floresta em 2025 https://teste.projeto-zero.site/projeto-saude-e-alegria-entrega-dez-ubs-da-floresta-em-2025/ https://teste.projeto-zero.site/projeto-saude-e-alegria-entrega-dez-ubs-da-floresta-em-2025/#respond Mon, 22 Dec 2025 12:53:33 +0000 https://projeto-zero.site/?p=22987 Nova cerimônia marcou entrega nas comunidades de São Miguel e Vila Goreti, na região do Arapiuns, que receberam a reforma e revitalização de suas Unidades Básicas de Saúde (UBS)

O Projeto Saúde e Alegria com apoio da Fundação Banco do Brasil e parceria da Prefeitura Municipal inauguraram na última quarta-feira (17), duas novas UBS da Floresta, integrando a agenda de fortalecimento da atenção básica em territórios ribeirinhos.

Caetano Scannavino, coordenador do Projeto Saúde e Alegria, ressaltou que o momento representou mais um compromisso cumprido com as comunidades. “Hoje nós estamos aqui cumprindo mais uma agenda, mais um compromisso com a comunidade de São Miguel e também de Vila Goreti, com a entrega da reforma e revitalização dessas duas unidades básicas de saúde”, afirmou. Ele destacou que as melhorias envolvem tanto a estrutura física quanto a chegada de novos equipamentos. “Isso está trazendo mais qualidade de vida para as pessoas e para os trabalhadores da saúde que aqui estão”, disse.

Entre os avanços, Caetano ressaltou a incorporação de equipamentos que ampliam o acesso a serviços especializados. “Uma unidade reformada, com equipamentos novos, como televisor e computador, que vão trazer a possibilidade das pessoas realizarem consulta especializada através da telemedicina. Isso é inovação na saúde, isso é qualidade de vida para toda a população”, explicou.

Para a comunidade de Vila Goreti, a entrega da UBS revitalizada marca um novo momento. A agente comunitária de endemias Macília Lúcia dos Santos Dias avaliou a ação como um marco para os usuários do SUS. “Hoje é um momento importante para a comunidade e para os usuários do SUS, devido à ampla revitalização que teve na UBS de Vila Goreti e aos equipamentos que vão ampliar mais o serviço”.

O kit tecnológico das UBS da Floresta inclui internet de banda larga, em parceria com a Rede Conexão Povos da Floresta, permitindo notificações remotas e ações de telessaúde com especialistas. As unidades contam ainda com eletrocardiograma, nebulizadores para atendimentos a problemas respiratórios, geladeira para armazenamento de vacinas, entre outros equipamentos que ampliam a resolutividade da atenção básica em áreas isoladas. Os novos recursos devem fortalecer o trabalho das equipes e ampliar o suporte aos atendimentos. “É uma grande conquista para a comunidade e para todos os usuários do SUS”, completou.

O impacto da revitalização foi destacado pela equipe de saúde. Felipe Gabriel Santos Lopes, enfermeiro da unidade de Vila Goreti, ressaltou a importância da UBS para o Baixo Arapiuns. “Nossa unidade atende aproximadamente 3.500 pessoas e é a única comunidade com atendimento médico no Baixo Arapiuns”, explicou. A chegada dos equipamentos representa um divisor no atendimento. “A gente está recebendo equipamentos que vão facilitar o atendimento e ajudar o usuário a resolver suas demandas aqui mesmo na comunidade, melhorando a qualidade do nosso serviço”, disse.

A entrega das UBS revitalizadas também contou com a presença do ICMBio. Para Renata, analista ambiental lotada na Resex Tapajós-Arapiuns, o momento teve um significado especial. “Foi muito especial poder ver a alegria das comunidades e saber que elas vão ser bem atendidas, com mais qualidade de vida e bem-estar”, disse. Ela destacou que foi sua primeira visita às comunidades, em especial a São Miguel, que integra a reserva. “É algo extremamente importante poder trazer esse tipo de assistência para territórios mais isolados”, afirmou.

Renata ressaltou ainda o papel das parcerias. “O ICMBio é gestor do território, mas não consegue sozinho alcançar tantas demandas. Essa parceria com o Projeto Saúde e Alegria, a Fundação Banco do Brasil e a prefeitura tem sido fundamental para estruturar melhor as comunidades, que sofrem muito com a logística para acessar uma saúde de qualidade”, concluiu.

A iniciativa é do Projeto Saúde e Alegria (PSA), em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Salvaterra, com apoio técnico do IEPS e financiamento da Fundação Banco do Brasil. As entregas fazem parte do processo de implementação das 24 UBS da Floresta previstas pelo projeto.

Leia notícias sobre as demais UBS:

  •  São Pedro e Curi

https://teste.projeto-zero.site/redemocoronga/primeiras-ubs-com-kits-da-floresta-sao-inauguradas-no-para/

  • Cachoeira do Aruã e Prainha

https://teste.projeto-zero.site/redemocoronga/cachoeira-do-arua-e-prainha-do-maro-comemoram-reforma-e-entrega-de-equipamentos-para-ubs-da-floresta/

  • Anã

https://teste.projeto-zero.site/redemocoronga/com-a-presenca-do-ministro-da-saude-mais-uma-ubs-da-floresta-e-inaugurada-e-pode-virar-referencia-para-politicas-adaptadas-de-saude-para-amazonia/

  • Monsarás

https://teste.projeto-zero.site/redemocoronga/ubs-da-floresta-adaptada-a-mudancas-climaticas-e-inaugurada-no-marajo/

  • Vila Gorete e São Miguel

https://teste.projeto-zero.site/redemocoronga/release-projeto-saude-e-alegria-inaugura-duas-novas-ubs-da-floresta-em-santarem/

  • Bairro Alto e Campinas – Marajó

https://teste.projeto-zero.site/redemocoronga/duas-novas-ubs-da-floresta-adaptadas-as-mudancas-climaticas-sao-inauguradas-em-salvaterra-no-marajo/

]]> https://teste.projeto-zero.site/projeto-saude-e-alegria-entrega-dez-ubs-da-floresta-em-2025/feed/ 0 Duas novas UBS da Floresta adaptadas às mudanças climáticas são inauguradas em Salvaterra, no Marajó https://teste.projeto-zero.site/duas-novas-ubs-da-floresta-adaptadas-as-mudancas-climaticas-sao-inauguradas-em-salvaterra-no-marajo/ https://teste.projeto-zero.site/duas-novas-ubs-da-floresta-adaptadas-as-mudancas-climaticas-sao-inauguradas-em-salvaterra-no-marajo/#respond Mon, 15 Dec 2025 18:06:57 +0000 https://projeto-zero.site/?p=22959 Unidades de Bairro Alto e Campinas fortalecem a atenção primária em territórios quilombolas e integram pacote de tecnologia, formação e participação comunitária

O município de Salvaterra, no arquipélago do Marajó, passou a contar com mais duas Unidades Básicas de Saúde da Floresta (UBS da Floresta). As unidades de Bairro Alto e Campinas foram inauguradas em clima de festa, reunindo moradores, equipes de saúde, lideranças comunitárias e movimentos sociais, em mais um passo do projeto que adapta a atenção primária às realidades amazônicas e aos desafios das mudanças climáticas.

