Energias Renováveis – SANDBOX WP https://teste.projeto-zero.site Subdominio de Teste Tue, 09 Dec 2025 17:07:36 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 Curso forma agentes comunitários de energia na Resex Tapajós-Arapiuns https://teste.projeto-zero.site/curso-forma-agentes-comunitarios-de-energia-na-resex-tapajos-arapiuns/ https://teste.projeto-zero.site/curso-forma-agentes-comunitarios-de-energia-na-resex-tapajos-arapiuns/#respond Tue, 09 Dec 2025 17:07:36 +0000 https://projeto-zero.site/?p=22917 Atividade integra a Rede Conexão Povos da Floresta, em parceria com o Projeto Saúde e Alegria, Instituto de Energia e Meio Ambiente (IEMA) e WWF Brasil, e fecha o ciclo iniciado em outubro, quando o grupo começou o módulo a distância

No período entre 1º e 5 de dezembro, comunitários indígenas, quilombolas, extrativistas e ribeirinhos de diferentes territórios da Amazônia se encontraram no Centro Experimental Floresta Ativa (CEFA), na comunidade Carão, Resex Tapajós-Arapiuns, para a fase presencial da 1ª Formação de Agentes Comunitários de Energia.

Ao longo de cinco dias, quem já lida com sistemas de energia solar nos territórios passou a olhar para aquilo que vive no dia a dia também como um campo de estudo, organização e defesa de direitos. A formação surgiu das demandas das próprias comunidades conectadas pela Rede Conexão Povos da Floresta.

A 1ª Formação de Agentes Comunitários de Energia foi desenhada coletivamente no Grupo de Trabalho de Energia da Rede. Sabrina Costa, coordenadora de operações da Rede Conexão Povos da Floresta, lembra o caminho percorrido até chegar à etapa presencial no CEFA: “O curso agente comunitário de energia vem sendo desenvolvido e planejado com muito carinho pelas pelas organizações que são membros da Rede Conexão Povos da Floresta e atuam especificamente ali no GT Energia. A gente espera, em 2026, que esse curso esteja ainda mais robusto e a gente possa escalar nos outros territórios.”

O Projeto Saúde e Alegria ressalta que a formação dialoga com o eixo de infraestrutura comunitária e com o histórico da organização como espaço de testes e arranjos de energia renovável para comunidades. Jussara Salgado, coordenadora de infraestrutura comunitária do PSA, explica que a proposta vai além da técnica e toca em direitos básicos: “A formação tem por objetivo levar conteúdos de acesso à energia para comunidades que não têm esse direito, que são não são assistidas por esse direito, não recebem o acesso à energia da rede e acabam recorrendo a outras fontes.” Ela reforça o foco na autonomia dos territórios:

“A finalidade do curso é conseguir fortalecer essas comunidades para que elas possam fazer a sua própria gestão e tenham autonomia também para a manutenção desses sistemas, para operação, para saber o que pode, o que não pode ser ligado e dessa forma não dependam de uma mão de obra da cidade.”

Vinícius Oliveira da Silva, pesquisador do IEMA, conselheiro e facilitador do GT de Energia da Rede, destacou: “O curso de formação de agentes comunitários de energia foi um curso demandado pelas próprias comunidades que fazem parte da Rede Conexão Povos da Floresta. Essas Comunidades tinham muitas demandas de como operar os sistemas energéticos, problemas de segurança, falta de energia.”

A formação também dialoga com o Sandbox Regulatório do Ministério de Minas e Energia (MME) e da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL), aproximando legisladores, concessionárias e comunidades. Letícia Lengruber, especialista em regulação da ANEEL, relaciona esse encontro à construção de políticas de universalização da energia: “É super importante uma formação como esta, porque ela aproxima dois mundos: o mundo das comunidades e o mundo institucional do governo.” Para ela, o papel dos agentes comunitários vai além da compreensão técnica: “Os agentes comunitários de energia são fundamentais para que a gente possa ter a energia de forma perene e sustentável aqui nessa região da Amazônia, região de sistemas isolados.”

No centro do processo, estão as experiências concretas das comunidades. Reginalva Godinho, da comunidade Ana Rio Arapiuns, na Resex Tapajós-Arapiuns, fala a partir da vivência de quem enfrenta o custo alto de motores a diesel e sistemas solares instalados de forma precária: “Estar aqui no curso é um desafio e, ao mesmo tempo, é muito importante para nós mulheres, para nós, lideranças que estamos atuando nos territórios.” Ela leva a discussão da energia para o cotidiano: “A qualidade da energia dentro das comunidades é muito importante, porque ela é o meio de tudo, da saúde, da educação; ela pode salvar vidas através da conectividade.”

Na comunidade quilombola Jarauacá, em Oriximiná, o sistema solar chegou há menos de um ano e já trouxe desafios de manutenção. Ildimar dos Santos, facilitador comunitário da Rede Conexão Povos da Floresta, vê no curso uma mudança concreta de postura em relação aos equipamentos: “Muitas famílias têm sofrido com os problemas que tem dado em alguns sistemas. Então, para mim tá sendo muito importante ter aprendido a fazer o cálculo, o levantamento de carga que na comunidade não tínhamos essa ideia de do que utilizar no nosso sistema.” Ele já se enxerga atuando como referência técnica no território: “Bom, a partir desta formação, vai mudar um pouco a minha vida e da minha comunidade. Eu vou poder me qualificar profissionalmente e poder ajudar os comunitários do meu território”.

No Tapajós, Marcelo Rodrigues, da comunidade Samaúma, participou da formação unindo o trabalho como agricultor e a prática de “eletricista nas horas vagas”: “Eu já trabalho com energia já faz mais de 2 anos, embora sendo de forma irregular”. A partir do curso, ele reorganiza o jeito de olhar para o próprio ofício: “O que me chamou a atenção e ficou interessante e que eu posso levar para lá é o uso correto da energia. Para mim, também em termos técnicos, vai servir muito. A gente trabalha muito na prática sem conhecimento técnico e aqui está sendo muito passado isso”.

As organizações quilombolas também estão dentro da construção da metodologia. Adimar Castro, técnico ativador do projeto Conexão na Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas (CONAQ), enfatiza o papel do facilitador como ponte entre formação e território: “Uma vez que o que o facilitador das comunidades vem para essa formação, ele volta para a comunidade para levar essa informação para sua população. Então, é uma ferramenta que o Conexão usa para potencializar essas buscas por políticas públicas para a comunidade”. Ele fala a partir da própria trajetória quilombola: “Então, se tu leva uma ideia para tua comunidade, já é muito enriquecedor”.

Rodrigo Lima, técnico do Conselho Nacional das Populações Extrativistas (CNS), reforça como a formação dialoga com realidades de difícil acesso, onde sair para fazer um curso é um obstáculo: “Isso aqui é de total importância para esses facilitadores. Esse curso aqui, essa formação é essencial para eles como comunitários, principalmente pela área da segurança e pelo difícil acesso”.

Uirá Tapuia, técnico que representa a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (COIAB) aponta o curso como base para desenhar sistemas de energia adequados aos territórios e relaciona energia solar, crise climática e integridade dos territórios: “Então é muito importante esse sistema que a gente tá trabalhando que é de energia solar. Pensar em um sistema de energia solar, que seja fácil de transportar, de instalar e que os próprios  parentes possam operar e fazer manutenção é muito importante”.

Parceiros técnicos também estiveram presentes na condução dos módulos. Alessandra Mathyas, do WWF Brasil, liga a formação à necessidade de quadros locais capacitados para acompanhar e cobrar o serviço das empresas: “É muito importante esse primeiro curso de agentes comunitários de energia que está sendo promovido pela Rede Conexão Povos da Floresta, da qual o WWF faz parte”. Ela lembra a história do próprio CEFA nesse tema: “Não tinha outro lugar para a gente começar com esse nosso projeto piloto, se não fosse aqui, onde já saíram alguns eletricistas do sol aqui para região de Santarém”.

Na parte técnica dos sistemas fotovoltaicos off-grid, o engenheiro Gustavo Moncayo, da Ion Energia, trabalhou diretamente com a montagem, leitura e dimensionamento das instalações: “o curso acaba sendo extremamente importante para levar o conhecimento, espalhar para o pessoal conseguir compreender o material que tá chegando nas mãos deles”. Ele se surpreendeu com o envolvimento da turma: “Quanto mais a gente falava, quanto mais a gente explicava, mais eles ficavam com vontade de aprender, mexer e colocar a mão na massa, eles queriam entender. Eu achei isso muito bacana, a curiosidade deles, a vontade de aprender”.

A partir desse primeiro piloto da formação, a Rede Conexão Povos da Floresta, o Projeto Saúde e Alegria e as organizações parceiras projetam os próximos passos para 2026, com novas turmas em outros territórios e o fortalecimento dos agentes comunitários de energia como peças centrais da gestão dos sistemas nos próprios territórios.

Fotos: João Albuquerque/acervo Conexões Povos da Floresta.

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Projetos do Saúde e Alegria no Jornal Nacional https://teste.projeto-zero.site/projetos-do-saude-e-alegria-no-jornal-nacional/ https://teste.projeto-zero.site/projetos-do-saude-e-alegria-no-jornal-nacional/#respond Mon, 03 Nov 2025 13:17:56 +0000 https://projeto-zero.site/?p=22740 Na última sexta-feira (31/10), o Brasil acompanhou uma reportagem de dez minutos no Jornal Nacional sobre as iniciativas de infraestrutura comunitária, saúde, economia da floresta e comunicação desenvolvidas pelo Projeto Saúde e Alegria. Em setembro, a equipe de reportagem da TV Globo realizou as gravações em seis comunidades e aldeias à bordo do B/M Saúde e Alegria. Os repórteres Pedro Bassan e Lukas Cerejo registraram com detalhes a vida na Amazônia e o resultado foi divulgado em um momento épico: a despedida do Willian Bonner da bancada do Jornal Nacional. Veja abaixo a reportagem extraída na íntegra do JN:

Por Jornal Nacional

Na série de reportagens sobre recuperação ambiental, que o Jornal Nacional apresentou nesta semana, nós fomos nesta sexta-feira (31) à Amazônia. Junto da floresta vive uma parte da população brasileira que trabalha e produz mantendo as árvores de pé.

Sons da floresta. O japiim da manhã. O cricrió do entardecer. E, à noite, o gerador

“Esse barulho todo é coisa estranha para floresta. E até ali no meio do mato a gente escuta ele, o barulho. E aí quem vive daqui da natureza não consegue nada”, diz Tomas Correia Santana, cacique da aldeia Aningalzinho.