A iniciativa é do Projeto Saúde e Alegria (PSA), em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Salvaterra, com apoio técnico do IEPS e financiamento da Fundação Banco do Brasil. As entregas fazem parte do processo de implementação das 24 UBS da Floresta previstas pelo projeto, sendo seis no Marajó. Em Salvaterra, a previsão é chegar a quatro unidades; a expansão segue ainda para outros municípios do arquipélago, como Curralinho.

A cerimônia foi marcada por apresentações do Gran Circo Mocorongo, transformando a entrega em um momento de celebração coletiva. Para além da infraestrutura física, o modelo da UBS da Floresta combina tecnologia, formação profissional, educação em saúde e controle social, buscando garantir que os serviços funcionem de forma contínua e adequada aos territórios.

A enfermeira Marcela Brasil, do Projeto Saúde e Alegria, ressaltou que a entrega das unidades em Salvaterra representa um avanço concreto em um contexto de crise climática que exige soluções práticas. Ela destacou que as UBS contam com conectividade, sala de vacinas e equipamentos essenciais, além de integrar a estratégia de expansão do modelo no Marajó.

Na comunidade de Vila União, onde está localizada a UBS de Campinas, a coordenadora executiva do Programa de Saúde Comunitária do PSA, Sônia Bonici, destacou que o trabalho envolveu reformas, aquisição de equipamentos e capacitação das equipes de saúde. O processo incluiu a qualificação para uso adequado das tecnologias e o fortalecimento da coleta de indicadores, fundamentais para a gestão do cuidado. Para ela, cada entrega reafirma a parceria com a Fundação Banco do Brasil e o compromisso com uma saúde que chegue onde historicamente o poder público tem mais dificuldade de atuar.

O kit tecnológico das UBS da Floresta inclui internet de banda larga, em parceria com a Rede Conexão Povos da Floresta, permitindo notificações remotas e ações de telessaúde com especialistas. As unidades contam ainda com eletrocardiograma, nebulizadores para atendimentos a problemas respiratórios, geladeira para armazenamento de vacinas, entre outros equipamentos que ampliam a resolutividade da atenção básica em áreas isoladas.

Representando o poder público municipal, o vice-prefeito Nivaldo Nascimento afirmou que a entrega das unidades é um momento marcante para Salvaterra e agradeceu às parcerias que viabilizaram a chegada dos equipamentos às comunidades, destacando o papel conjunto do PSA, da Fundação Banco do Brasil e da Prefeitura.

A inauguração também foi acompanhada por movimentos sociais e organizações da sociedade civil. Para Beatriz, do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), a experiência é valiosa por colocar os sujeitos quilombolas no centro das ações de saúde comunitária. Ela destacou que saúde, para os movimentos populares, está diretamente ligada à capacidade de enfrentar as opressões e defender os territórios.

Na mesma linha, Miguel Dantas, do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), avaliou as UBS de Campinas e Bairro Alto como conquistas concretas construídas a partir da articulação entre comunidades, movimentos sociais, Projeto Saúde e Alegria e Fundação Banco do Brasil. Para ele, o momento simboliza um caminho baseado na união e na luta coletiva.

A representante do Fórum de Mulheres da Amazônia Paraense, Marta Geane, ressaltou que o projeto amplia as condições de cuidado em regiões distantes dos centros urbanos, onde muitas vezes existem prédios, mas faltam equipamentos e tecnologias adequadas. Ela destacou a importância da iniciativa para as comunidades quilombolas e para a sociedade como um todo.

Rodrigo Leitão, do coletivo Pororoca, apontou que as UBS da Floresta representam um ganho de política pública voltado ao cuidado em territórios quilombolas e indígenas, dialogando com pautas como transição energética justa e economias locais. Para ele, quando a política pública chega a esses territórios, é motivo de celebração.

A secretária municipal de Saúde de Salvaterra, Gabriela Portal, enfatizou que a reinauguração da UBS de Campinas, com novos equipamentos, fortalece o cuidado em saúde na comunidade de Vila União. Ela destacou a parceria com o Projeto Saúde e Alegria, a Fundação Banco do Brasil como principal financiadora e a contrapartida da Prefeitura na reforma das unidades, além da capacitação dos profissionais de saúde.

Com a expansão do modelo no arquipélago do Marajó, as UBS da Floresta se consolidam como uma resposta concreta aos desafios impostos pelas mudanças climáticas, às distâncias geográficas e às desigualdades históricas no acesso à saúde.

Fotos: SEMUSA/Jorhan Chagas

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Com a presença do Ministro da Saúde, mais uma UBS DA FLORESTA é inaugurada e pode virar referência para políticas adaptadas de saúde para Amazônia https://teste.projeto-zero.site/com-a-presenca-do-ministro-da-saude-mais-uma-ubs-da-floresta-e-inaugurada-e-pode-virar-referencia-para-politicas-adaptadas-de-saude-para-amazonia/ https://teste.projeto-zero.site/com-a-presenca-do-ministro-da-saude-mais-uma-ubs-da-floresta-e-inaugurada-e-pode-virar-referencia-para-politicas-adaptadas-de-saude-para-amazonia/#respond Tue, 28 Oct 2025 16:44:51 +0000 https://projeto-zero.site/?p=22645 Assim como as UBSFs, as UBS adaptadas para áreas remotas é mais um modelo implementado pelo PSA que está servindo para orientar políticas adaptadas de saúde para Amazônia 

Programa apoiado pela FBB e SEMSA em parceria com o Projeto Saúde e Alegria amplia energia solar, conectividade, telemedicina e cuidado básico em comunidades ribeirinhas da região do Tapajós.

No último sábado (25), a UBS da Floresta da comunidade de Anã, na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, em Santarém (PA), foi inaugurada com a entrega de equipamentos essenciais para a atenção primária, como nebulizadores, autoclave, eletrocardiógrafo digital, termômetro, oxímetro, glicosímetro, otoscópio, sonar fetal, kits de emergência, oxigênio, materiais para remoção e kits para Agentes Comunitários de Saúde e parteiras. A unidade também recebeu sistema de energia solar off-grid ou híbrido (solar-diesel), internet via satélite e geladeiras para conservação de vacinas, garantindo funcionamento contínuo mesmo em áreas de difícil acesso.