Ser líder do povo Tupaiú é fazer todos os dias essa escolha difícil entre o barulho e a escuridão. O cacique se decidiu por um meio-termo.

“Ela só é ligada das 19h até as 22h30, quando tem o óleo. Quando não tem, continua no escuro”, conta o cacique.

“Oitenta a 90% das comunidades da região amazônica ainda utilizam o diesel vendido a preços muito, muito elevados para as comunidades pobres, isoladas, e transportado através dos rios”, afirma Paulo Artaxo, coordenador do Centro de Estudos Amazônia Sustentável/ USP.

“As comunidades não têm capacidade financeira de manter eletricidade à base de diesel. Então, acaba que eles não podem ter na sua casa uma aguinha gelada, não podem conservar alimentos”, diz Eugênio Scannavino Netto, médico sanitarista, fundador do Projeto Saúde e Alegria.

Irenilce teria peixe para semana inteira se tivesse uma geladeira e uma tomada onde ligar.

“Quando não tem a energia, a gente conserva desse jeito que está aqui, no varal. A gente passa no sal , abre e coloca aqui no varal para secar, para que ele fique conservado para alimentação da gente”, conta Irenilce Kumaruara, cacica da aldeia Vista Alegre do Kapixauã.

Na Amazônia, 1 milhão de brasileiros vivem isolados, sem energia elétrica. Indígenas ou ribeirinhos, vizinhos na rua líquida e imensa. São os guardiões da floresta.

“Às vezes, quem não é daqui acha que é só um tapete verde sem ninguém. Debaixo da floresta tem gente, e é um povo que precisa também de saúde, de saneamento, de energia”, afirma Caetano Scannavino, coordenado do Projeto Saúde e Alegria.

Projetos levam dinheiro, educação e futuro para a Amazônia — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Projetos levam dinheiro, educação e futuro para a Amazônia — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Sim, os problemas são gigantes onde tudo é gigante. Quantas vezes é preciso lembrar que não estamos no oceano? Rio Tapajós, no interior do Pará. Estado que tem na bandeira uma estrela, mas o sol bem que merece um lugarzinho ali também. Está mudando a vida de quem mora por lá. Infelizmente, a energia não pode ser levada de barco. Assim, muitas comunidades ribeirinhas encontraram um outro caminho: pelo alto.

Está pronta a máquina do tempo. A placa solar representa um salto de mais de um século para muitos lugares que até meses atrás viviam na escuridão. A luz chegou na aldeia Esperança para iluminar a espera da Adriane dos Santos Mota pelo quarto filho. O mundo em torno da barriga onde ele cresce foi mudando rapidamente.

“O que mudou foi a energia. Porque, antigamente, a gente usava lamparina. É o primeiro filho que eu vou ter no claro. Hoje eu digo: isso vai facilitar muito para nós, principalmente no cuidar da noite. Melhorou foi muito para nós”, diz a ribeirinha Adriane dos Santos Mota.

A estrada é linda, mas o caminho é longo. A cidade mais próxima fica a oito horas de barco. Em uma região urbana, uma placa solar representa uma conta de luz mais barata, a valorização do imóvel e até a tranquilidade de uma fonte de energia inesgotável. Lá, em um lugar tão remoto, a energia solar pode representar para as pessoas a própria vida.

Tudo começou com elas: as vacinas. O médico Eugênio foi para a Amazônia em 1984 e se impressionou com a perda de vacinas pela falta de refrigeração.

“Essas comunidades estão aqui na Amazônia enfrentando os piores indicadores sociais do Brasil. Mas elas estão aqui defendendo essa floresta para todos nós do planeta”, afirma Eugênio.

Nasceu então o projeto Saúde e Alegria, que levou a energia solar. E graças a ela, que venham as novidades. Sem sair da cidade, a médica atende no coração da floresta. Sem sair da Amazônia, a Solene aprende a mexer no computador e a Edilena pode ver as notícias.

“Assistir a um jornal porque é um direito. Tem que saber como está rolando no mundo”, diz a trabalhadora rural Edilena Cristina Teixeira Oliveira.

Só não dá para esperar sete horas se a energia falhar. Então, é só chamar a eletricista que vive lá. Quando as placas chegaram, há seis meses, Fabrícia recebeu treinamento e se tornou uma eletricista do sol. Mal sabia ela que, junto com a novidade, iria encontrar uma antiguidade: o machismo.

Fabrícia: Eles falam que não botam fé na gente.
Pedro Bassan, repórter: Olha meio de cima para baixo?
Fabrícia: ‘Tu vai montar? Vai saber fazer isso?’. Eles não acreditam. Aí vou lá, faço. Está vendo como eu sei? A gente está conseguindo, firme e forte. Graças a Deus, está dando tudo certo.

Projetos levam dinheiro, educação e futuro para a Amazônia — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Projetos levam dinheiro, educação e futuro para a Amazônia — Foto: Jornal Nacional/ Reprodução

Uma força que até ele aprendeu a respeitar. Em que outro lugar do planeta, a existência muda em ritmo tão acelerado. Santarém, no Ecocentro. E se esse não parece muito o nome de uma fábrica, é só para mostrar que floresta e produção em grande escala podem conviver em paz. Começou meio ideia, meio sonho.

“Por que não só uma estrada pensada para trazer a soja do Mato Grosso para Santarém? E por que não, então, o caminhão voltar com produtos da floresta beneficiados com valor agregado para o comércio em São Paulo, por exemplo?”, questiona Caetano Scannavino

E não é que funcionou?

“Existe o produto da própria natureza e existe o mercado. Então, tudo que se produz dentro da floresta – não só da floresta, mas da agricultura familiar – é comerciável”, diz Manoel Edivaldo Santos Matos, presidente da Cooperativa dos Trabalhadores Agroextrativistas do Pará.

Hoje, o que é processado lá vai pra grandes indústrias. Sem saber, você já pode ter passado no rosto o óleo de andiroba.

“A gente tem 46 bioativos da Amazônia em nossos produtos. Hoje eu posso te dizer que 50% da nossa linha de produtos vem da Amazônia”, diz Ana Costa, vice-presidente de Sustentabilidade da Natura.

Sem perceber, você talvez esteja pisando nessa borracha.

“É uma borracha que não é plantada. É uma árvore nativa. Então, quando a gente está comprando essa borracha nativa, a gente está incentivando a floresta a estar de pé, e a gente está gerando renda para as famílias que moram na floresta”, afirma Luciana Pereira, diretora de cadeias produtivas da Veja.

Outra peculiaridade da fábrica é a conta de luz: zero. A energia solar faz sucesso na Amazônia, apesar do sol. Os melhores locais de incidência solar no Brasil estão em uma área que vai do Centro-Oeste ao Nordeste. A Amazônia não está nessa faixa. Imagina se estivesse. Nos lugares mais remotos, basta uma placa, e a energia cai do céu.

“O primeiro impacto que eles tiveram quando toda a comunidade foi atendida foi a questão do barulho. Eles ficavam em um silêncio que saíam na porta das casas e ficavam assim: Nossa! Olha só, a gente consegue até se escutar, consegue até se ouvir melhor, consegue até ouvir o próprio barulho ali da floresta ou dos bichos cantando”, diz Jussara Salgado, coordenadora de infraestrutura comunitária do Projeto Saúde e Alegria.

E assim, as forças da natureza se prepararam para anoitecer. Na casa de uma guardiã da Amazônia, é hora de ouvir uma voz amiga. Estava chegando a hora do parto da Adriane, e a agente de saúde foi para uma última consulta. São gestos de rotina. Só mesmo para ter certeza de que, à noite, o verdadeiro som que brota da floresta é a pura esperança.

VEJA OS BASTIDORES

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Eletricistas do sol: Indígenas Munduruku do médio e alto Tapajós concluem formação em energia solar  https://teste.projeto-zero.site/eletricistas-do-sol-indigenas-munduruku-do-medio-e-alto-tapajos-concluem-formacao-em-energia-solar/ https://teste.projeto-zero.site/eletricistas-do-sol-indigenas-munduruku-do-medio-e-alto-tapajos-concluem-formacao-em-energia-solar/#respond Wed, 08 Oct 2025 18:15:37 +0000 https://projeto-zero.site/?p=22519 Jovens de dezenove aldeias concluíram o curso teórico-prático, qualificados para promover instalações e manutenção em sistemas fotovoltaicos nas aldeias de Itaituba e Jacareacanga. A iniciativa é do Projeto Saúde e Alegria que chega à sétima edição com 175 pessoas formadas 

No Centro Experimental Floresta Ativa (CEFA), em Santarém, 19 indígenas Munduruku do Médio e Alto Tapajós participaram da sétima edição da oficina “Eletricistas do Sol”, promovida pelo Projeto Saúde e Alegria (PSA) em parceria com o UNICEF, Mott Foundation, Fundação Toyota e Fundação Konrad Adenauer. O objetivo foi capacitar lideranças para instalar e manter sistemas de energia solar em suas aldeias, fortalecendo a autonomia local e reduzindo a dependência de técnicos externos.

O curso Eletricistas do Sol integra uma estratégia para fortalecer as comunidades e oportunizar novas oportunidades de geração de renda. Compõe as ações do programa de Infraestrutura Comunitária do PSA e da Escola Floresta Ativa, que leva formação e qualificação profissional para as comunidades. Jussara Salgado, coordenadora de Infraestrutura Comunitária do PSA, destaca que “Não dá para trabalhar projetos sem que os territórios se apropriem do que estão recebendo. A oficina garante que eles retornem como multiplicadores, fortalecendo autonomia e proteção territorial.”

A energia solar, renovável e sem emissões, tem se tornado a principal alternativa para comunidades distantes da rede elétrica. O Projeto Saúde e Alegria defende a necessidade de instalar sistemas e formar multiplicadores locais. A logística para reunir os participantes exigiu longos deslocamentos. Elson Hoyos, supervisor de saúde ambiental do Distrito Sanitário Especial Indígena do Rio Tapajós, acompanhou o grupo: “Foram cerca de três dias de viagem entre trechos fluviais e terrestres. A ideia é que os sistemas sejam autossustentáveis, e para isso é preciso investir em capacitação. Se houver um problema simples, como trocar um disjuntor, eles mesmos podem resolver sem esperar dias por um técnico de fora.”

O fortalecimento comunitário também está ligado à proteção contra pressões externas e se conectar com a autonomia das comunidades e aldeias. Os sistemas de abastecimento de água movidos à energia solar, as Unidades Básicas de Saúde que operam o armazenamento de vacinas com sistemas fotovoltaicos e os painéis dimensionados para o consumo doméstico são ações do Programa de Infraestrutura Comunitária promovidos pelo PSA. Com eletricistas do sol formados, amplia a capacidade de resistência dos povos frente às ameaças ambientais, como o garimpo ilegal.