Ministro Alexandre Padilha conhecendo dependências da UBS da Floresta de Anã. Fotos: Rafael Wilhelm.

A entrega ocorreu durante o segundo dia do seminário “Saúde e Clima na Amazônia”, que reuniu cerca de 150 participantes, entre comunidades ribeirinhas, indígenas dos povos Kayapó e Munduruku, pesquisadores, universidades, institutos de pesquisa, gestores públicos e profissionais de saúde. O encontro discutiu tecnologias sociais, fortalecimento da atenção primária e estratégias de adaptação climática na floresta, abordando desafios como contaminação por mercúrio e agrotóxicos, segurança alimentar e impactos das secas e cheias extremas sobre o cuidado em saúde.

Durante a visita, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, lembrou sua trajetória na região, onde viveu e trabalhou por seis anos no final dos anos 1990.

“Voltar à Amazônia e ver a evolução é emocionante. A UBS da Floresta é um modelo construído com e para a comunidade. Estamos levando o SUS para dentro da floresta, respeitando os modos de vida e garantindo cuidado onde as pessoas vivem”, afirmou.

O Projeto UBS da Floresta é realizado pelo Projeto Saúde e Alegria (PSA) em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde (SEMSA) e apoio técnico do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS). Com investimento de R$ 10 milhões da Fundação Banco do Brasil, a iniciativa está estruturando 24 unidades de atenção primária em comunidades indígenas, ribeirinhas e quilombolas, com foco em energia solar, conectividade, equipamentos, capacitação das equipes e telemedicina.

Segundo Kleitton Morais, presidente da Fundação Banco do Brasil:

“O papel da Fundação é reconhecer soluções que nascem nos territórios e fortalecer o que já existe. Quando escutamos a comunidade e valorizamos a cultura local, construímos desenvolvimento que permanece.”

Para Caetano Scannavino, coordenador-geral do PSA, a agenda reforça a relação direta entre saúde e clima:

“Secas e cheias extremas afetam a água, o transporte e a incidência de doenças. Preparar as comunidades para enfrentar esses eventos é também fazer saúde. Energia solar, sistemas de água, comunicação e telemedicina são infraestrutura de cuidado.”

O médico Eugênio Scannavino Netto, co-fundador e coordenador da área de Saúde do PSA, complementa:

“A gente está falando de um modelo de saúde territorializada, que valoriza o conhecimento das comunidades e fortalece os serviços públicos de atenção básica. É o que temos feito há décadas: desenvolver tecnologias sociais adaptadas ao território, apoiar ações de prevenção, educação, capacitação e atenção primária, fortalecer a saúde fluvial, qualificar os serviços locais e promover o ensino médico regionalizado. Fazer saúde com os povos tradicionais é cuidar da Amazônia e cuidar da Amazônia é cuidar do planeta. Por isso trabalhamos para que essas comunidades sejam autônomas, com bem viver e o SUS presente onde a vida acontece.”

A comunidade também celebrou o início da Farmácia Viva, que integra plantas medicinais e saberes tradicionais ao atendimento. Durante a cerimônia, o frei Messias Souza, da pastoral socioambiental, plantou junto ao ministro uma muda de cipó Unha-de-Gato, uma planta medicinal indicada para redução da inflamação das articulações. Ele destacou que já são 18 espécies cultivadas em viveiro, em parceria com a UFOPA, destinadas ao uso pelo SUS nas comunidades.

A visita encerrou o seminário em Anã. Além da inauguração da UBS, a programação incluiu vivências com tecnologias sociais, produção de mel, manteigas e óleos da sociobiodiversidade, sistema de água solar, artesanato e experiências de comunicação comunitária. São iniciativas que fortalecem a autonomia, a economia local e a gestão territorial da floresta.

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Primeiro dia de seminário sobre Saúde e clima na Amazônia inicia diálogo coletivo unindo comunidades, governo e ciência em Santarém https://teste.projeto-zero.site/primeiro-dia-de-seminario-sobre-saude-e-clima-na-amazonia-inicia-dialogo-coletivo-unindo-comunidades-governo-e-ciencia-em-santarem/ https://teste.projeto-zero.site/primeiro-dia-de-seminario-sobre-saude-e-clima-na-amazonia-inicia-dialogo-coletivo-unindo-comunidades-governo-e-ciencia-em-santarem/#respond Fri, 24 Oct 2025 21:21:00 +0000 https://projeto-zero.site/?p=22591 O primeiro dia do seminário Saúde e Clima na Amazônia – Tecnologias Sociais e Adaptação para Comunidades Tradicionais reuniu, em Alter do Chão, representantes de diferentes esferas da gestão pública, movimentos sociais, universidades e organizações comunitárias para debater como enfrentar os impactos das mudanças climáticas a partir das realidades locais.

Na abertura, lideranças indígenas, quilombolas, ribeirinhas e representantes do Ministério da Saúde, do Governo do Estado e da Prefeitura de Santarém destacaram a importância de integrar políticas públicas, saberes ancestrais e tecnologias sociais no enfrentamento da crise ambiental que já afeta diretamente a saúde dos povos da floresta.

O médico Eugênio Scannavino Neto, fundador do Projeto Saúde e Alegria (PSA), destacou a representatividade do encontro como o símbolo da necessidade de colaboração entre comunidades e instituições.“Com as mudanças climáticas, a saúde é quem bate à porta do mundo inteiro. Na Amazônia, isso se traduz em secas, cheias, perda da pesca e da agricultura. Por isso estamos juntos — governo, universidades, movimentos — pensando tecnologias sociais que apoiem as comunidades neste novo momento de adaptação. Saúde é tudo: água, educação, comunicação, bem viver”, afirmou.

O evento contou com a presença do Ministério da Saúde, da Fiocruz, da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA), de gestores municipais e estaduais e de lideranças de base, refletindo o caráter participativo do seminário.

Na mesa “Políticas de Saúde para a Amazônia”, a pesquisadora Michelle Rocha, da Fiocruz, reforçou que não existe uma única Amazônia. “A região do Arco do Desmatamento, o Oeste do Pará e o Amazonas profundo têm realidades distintas. Cada uma exige políticas específicas. Por isso, unir o conhecimento técnico da academia e a experiência do PSA e dos movimentos sociais é fundamental para que as ações realmente façam diferença na vida das pessoas”, destacou.

Entre as experiências compartilhadas, o Frei Messias apresentou o projeto Farmácia Viva, que resgata práticas tradicionais de cura com plantas medicinais. “É o reencontro com a autonomia dos povos da Amazônia, que sempre souberam cuidar da saúde com a floresta. Transformar esses saberes em medicamentos orgânicos é valorizar uma tecnologia da vida, que nasce do território”, explicou.