“Então é uma forma também de você estar trabalhando a emancipação dessas comunidades, aumentando a resolutividade local para essas necessidades, desempregos que vão chegando nessas aldeias, né? E é fundamental também porque parte dessa turma que tá aqui, são agentes indígenas de saneamento, né? É parte de uma política pública e a gente vem qualificando esses agentes, não só para a questão do saneamento, da água, do bombeamento, mas também a qualificação deles como eletricistas do sol para poder trabalhar cada vez mais fontes de energia renovável, inclusive para fins de saneamento” – Caetano Scannavino, coordenador geral do PSA.

Para os jovens participantes, o curso representou a chance de levar novidades tecnológicas a comunidades onde o acesso à energia ainda é limitado.

“O que aprendi aqui vou levar para minha comunidade e também para outras aldeias. Os jovens lá ainda não conhecem essa tecnologia” – Thiago Akay, da aldeia Nova Trairão.

“Achei muito importante, porque posso ensinar as crianças e os jovens. Quando surgir um problema, já vai ter alguém na aldeia que sabe resolver” – Jesuel Poxo Munduruku.

“É a primeira vez que participo de uma oficina de energia. Agora posso ajudar meus colegas e ensinar dentro da aldeia.” – Edinezio Munduruku.

A oficina contou com momentos práticos, em que os participantes concluíram sozinhos a instalação de um sistema fotovoltaico. Bruno Amir, técnico de inclusão digital do PSA, destacou que a formação detalhada foi um marco: “Nos territórios nem sempre temos tempo para explicar cada etapa. Aqui, eles compreenderam do início ao fim. Saem com a capacidade de diagnosticar problemas e até sugeriram avançar para módulos mais complexos.”

Além da autonomia energética, a iniciativa se conecta a questões ambientais e sociais. Raimundo, do DSEI Rio Tapajós lembrou que “Esses conhecimentos aumentam a independência das comunidades e reduzem custos. São agentes que podem resolver problemas no saneamento e na energia, sem depender de alguém de fora.”

Para Mariana Buoro, oficial de Clima, Meio Ambiente e Energia do UNICEF Brasil, a formação busca enfrentar desigualdades no acesso às oportunidades de trabalho: “O estudo que lançamos mostrou que as capacitações estão concentradas nas grandes cidades. Quando realizamos uma oficina dentro da floresta, em língua Munduruku, respeitando tradições e com linguagem acessível, estamos ajudando a corrigir esse gargalo.”

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Comunidades da Flona Tapajós e Resex Tapajós-Arapiuns participam de treinamentos em energia solar, tecnologias digitais e extrativismo sustentável https://teste.projeto-zero.site/cursos-flona-resex/ https://teste.projeto-zero.site/cursos-flona-resex/#respond Fri, 19 Sep 2025 11:58:37 +0000 https://projeto-zero.site/?p=22392 Oficinas integram comunidades tradicionais, fortalecendo manejo sustentável e inclusão digital na região do Tapajós na Flona Tapajós e no Centro Experimental Floresta Ativa, ampliando autonomia comunitária e renda local

Três ações simultâneas marcaram o período de 10 a 13 de setembro: o curso Eletricista do Sol, o curso de Copaíba e as formações em mel e inclusão digital. As atividades foram conduzidas pelos Programas Economia da Floresta, Educação, Comunicação e Cultura e Infraestrutura Comunitária do Projeto Saúde e Alegria (PSA) no Centro Experimental Floresta Ativa — a Escola Floresta Ativa — e em áreas de comunidades tradicionais da Floresta Nacional do Tapajós e da Resex Tapajós-Arapiuns.

O coordenador geral do PSA, Caetano Scannavino, destacou que, depois de anos investindo em infraestrutura comunitária, o foco agora é formar pessoas. “Não basta instalar poços, energia renovável e unidades de beneficiamento. É preciso que as comunidades dominem o conhecimento para gerir e manter essas iniciativas com autonomia”, afirmou. Segundo ele, a parceria com a Fundação Toyota fortalece a capacidade local para que aldeias e comunidades administrem tecnologias, produção e serviços sem depender de assistência externa.

Entre as formações, o curso de inclusão digital preparou jovens para usar a internet de forma crítica e produtiva. Mulheres também participaram de treinamentos voltados à bioeconomia, como o curso de Copaíba e o curso de mel, reforçando a presença na economia local e no manejo sustentável.

Assista ao relato de uma das participantes:

Marcos Andrey extrativista na Flona Tapajós, destacou que a floresta “é a base de tudo” para as comunidades. Ele relatou ter aprendido técnicas adequadas para extrair óleo de copaíba sem danificar árvores centenárias. Para a jovem Samira dos Santos Maia, o conhecimento adquirido evita a morte de árvores e gera oportunidades futuras de renda: “A floresta pode garantir recursos para a comunidade e para os jovens, se cuidarmos dela”.

A atividade de mapeamento e coleta de sementes também ganhou destaque. Luís Carlos Pereira explicou que a venda das sementes gera renda e incentiva a preservação: “Uma árvore vale mais em pé do que derrubada”. O jovem Tiago complementou que o aprendizado permite multiplicar práticas sustentáveis e criar novas fontes de recurso sem agredir o ambiente.