Na mesma linha, o quilombola José Luiz Souza, da Malungu, falou sobre as tecnologias ancestrais que sustentam os modos de vida tradicionais. “Nossas tecnologias vêm da terra e do território. Elas passam de geração em geração — do alimento ao cuidado, da horta à casa. São saberes que não precisaram da universidade para existir, mas que mantêm nossas comunidades vivas”, afirmou.

A coordenadora do Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (CITA), Margareth Maytapú, lembrou que a defesa da saúde está diretamente ligada à luta pelos territórios. “Sem território, não há saúde. E sem saúde, não há território. As comunidades indígenas, quilombolas e extrativistas estão na linha de frente dos impactos do garimpo, do mercúrio e do desmatamento. Estar aqui é ecoar nossas vozes e buscar melhorias para quem vive na ponta”, destacou.

A técnica Jaqueline Martins, do Ministério da Saúde, ressaltou a atuação do Grupo de Trabalho do Mercúrio, voltado à vigilância das populações expostas. “Estamos atuando para garantir atenção integral às comunidades afetadas pelo garimpo ilegal e pela contaminação química. A saúde, o clima e o território estão totalmente conectados — e esse evento mostra que é possível agir de forma integrada”, disse.

A promotora Lilian Braga, do Ministério Público do Pará, destacou a parceria histórica com o Projeto Saúde e Alegria e a importância do seminário como espaço de articulação. “A saúde na Amazônia não pode ser um pacote pronto trazido de Brasília. Precisa nascer da experiência e do diálogo com os povos ribeirinhos, indígenas, quilombolas e trabalhadores rurais. Ver essas soluções sendo apresentadas e debatidas aqui é motivo de esperança”, afirmou.

Para Neriane Nascimento, pesquisadora da ONG Sapopema, o debate reforça a urgência de soluções construídas com os próprios povos. “Falar de saúde é falar de vida e de enfrentamento. Estamos aqui para pensar estratégias que fortaleçam nossos territórios diante das ameaças do garimpo e da contaminação ambiental”, disse.

Sebastiana Rebelo Viana, do setor de saneamento do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI), lembrou que o acesso à água potável é um dos pilares da sobrevivência.“Sem água, sem floresta e sem ar limpo, a gente não vive. Estamos aqui para buscar parcerias e soluções para levar qualidade de vida às aldeias”, destacou.

Encerrando as falas, o vice-prefeito de Santarém, Carlos Martins, reforçou o compromisso da gestão municipal com o diálogo e a cooperação. “Essas tecnologias sociais só fazem sentido quando respeitam os territórios e são geridas por quem vive neles. O PSA tem sido um grande parceiro da prefeitura para transformar a vida das comunidades”, afirmou.

A programação segue neste sábado com uma vivência em campo na comunidade de Anã, em Alter do Chão, que marca o segundo dia do seminário Saúde e Clima na Amazônia – Tecnologias Sociais e Adaptação para Comunidades Tradicionais. O dia será dedicado à troca prática entre participantes e comunidades, com visita às experiências de tecnologias sociais apoiadas pelo Projeto Saúde e Alegria e parceiros.

A programação inclui um momento solene de entrega da UBS da Floresta, com demonstração de equipamentos e plantio da Farmácia Viva, seguido de apresentação cultural do Gran Circo Mocorongo e tour pelas iniciativas comunitárias, como criação de peixes e abelhas nativas, sistema de água com energia solar, artesanato de tucumã, brigadas voluntárias e rádio comunitária Vozes pelo Clima. O encerramento está previsto para o início da tarde, após o diálogo com o Ministro da Saúde Alexandre Padilha e o retorno a Alter do Chão.

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Seminário “Saúde e Clima Amazônia” reúne lideranças e pesquisadores em Alter do Chão para discutir soluções locais frente à crise climática https://teste.projeto-zero.site/seminario-saude-clima-amazonia/ https://teste.projeto-zero.site/seminario-saude-clima-amazonia/#respond Tue, 14 Oct 2025 13:19:18 +0000 https://projeto-zero.site/?p=22545 O Projeto Saúde e Alegria (PSA), em parceria com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), realiza nos dias 24 e 25 de outubro de 2025, na Vila de Alter do Chão, em Santarém (PA), o Seminário “Saúde e Clima Amazônia: Tecnologias Sociais e de Adaptação com Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais”.

O evento integra a programação da Pré-COP 30 e celebra os 35 anos do Sistema Único de Saúde (SUS), reunindo representantes de povos indígenas, quilombolas, ribeirinhos, gestores públicos, pesquisadores, organizações da sociedade civil e instituições financiadoras que atuam na Amazônia.

Durante os dois dias, o seminário será um espaço de escuta, troca de experiências e construção coletiva sobre os desafios e as soluções voltadas à atenção primária à saúde e à adaptação às mudanças climáticas. Entre os destaques da programação, está o balanço de 15 anos da política de saúde da família fluvial, inspirada na experiência do barco Abaré no Tapajós, hoje com quase 100 unidades de atendimento pela Amazônia e Pantanal. Haverá também uma mesa para tratar dos impactos dos garimpos ilegais e do mercúrio como um desafio também de saúde pública. Haverá ainda um espaço para relatos de experiências comunitárias de acesso ao SUS e iniciativas inovadoras em saúde, saneamento, energia renovável e educação ambiental.

O encontro busca fortalecer a cooperação entre comunidades, pesquisadores e gestores públicos na busca por tecnologias sociais que ampliem o acesso à saúde e promovam justiça climática nos territórios amazônicos.

Veículos de imprensa podem realizar credenciamento através do formulário inscrições [https://forms.gle/7PEaCKbBrMLDqKLT7] podem ser confirmadas até 20 de outubro de 2025.

O evento conta com apoio da Prefeitura Municipal de Santarém, Ministério da Saúde e Fundação Banco do Brasil.

Programação

A abertura oficial acontece na sexta-feira, 24 de outubro, com fala de lideranças e autoridades convidadas, seguida da mesa “Políticas de Saúde para a Amazônia”, que apresentará o Plano de Saúde para a Amazônia, estratégias em saúde e percepções de gestores municipais. Ainda pela manhã, haverá o painel “Garimpos: Um desafio de Saúde Pública”, com destaque para as pesquisas Mercúrio nos Indígenas do Tapajós e Mercúrio Tapajós, que discutem os impactos do garimpo na saúde das populações amazônicas.

À tarde, a programação será voltada às Tecnologias Sociais, com um balanço da política das UBS Fluviais e um grande painel sobre Tecnologias Sociais e Adaptação Climática, reunindo experiências locais em saúde, saneamento, energia, alimentação e educação ambiental — entre elas, a UBS da Floresta, ações de água e saneamento, resgate aéreo com hidroaviões, ensino médico regionalizado e indicadores de mensageria e conexão. O primeiro dia encerra com exposição de tecnologias sociais e coquetel de integração.