As mulheres assumem papel central nesse processo. Maria da Cruz Correia ressaltou que elas lideram a coleta e a extração quando os homens não participam: “Enquanto alguns desistem, a gente mantém o trabalho e mostra que preservar pode gerar sustento”.

Para Rafaela Nakajima, da Fundação Toyota, apoiadora da Escola Floresta Ativa, capacitar as comunidades amplia impactos duradouros: “A formação gera emprego e renda, valoriza saberes tradicionais e ajuda a manter a floresta em pé”.

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Coordenadora de Infraestrutura Comunitária do Projeto Saúde e Alegria recebe reconhecimento em premiação nacional de energia https://teste.projeto-zero.site/coordenadora-de-infraestrutura-comunitaria-do-projeto-saude-e-alegria-recebe-reconhecimento-em-premiacao-nacional-de-energia/ https://teste.projeto-zero.site/coordenadora-de-infraestrutura-comunitaria-do-projeto-saude-e-alegria-recebe-reconhecimento-em-premiacao-nacional-de-energia/#respond Thu, 28 Aug 2025 16:56:20 +0000 https://projeto-zero.site/?p=22338 A coordenadora de infraestrutura comunitária do Projeto Saúde e Alegria (PSA), Jussara Salgado, foi uma das premiadas na edição 2025 do Mulheres da Energia, promovida pela Associação Brasileira de Geração Distribuída (ABGD) e o Congresso Brasileiro das Mulheres da Energia. A iniciativa destaca a atuação de profissionais que desenvolvem soluções energéticas em diferentes regiões do país

A premiação é uma iniciativa inédita que celebra e reconhece o papel fundamental das mulheres na transformação do setor energético brasileiro. A entrega dos reconhecimentos integrou a programação da 4ª edição do Congresso Brasileiro das Mulheres da Energia, realizado em 25 de agosto, em São Paulo. O evento reuniu lideranças femininas de diferentes segmentos do setor energético nacional e promoveu painéis que discutiram, principalmente, os desafios e caminhos para uma transição energética justa.

Jussara participou do painel “Amazônia – Histórias Reais que Inspiram”, onde apresentou as ações do Projeto Saúde e Alegria voltadas ao acesso à energia renovável. Sua contribuição destacou o impacto dessas iniciativas no bem viver das populações tradicionais da Amazônia e no fortalecimento de políticas públicas voltadas à região.

“É a segunda vez que participo do Congresso, é um espaço essencial para evidenciar que mulheres estão à frente de soluções concretas que transformam o setor energético com propósito, competência técnica e sensibilidade social. Sinto-me honrada em representar a Amazônia nesse diálogo nacional, ao lado de tantas mulheres que admiro. Essa premiação reconhece o trabalho que venho desenvolvendo — um trabalho que impacta, principalmente, a vida de outras mulheres nos territórios.” – destaca.

Painel reuniu mulheres referências em energia no país.

No PSA, Jussara é responsável pela implementação de infraestruturas comunitárias em comunidades ribeirinhas da região do Baixo Amazonas. Sua atuação contempla a instalação de sistemas de energia renovável para o abastecimento de água, escolas, unidades de saúde, telecentros e empreendimentos comunitários localizados em áreas isoladas, substituindo gradualmente o uso de geradores a diesel e gasolina. Essas iniciativas possibilitam, por exemplo, que unidades de saúde contem com refrigeração adequada para a conservação de vacinas e operem no período noturno, ampliando o acesso e a qualidade dos serviços oferecidos.

Natural de Santarém (PA), Jussara passou a integrar a equipe técnica do Projeto Saúde e Alegria em 2019. Iniciou sua trajetória como técnica de campo na área de energias renováveis e, atualmente, atua como Coordenadora Programática, integrando a Coordenação Executiva da organização.As ações das quais Jussara participa já resultaram na instalação de mais de 100 sistemas de energia renovável na região do Baixo Amazonas, beneficiando cerca de 10 mil pessoas com acesso à energia para serviços básicos e geração de renda. O trabalho também tem fortalecido a participação comunitária, promovendo a autonomia das populações locais. Moradores vêm se apropriando das estruturas implantadas e buscando o apoio da equipe técnica do PSA para garantir a manutenção e continuidade dos serviços.

Foi também de Jussara a iniciativa de criar uma edição exclusiva do curso Eletricistas do Sol voltada para mulheres, com o objetivo de ampliar as oportunidades de formação técnica e geração de renda no setor de energia solar. A proposta possibilitou que mulheres das comunidades e aldeias se capacitassem em instalações elétricas e sistemas fotovoltaicos, fortalecendo a participação feminina em uma área marcada pela presença masculina.

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Kits de energia solar auxiliam comunidades e parteiras ribeirinhas no Pará https://teste.projeto-zero.site/kits-de-energia-solar-auxiliam-comunidades-e-parteiras-ribeirinhas-no-para/ https://teste.projeto-zero.site/kits-de-energia-solar-auxiliam-comunidades-e-parteiras-ribeirinhas-no-para/#respond Wed, 11 Jun 2025 12:41:40 +0000 https://projeto-zero.site/?p=22029 Tecnologias portáteis doadas pelo Projeto Saúde e Alegria com apoio da Fundação Schneider Electric e fornecedores da Schneider Electric Brasil estão contribuindo para a atuação de mulheres indígenas, quilombolas e ribeirinhas em comunidades sem acesso à energia elétrica

O Projeto Saúde e Alegria (PSA) realizou a entrega de 59 kits Homaya Family, sistemas de energia solar que possibilitam iluminação residencial e eletrificação domiciliar acessível para comunidades tradicionais da região Oeste do Pará. A iniciativa beneficia diretamente 23 parteiras da região, além de moradores das aldeias Zaire e São Sebastião, localizadas na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns.

Cada kit é composto por uma placa solar, controlador de carga, bateria, 3 lâmpadas de LED, portas USB e saída em 12Vcc/127 Vca, permitindo o funcionamento de pequenos eletrodomésticos. O sistema foi desenvolvido para atender áreas sem acesso à rede elétrica, promovendo mais qualidade de vida e autonomia energética.

Moradores da aldeia São Sebastião com sistemas de energia solar.

“Todos esses anos a gente não tinha energia de qualidade”, contou Maria Marlice Costa, da Aldeia São Sebastião, na Resex Tapajós-Arapiuns, uma das beneficiárias da iniciativa. “A gente vinha usando lamparina, quando tinha o óleo. Gratidão mesmo, pra mim é muito importante estarmos recebendo esses kits.”

Além das famílias das aldeias, parteiras também foram contempladas com kits portáteis de energia solar, fundamentais para o atendimento às comunidades isoladas. Maricleide Silveira, parteira de Boa Vista do Tapará, na região de várzea de Santarém, destacou a importância da iniciativa: “É uma peça fundamental no nosso trabalho, pois nos deslocamos para vários lugares onde ainda não tem energia de rede. Com essa ferramenta vai nos ajudar a fazer nosso trabalho com mais qualidade.”

Para Sirlene Tapajós, da Associação de Jovens Moradores e Usuários da Reserva Extrativista (Ajamuri), no Lago Grande, o equipamento será um grande aliado: “Uma placa solar que vai ajudar muito no nosso trabalho. A gente ficou muito feliz em receber porque vai ajudar nos partos em domicílio.”

Vinte e três parteiras foram beneficiadas com kits de sistemas de energia para fortalecer atuação em comunidades ribeirinhas.

A doação dos sistemas de energia é uma ação do Programa de Infraestrutura Comunitária do PSA, com apoio da Fundação Schneider Electric. “O PSA atua em territórios desassistidos do acesso à energia elétrica da rede, que acaba limitando o acesso a outros serviços básicos, como saúde, educação, saneamento e impacta na geração de renda. O kit homaya family possibilitará que as famílias beneficiadas utilizem uma fonte renovável e tenham autonomia nas suas atividades diárias. A previsão é até julho atender mais localidades inseridas em áreas remotas da região.” – destacou a coordenadora Jussara Batista.

Os kits foram entregues durante o encontro de troca de saberes e oficina de qualificação promovido pelo Programa de Saúde na Floresta do PSA. O evento também teve como objetivo a valorização e salvaguarda dos saberes populares das parteiras, integrando-os a orientações técnicas da enfermagem. Uma das metas foi ampliar a capacidade dessas mulheres em identificar situações de risco gestacional, orientando-as sobre quando encaminhar as gestantes para o atendimento, nas unidades de saúde, e orientando quanto a importância do pré-natal. “Elas demonstram o trabalho, como elas desenvolvem o seu trabalho dentro da comunidade. E aqui elas têm a oportunidade também de receber conhecimentos e identificar gestantes de risco” – destacou.

“A Schneider Electric acredita que o acesso à energia é um direito humano básico e por isso estamos atuando nessa frente, apoiando o ODS7 – objetivo de desenvolvimento sustentável de número 7, que é acesso à energia limpa e segura. Para nós é uma honra contribuir, especialmente no estado do Pará, que sediará a COP30 neste ano.” – Milena Rosa, gerente de sustentabilidade e responsabilidade social da Schneider.

Sobre a Schneider

O propósito da Schneider Electric é criar impacto, capacitando todos para que aproveitem ao máximo sua energia e recursos, unindo progresso e sustentabilidade. A empresa chama isso de “Life Is On”.

Sua missão é ser o parceiro de confiança em sustentabilidade e eficiência.

A Schneider Electric é líder global em tecnologia industrial, levando expertise e know-how em eletrificação, automação e digitalização para indústrias inteligentes, além de infraestruturas resilientes, data centers preparados para o futuro, edifícios inteligentes e residências intuitivas. Com ampla experiência no mercado, oferece soluções integradas de internet das coisas (IoT) industrial com inteligência artificial (IA), cobrindo todo o ciclo de vida, bem como automação, software e serviços conectados, entregando gêmeos digitais (digital twins) para permitir o crescimento lucrativo de seus clientes.

A empresa é formada por pessoas e conta com um ecossistema de 150 mil colaboradores e mais de um milhão de parceiros que operam em mais de 100 países, garantindo proximidade com clientes e partes interessadas. A Schneider Electric valoriza a diversidade e a inclusão em todas as suas ações, guiada por seu propósito significativo de um futuro sustentável para todos.