No sábado, 25 de outubro, o evento será marcado por experiências imersivas e territoriais. O dia começa com o Diálogo com o Ministério da Saúde, que contará com a presença confirmada do ministro Alexandre Padilha. Em seguida, os participantes seguirão para a comunidade de Anã, onde ocorrerá a entrega de equipamentos para mais uma nova unidade “UBS da Floresta”, com visita às tecnologias sociais comunitárias — incluindo produção de peixes e ração natural, criação de abelhas nativas, sistema de água solar, rádio comunitária e grupos de mulheres artesãs — e apresentação cultural do Circo Mocorongo, encerrando o seminário com vivências práticas e trocas de saberes.

O evento conta com apoio da Prefeitura Municipal de Santarém, Ministério da Saúde e Fundação Banco do Brasil.

Serviço

O quê: Seminário “Saúde e Clima Amazônia: Tecnologias Sociais e de Adaptação com Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais”
Quando: 24 e 25 de outubro de 2025
Onde: Alter do Chão, Santarém (PA) e comunidade Anã na Resex Tapajós-Arapiuns
Sugestões de entrevistados: Projeto Saúde e Alegria (PSA), Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Ministério da Saúde, lideranças locais

Relacionamento com a imprensa: Samela Bonfim – 93 99106-9770

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Profissionais de saúde participam de oficina para uso de novos equipamentos nas unidades ribeirinhas https://teste.projeto-zero.site/profissionais-de-saude-recebem-capacitacao-para-uso-de-novos-equipamentos-nas-unidades-ribeirinhas/ https://teste.projeto-zero.site/profissionais-de-saude-recebem-capacitacao-para-uso-de-novos-equipamentos-nas-unidades-ribeirinhas/#respond Thu, 09 Oct 2025 11:49:12 +0000 https://projeto-zero.site/?p=22517 Enfermeiros e agentes comunitários de saúde das regiões dos rios Arapiuns e Tapajós participaram de nova formação para implementação do projeto UBS da Floresta, que está equipando unidades de saúde em áreas remotas com tecnologias que melhoram o atendimento e o registro das ações básicas de saúde

No período de 06 a 08 de outubro, profissionais de áreas ribeirinhas estão participando de formação para uso de equipamentos médicos que serão entregues às unidades, como desfibriladores externos automáticos (DEA), autoclaves, macas rígidas e portáteis, termômetros e nebulizadores. A capacitação foi realizada em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde de Santarém e o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU), com demonstrações práticas conduzidas pelo enfermeiro Jean Cunha, facilitador do SAMU.

Além dos equipamentos, as unidades contempladas pelo projeto receberão sistemas de energia solar, geladeiras para armazenamento de vacinas e acesso à internet, permitindo a manutenção dos registros e o uso de ferramentas de telemedicina nas comunidades ribeirinhas.

“Nós estamos realizando educação permanente para os profissionais da região do Arapiuns e Tapajós, das unidades de saúde que serão contempladas pelo projeto UBS da Floresta. Essa capacitação visa justamente preparar esses profissionais para o manuseio dos equipamentos que irão receber”, explicou a enfermeira Marcela Brasil, do Projeto Saúde e Alegria.

Para profissionais que atuam em comunidades distantes, o treinamento em primeiros socorros representa uma ferramenta essencial para salvar vidas. “Entre eles, o desfibrilador externo pode ser utilizado em casos de parada cardiorrespiratória. O projeto também disponibiliza energia solar e conectividade, o que facilita o acompanhamento da vacinação e o acesso a consultas médicas por telemedicina”, completou Brasil.

A realidade nas comunidades demonstra a urgência desse tipo de preparo. Em Suruacá, no rio Tapajós, a agente de saúde Rosiane Freitas Melo já enfrentou situações de reanimação antes mesmo de ter recebido formação específica. “É um tema relevante para nós que trabalhamos na região dos rios. Muitas vezes não temos esse tipo de atuação com frequência, mas precisamos estar preparados para situações de emergência, como uma ressuscitação cardiopulmonar”, relatou Zaide Marcelo Amaral Barbosa dos Santos, enfermeira da UBS São Miguel, que atende 420 famílias.

“Eu precisei fazer reanimação de três pacientes que estavam em início de parada. Na época, ainda não tinha participado de capacitações, mas o básico que aprendi num curso antigo me ajudou. Graças a Deus consegui não deixar o paciente morrer naquele momento”, contou. “Agora, com a formação e os novos equipamentos, só aumenta a nossa felicidade e agradecimento. Sinto que estou subindo um degrau a mais de conhecimento para me manter firme no trabalho junto com a minha equipe e a comunidade.”

O enfermeiro Jean Cunha, que atuou como facilitador, destacou a importância da formação prática para a realidade das comunidades. “Esse encontro é importante porque vamos receber materiais de suporte avançado para as comunidades, como o DEA. O treinamento deixa os profissionais qualificados para realizar atendimentos avançados até a chegada da equipe de resgate.”

A capacitação integra um conjunto de ações do Projeto Saúde e Alegria com apoio da Fundação Banco do Brasil voltadas à qualificação dos serviços de atenção primária em territórios rurais e ribeirinhos, garantindo que as equipes locais possam oferecer atendimento com mais segurança, autonomia e estrutura.

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Projeto Saúde e Alegria apoia expedição para garantir vivência prática a futuros médicos da UEPA e UFOPA https://teste.projeto-zero.site/projeto-saude-e-alegria-apoia-expedicao-para-garantir-vivencia-pratica-a-futuros-medicos-da-uepa-e-ufopa/ https://teste.projeto-zero.site/projeto-saude-e-alegria-apoia-expedicao-para-garantir-vivencia-pratica-a-futuros-medicos-da-uepa-e-ufopa/#respond Mon, 22 Sep 2025 21:56:33 +0000 https://projeto-zero.site/?p=22399 Imersão nas comunidades possibilita que estudantes de graduação em medicina conheçam desafios para atendimento qualificado na Amazônia

Estudantes de medicina da Universidade do Estado do Pará (UEPA) e da Universidade Federal do Oeste do Pará (UFOPA) participaram de uma atividade de imersão promovida com o apoio do Projeto Saúde e Alegria nas comunidades Suruacá, Parauá, Boim e Anumã na Resex Tapajós-Arapiuns. A visita aproximou os futuros médicos da realidade ribeirinha e garantiu que eles vivenciassem na prática as particularidades amazônicas, após a turma da UEPA ter sido impedida de embarcar no hospital fluvial Abaré, atualmente sob responsabilidade da UFOPA. O PSA, inspirado na história do médico Eugênio Scannavino, que em 1985 veio para a Amazônia e percebeu a necessidade das comunidades, viabilizou a expedição para que os estudantes não se formassem sem esse contato direto.

Eugênio Scannavino recordou a trajetória construída com as comunidades e a relevância do aprendizado coletivo. Ele destacou que “essas ações que o Saúde e Alegria desenvolve em toda região já há bastante tempo são ações de mobilização, de educação e saúde, de promoção, de prevenção junto com as comunidades. […] É uma experiência muito importante para os estudantes, porque eles percebem como é a saúde no território”. O médico afirmou ainda que, depois de tantos anos, sente mais gratidão do que dever cumprido: “A gente tem muito mais a agradecer a essas comunidades do que elas agradecerem o que a gente faz”.

Ana Carolina Porto, médica infectologista e professora da UEPA, destacou que o estágio em saúde coletiva inclui a vivência em comunidades e aldeias remotas, onde a dificuldade de acesso torna o atendimento essencial. Segundo ela, “grande parte da nossa população são populações indígenas, quilombolas e ribeirinhas que vivem no interior. […] Quando o estudante sai do hospital, vem para cá e conhece a realidade que as pessoas vivem, isso qualifica o atendimento deles em saúde. Eles conseguem entender melhor o contexto biopsicossocial do paciente e não só a doença específica”. Ela lembrou que, apesar do problema que impediu o uso do Abaré, a parceria com o PSA e com a Secretaria Municipal de Saúde garantiu que a população não ficasse sem assistência.

Para Davi Justo, acadêmico do 12º período da UEPA, a experiência fortaleceu o compromisso social dos futuros profissionais: “Nós temos que devolver para a sociedade aquilo que ela entregou para a gente. […] É muito feliz essa oportunidade onde nós podemos, além de trazer saúde para os rincões da Amazônia, também levar para a nossa vida pessoal os aprendizados de um atendimento onde o mais necessitado é aquele que mais precisa da nossa mão”.

A primeira turma de medicina da Ufopa participa das ações desde o primeiro semestre. Beatriz Leal, estudante da Universidade Federal, contou que o contato com a comunidade muda a perspectiva da turma: “A gente se sente bastante abraçado pela comunidade e isso acaba trazendo a gente para ela”. Rian Portela acrescentou que a vivência quebra paradigmas: “A formação muda muito a partir do momento em que a gente tem contato desde cedo. A gente sabe de fato aonde ir e o que fazer desde o começo”.

João Vitor, também da UFOPA, disse que a experiência é fundamental para a formação: “Ela mostra como é a realidade dentro do contexto da Amazônia e nos torna seres humanos, médicos, profissionais melhores, fazendo que a gente enxergue cada detalhe, cada diferença do nosso contexto para o contexto das pessoas que vivem aqui, entendendo que nossos conhecimentos não são para sobrepor aos deles, mas para juntos montarmos um conhecimento que beneficia a comunidade”.

Letícia Oliveira, do primeiro ano da UFOPA, ressaltou o aprendizado prático: “A saúde não é só o que a gente estuda, o que a gente vê num consultório, mas sim a prática do dia a dia. A gente conhece a realidade das outras pessoas, aprende um pouco mais da cultura delas e tenta arranjar um meio termo, porque a saúde não é só teoria, mas também o que eles vivenciam”.

Os moradores reforçaram a importância da presença dos estudantes. Edison Rodrigues, da comunidade Anumã, afirmou: “Quando vem uma junta de médico assim que nem do Saúde e Alegria ou de uma outra ONG, sempre é bem-vindo, porque eles vêm tratar da saúde nossa, que temos dificuldades que não são supridas pelo Abaré”.

Palmira Alves Alcântara disse que a visita renova expectativas: “É uma alegria muito grande receber a visita desses estudantes e eu acredito que eles vão se informar para que um dia possam voltar para nossa comunidade”. Jaceli Francisca dos Santos Alves relatou que os encontros já a fizeram aprender sobre prevenção de doenças graves, como câncer de colo de útero e de pele. Tália Lopes Pinto, da Aldeia Americana, destacou a agilidade e atenção do atendimento: “Eu consegui ser atendida, peguei remédio pro meu filho que ele estava precisando e achei muito bom mesmo, muito importante pra comunidade”.

Solano Lima, liderança comunitária, vê na presença dos discentes uma possibilidade de fixação de médicos: “Quem sabe daqui quatro, cinco anos um deles não vai morar aqui para nos atender. A vinda deles aqui conhecer o Suruacá, tenho certeza que vai fazer com que eles tenham vontade de vir outras vezes”.

Isabela Buchare, enfermeira da UBS Suruacá, ressaltou o impacto pedagógico da iniciativa: “O projeto Saúde e Alegria traz esperança para a comunidade, traz ensinamento de uma forma lúdica, divertida, simples, que é fácil de entender”. Para Rodrigo Rodrigues, coordenador do curso de Medicina da UFOPA, a atividade faz parte do programa Vivências na Amazônia, que desde o início do curso expõe os estudantes à realidade local para formar profissionais conscientes e capazes de atuar na região.

Futuros médicos em apresentação no Gran Circo Mocorongo promovendo educação em saúde.

A imersão também envolveu atendimentos de diferentes especialidades, rodas de conversa, mobilização comunitária e orientação em saúde. O apoio do Saúde e Alegria assegurou que tanto as comunidades quanto os estudantes não fossem prejudicados pelo impasse administrativo envolvendo o Abaré. “A gente sempre acreditou na importância de integrar assistência médica e educação em saúde na Amazônia. Daí surgiu o Abaré há 20 anos, que implantamos com apoio da organização holandesa Terre des Hommes, em parceria com a Prefeitura e organizações da região”, explica Eugênio Scannavino.

O médico-fundador ressalta ainda que “As universidades sempre estiveram presentes com atividades de extensão, ensino e pesquisa. Quando esse modelo virou política pública, lutamos para que a embarcação permanecesse no Tapajós como patrimônio público, na forma também de um barco-escola, um difusor de boas práticas para disseminar pras demais unidades. Por isso todo nosso esforço para destinar o barco à UFOPA. No que pudermos ajudar, as universidades e os estudantes de Santarém sabem que podem contar conosco”, complementa Scannavino, sempre reforçando que a convivência entre estudantes, profissionais e comunidades demonstra que a saúde na Amazônia é construída de forma coletiva, envolvendo conhecimento técnico, sensibilidade social e respeito aos saberes locais.

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Primeiras UBS da Floresta são inauguradas no Pará https://teste.projeto-zero.site/primeiras-ubs-com-kits-da-floresta-sao-inauguradas-no-para/ https://teste.projeto-zero.site/primeiras-ubs-com-kits-da-floresta-sao-inauguradas-no-para/#respond Fri, 22 Aug 2025 01:36:29 +0000 https://projeto-zero.site/?p=22250 Unidades Básicas de Saúde de São Pedro e Curi na região da Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns comemoraram a conclusão das reformas e entrega das tecnologias para os atendimentos ribeirinhos

Com apresentação do Gran Circo Mocorongo e muita festa, as comunidades Curi e São Pedro na região da Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns celebraram a finalização das reformas e entrega de equipamentos para operar teleconsultas e atendimentos básicos nas unidades nos dias 19 e 20, respectivamente. Logo na inauguração, as duas comunidades realizaram atendimentos de urgência, já usando os novos itens: moradora picada de cobra e paciente alérgica ferrada por lagarta.

O projeto KIT UBS é uma iniciativa do Projeto Saúde e Alegria (PSA) em parceria com Secretaria Municipal de Saúde e apoio da Fundação Banco do Brasil e IEPS. O projeto busca qualificar a atenção primária em áreas remotas da Amazônia, garantindo energia solar, equipamentos médicos, internet e estrutura para atendimento local, com foco em populações ribeirinhas, quilombolas e indígenas.

UBS de São Pedro comemorou inauguração de Kits para atendimentos.

“A principal dificuldade era a geladeira de vacina, que não tínhamos. Agora recebemos não só a geladeira, mas também oxigênio, maca de remoção e eletrocardiograma. Isso vai melhorar muito o atendimento”, – Dirceu Sampaio, integrante do comitê local.

“Muitas vezes não atingíamos as metas porque não havia como armazenar vacinas. Agora, com a geladeira, podemos garantir a imunização infantil e avançar nos indicadores de pré-natal e acompanhamento de gestantes e diabéticos” – Maria Isoneide.

“Antes, as vacinas se perdiam por falta de energia. Agora vamos poder oferecer a vacinação de forma contínua, o que melhora a confiança da população no atendimento local” – Agente comunitário de saúde da comunidade São Pedro, David.

Para o médico e fundador do PSA, Eugênio Scannavino, integra uma estratégia de fortalecimento do sistema público de saúde em comunidades da Amazônia. “Estamos levando equipagem básica para comunidades isoladas, em parceria com as secretarias de saúde. Energia solar garante a conservação de vacinas e, a partir dela, conseguimos instalar nebulizador, oxímetro, termômetro, glicosímetro, eletrocardiograma e conexão para tele-saúde. Esse modelo integrado de saúde territorial será replicado em outras regiões”.

O projeto prevê a instalação em 24 UBS localizadas em Santarém, Itaituba, Jacareacanga e municípios da Ilha do Marajó. Ao todo, atenderá cerca de 30,5 mil pessoas, sendo 10 mil diretamente. Entre as unidades contempladas, cinco atendem comunidades quilombolas e treze, populações indígenas de cinco etnias diferentes.

Para o coordenador geral do PSA, Caetano Scannavino, o avanço só foi possível pela soma de esforços. “Essa iniciativa é realizada pelo Saúde e Alegria em parceria com organizações como o Ieps, com prefeituras e a Secretaria de Saúde Indígena, e conta com apoio da Fundação Banco do Brasil. Estamos modernizando as unidades, com energia solar, sala de vacina, autoclave, eletrocardiograma e outros equipamentos que permitem resolver problemas comuns sem que o paciente precise se deslocar até a cidade”, disse.

UBS de Curi foi a primeira a receber kit UBS.

“Aqui no São Pedro já tínhamos a unidade, mas agora ela foi renovada, com profissionais capacitados, energia solar e teleconsulta. Isso amplia os serviços oferecidos à população ribeirinha”, explicou o secretário municipal de Saúde de Santarém, Everaldo Martins.

Apresentação de danças musicais e do Gran Circo Mocorongo marcou noite cultural.

Na comunidade Curi, o presidente da associação de moradores, Joelson Costa Lopes, lembrou a participação da comunidade. “Foi uma honra receber esses equipamentos que vão ajudar muito nos atendimentos. O comitê criado pelo PSA permitiu que acompanhássemos de perto e colaborássemos para que isso acontecesse”, contou.

O projeto também promove capacitações e acompanhamento técnico. Caio Cruz, do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps), explicou que a conectividade e a estabilidade energética contribuem para reduzir a subnotificação. “Nossa equipe capacitou profissionais sobre registro e indicadores de saúde. Agora eles poderão alimentar o sistema diretamente da UBS, com acompanhamento pelos próximos 12 meses”, disse.

Além de órgãos públicos e institutos, a iniciativa conta com apoio do setor privado. Representando a RD Saúde, Larissa Fernandes destacou a parceria feita via a revista Sorria, vendida nas farmácias da rede. “É impactante ver como as pessoas dependem desse atendimento. O projeto também ensina cuidados em saúde, trazendo benefícios que vão além da unidade, envolvendo toda a comunidade e as futuras gerações”, afirmou.

UBS da Floresta

O projeto UBS da Floresta tem como objetivo qualificar os serviços e ações de atenção primária à saúde em áreas rurais remotas da bacia do rio Tapajós e da Ilha do Marajó, no Pará. A atuação se concentra nos municípios de Santarém, Itaituba, Jacareacanga, Curralinho e Salvaterra, alcançando populações ribeirinhas, quilombolas e indígenas que vivem em microrregiões com comunidades satélites.

Ao todo, serão contempladas 24 unidades — 12 em Santarém (oito no Arapiuns, três no Baixo Tapajós e o barco-hospital Abaré II), cinco em Jacareacanga, uma em Itaituba, quatro em Salvaterra e duas em Curralinho. Essas UBS atenderão diretamente cerca de 10 mil pessoas e indiretamente mais de 30 mil, incluindo povos indígenas de cinco etnias diferentes e comunidades quilombolas do Baixo Amazonas e do Marajó.

Fotos: Viviane Borari.

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Profissionais de saúde de unidades básicas do alto Arapiuns participam de treinamento para uso de tecnologias em atendimentos https://teste.projeto-zero.site/profissionais-de-saude-de-unidades-basicas-do-alto-arapiuns-participam-de-treinamento-para-uso-de-tecnologias-em-atendimentos/ https://teste.projeto-zero.site/profissionais-de-saude-de-unidades-basicas-do-alto-arapiuns-participam-de-treinamento-para-uso-de-tecnologias-em-atendimentos/#respond Fri, 01 Aug 2025 16:26:20 +0000 https://projeto-zero.site/?p=22189 Módulo da Educação Permanente em Saúde do Projeto UBS da Floresta promove capacitação e leva infraestrutura com sistema de energia solar e tecnologia para comunidades ribeirinhas do Alto Arapiuns

No período entre 30 de julho e 1º de agosto, profissionais de saúde do Alto Arapiuns participaram de um treinamento promovido pelo Projeto Saúde e Alegria no âmbito do projeto UBS da Floresta, que articula infraestrutura, tecnologia e formação para qualificar o atendimento em comunidades remotas. A ação integra a entrega de sistemas de energia solar, equipamentos médicos, conectividade via satélite e kits completos para Agentes Comunitários de Saúde.

O projeto contempla o fortalecimento das unidades básicas de saúde com sistemas solares para manter vacinas e equipamentos em funcionamento seguro, internet, oxímetros, detectores fetais e nebulizadores, além de balança, termômetro, lanterna e outros itens essenciais para o trabalho de base. O treinamento envolveu também orientações sobre uso de desfibriladores externos automáticos (DEA), técnicas de imobilização e primeiros socorros em situações de emergência com a presença de socorristas do SAMU.

“São unidades remotas, de longa distância, e essas unidades precisam desses equipamentos para melhorar a qualidade dos atendimentos e principalmente realmente tá ali fazendo a estabilização e salvando vidas”, destacou a enfermeira Marcela Brasil, do Projeto Saúde e Alegria. O investimento em equipamentos e formação tem potencial direto de salvar vidas. Durante o treinamento, o foco esteve nas condutas imediatas necessárias até a chegada de uma ambulância ou resgate aéreo, diante das dificuldades de acesso. “Essas condutas realmente salvam vidas. Precisa às vezes estabilizar o paciente até o momento da remoção, já que eles estão em áreas remotas”, explicou.

Caio Cruz, consultor do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (Ieps), o projeto une capacitação técnica e escuta ativa para fortalecer a política pública de saúde com base na realidade local. “Fazer esse projeto junto às unidades de saúde permite que a gente vá fazendo reajustes, adaptando a nossa estratégia, que a gente consiga entender as principais necessidades das unidades básicas que a gente tá atuando”.

Treinamento teórico prático foi realizado no período de 30/07 a 01/08 no quartel do Corpo de Bombeiros e sede do Projeto Saúde e Alegria.

A formação foi realizada em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, o SAMU e apoio de instituições como a Fundação Banco do Brasil.

O socorrista Jean Cunha, do SAMU, destacou o papel da troca de experiências para aprimorar o atendimento em territórios ribeirinhos. “Alinhar esses pequenos detalhes ali no atendimento faz uma diferença muito grande. Mesmo que são os mesmos, ali a gente sente aquele friozinho na barriga quando vai realizar um atendimento”.

A enfermeira Larissa Miranda, da UBS da comunidade de Anã, que atende 87 famílias, relatou que o acesso à cidade leva cerca de quatro horas de barco, o que dificulta a chegada de pacientes em tempo hábil. “Com os novos equipamentos eles vão ajudar bastante, tanto o nosso trabalho como a nossa comunidade, porque a gente não tem como estar vindo na cidade muito rápido”.

Ela exemplificou a importância da energia solar e da vacinação nas unidades com um caso vivido quando trabalhava na comunidade Prainha do Maró, a 24 horas de barco da cidade na cheia – ou até 40 horas na seca. Em uma ação local, soube do nascimento de uma criança e decidiu agir. “Eu falei: ‘Então é hoje que nós vamos vacinar essa criança’. […] Eu não vou deixar escapar essa criança. […] Acredito que foi a primeira criança do Alto Arapiuns que fez essa vacinação no mesmo dia”.

A formação incluiu ainda temas como pré-natal, hipertensão e diabetes, condições de saúde comuns na região, especialmente entre idosos. Segundo Larissa, o conhecimento sobre sinais de alerta pode evitar agravamentos e óbitos. “É muito importante a capacitação para tratar sobre a questão da diabete, da pressão alta, que são fatores que podem levar uma pessoa a óbito se não cuidada adequadamente”.

Além da entrega de tecnologias e capacitação, o projeto também prevê o acompanhamento técnico e apoio aos indicadores de saúde locais, contribuindo para o alcance de metas e o financiamento do setor.

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Saúde e Alegria entrega primeiras UBSs da Floresta em comunidades ribeirinhas de Santarém https://teste.projeto-zero.site/saude-e-alegria-entrega-primeiras-ubss-da-floresta-em-comunidades-ribeirinhas-de-santarem/ https://teste.projeto-zero.site/saude-e-alegria-entrega-primeiras-ubss-da-floresta-em-comunidades-ribeirinhas-de-santarem/#respond Wed, 23 Jul 2025 16:24:53 +0000 https://projeto-zero.site/?p=22173 *Sugestão de pauta para veículos de imprensa

Nos dias 19 e 20 de agosto de 2025, o Projeto Saúde e Alegria realizará os atos de entrega das duas primeiras Unidades Básicas de Saúde (UBSs) do Projeto UBS da Floresta, nas comunidades de Curi e São Pedro, na região do Arapiuns, em Santarém (PA). A iniciativa marca avanço na garantia do direito à saúde para populações ribeirinhas da Amazônia.

O Projeto UBS da Floresta é uma parceria entre o Projeto Saúde e Alegria e a Secretaria Municipal de Saúde de Santarém (SEMSA), com apoio técnico do Instituto de Estudos para Políticas de Saúde (IEPS) e apoio da Fundação Banco do Brasil. O objetivo é qualificar os serviços de Atenção Primária à Saúde em territórios remotos e de difícil acesso, com foco em comunidades ribeirinhas, indígenas e quilombolas.

Além da adequação estrutural das unidades de saúde, o projeto prevê a entrega de equipamentos, implantação de tecnologias sociais, uso de energias renováveis, conectividade digital, formação de profissionais de saúde e mobilização comunitária. No total, 24 UBSs serão contempladas, sendo 12 em Santarém, 6 nos municípios de Jacareacanga e Itaituba, e 6 no arquipélago do Marajó, nos municípios de Salvaterra e Curralinho.

A programação em Santarém terá início no dia 19 de agosto, com a inauguração da UBS na comunidade Curi, seguida pela entrega na comunidade São Pedro, no dia 20. Para veículos de imprensa que desejarem acompanhar as atividades, será disponibilizada embarcação com saída de Santarém.

As vagas são limitadas e os interessados devem confirmar participação até o dia 28 de julho por meio deste link

Serviço:

O quê: Entrega das primeiras Unidades Básicas de Saúde do Projeto UBS da Floresta
Quando:
• 19 de agosto de 2025 – Comunidade Curi
• 20 de agosto de 2025 – Comunidade São Pedro
Onde: Região do Arapiuns, Santarém (PA)
Confirmação de participação até: 28 de julho de 2025
Link para confirmação: https://forms.gle/tsikZ8aAwkWQ9fnN9
Realização: Projeto Saúde e Alegria, SEMSA, IEPS e Fundação Banco do Brasil

Relacionamento com a imprensa: 93 98130-9797 – Samela Bonfim

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