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Mulheres Eletricistas do Sol comemoram conclusão de curso na floresta: “Não sabia como fazia retorno dessa lâmpada. Tinha muita vontade de aprender” https://teste.projeto-zero.site/curso-mulheres-eletricistas-sol/ https://teste.projeto-zero.site/curso-mulheres-eletricistas-sol/#respond Fri, 14 Mar 2025 12:19:47 +0000 https://projeto-zero.site/?p=21550 Segunda edição do curso exclusivo para mulheres forma novas vinte e duas profissionais de seis territórios em energia solar 

Em comunidades e aldeias da Amazônia onde a energia da rede elétrica tradicional não chega, a luz que ilumina as casas, escolas e postos de saúde vem do sol. No entanto, a manutenção desses sistemas solares fotovoltaicos sempre foi um desafio, muitas vezes exigindo técnicos de fora e altos custos. Para mudar esse cenário e ampliar a autonomia das comunidades, o Projeto Saúde e Alegria (PSA) realizou a segunda edição do curso Eletricistas do Sol, voltado exclusivamente para mulheres.

A formação, realizada no Centro Experimental Floresta Ativa (CEFA), reuniu 22 mulheres de 17 comunidades, aldeias e quilombos dos municípios de Santarém, Óbidos e Oriximiná. Elas se somam às 21 participantes da primeira edição, totalizando 43 mulheres formadas. O objetivo é garantir que elas possam não apenas cuidar dos sistemas solares de suas próprias casas, mas também contribuir com as necessidades coletivas de suas comunidades.

Mulheres de 17 comunidades, aldeias e quilombos de seis territórios participaram da formação.

“A gente busca dar essa autonomia para que os territórios não dependam exclusivamente da mão de obra da cidade, que tem um custo muito maior”, explica Jussara Salgado, coordenadora de Infraestrutura do PSA. “Essas mulheres podem fazer suas próprias manutenções, ajudar a comunidade e, quem sabe, até desenvolver uma atividade profissional”.

Para muitas participantes, a formação foi um desafio inicial, mas também um passo importante para romper barreiras. “Quando eu vi esse curso, pensei: mas isso não é só para homens?”, lembra Andreia dos Santos Anjos, quilombola do município de Óbidos. “Mas aí eu percebi que nós, mulheres, também podemos aprender”.  Com a experiência adquirida, ela pretende levar o conhecimento para sua comunidade, onde todas as 68 famílias utilizam energia solar. “Se é pra chamar técnico de fora né se tem uma pessoa que já está qualificada pra fazer isso, nada melhor do que a gente poder contribuir com o território da gente nessa parte”, afirma. 

Luiza Carmen Lopes Pereira, da Comunidade Carão, também destaca a importância do curso para sua realidade. “Quando a gente recebe um sistema solar, muitas vezes não sabe como fazer a manutenção”, diz. “Aprendi que a placa precisa ser limpa, que a bateria tem que ser medida. São detalhes simples, mas que fazem toda a diferença”.

Além de garantir o funcionamento dos sistemas solares, a oficina também abre portas para a geração de renda. “Aprender uma profissão significa valorizar nosso trabalho”, ressalta Andreia. “Claro que a gente pode ajudar a comunidade, mas também precisa ser reconhecida e remunerada”. 

O curso Eletricistas do Sol integra uma estratégia para fortalecer as comunidades e oportunizar novas oportunidades de geração de renda. Antes, em turmas mistas, apenas uma ou duas mulheres se inscreviam. Agora, com as 43 mulheres qualificadas, o número total de eletricistas formados pelo programa subiu para 192, mostrando que a inclusão feminina na área está crescendo.  “Além de estar empoderando os segmentos femininos nas comunidades, é uma forma também de autonomia, é uma forma de emancipação comunitária” – conta o coordenador geral do PSA, Caetano Scannavino.

Para Daniel Castro, da Fundação Kas, parceira do PSA há mais de 30 anos, o impacto do projeto é visível. “É lindo ver essas mulheres colocando a mão na massa, medindo painéis, aprendendo na prática”, destaca.

O curso Eletricistas do Sol integra uma estratégia para fortalecer os territórios e oportunizar novas oportunidades de geração de renda. Compõe as ações do programa de Infraestrutura Comunitária do PSA e da Escola Floresta Ativa, que leva formações e qualificação profissional para as comunidades, contando com apoios como a Mott Fundation, Fundação Toyota, Fundação Konrad Adenauer, e Instituto Clima e Sociedade – ICS.

Fotos: Marina Macião, Samela Bonfim, Caetano Scannavino.

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Iniciam obras do Programa Cisternas em Pinhel, na Resex Tapajós-Arapiuns https://teste.projeto-zero.site/iniciam-obras-do-programa-cisternas-em-pinhel-na-resex-tapajos-arapiuns/ https://teste.projeto-zero.site/iniciam-obras-do-programa-cisternas-em-pinhel-na-resex-tapajos-arapiuns/#respond Fri, 26 Jul 2024 21:30:44 +0000 https://projeto-zero.site/?p=20581 Programa vai beneficiar 69 famílias da comunidade no acesso à água para consumo e fortalecimento da produção da agricultura familiar

O Setor de Infraestrutura Comunitária do Projeto Saúde e Alegria iniciou as atividades do Programa Cisternas, na comunidade Pinhel, localizada na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns. A etapa construtiva começou no dia 22 de julho e beneficiará cerca de 69 famílias com tecnologias de acesso à água para consumo e fortalecimento da produção.

“Nessa etapa, vão estar sendo implementadas as infraestruturas das tecnologias sociais, que consistem no módulo comunitário, que é um elevado com reservatório, onde vai ocorrer a captação e o armazenamento da água, a rede de distribuição, fazendo com que a água chegue até os domicílios, e um módulo familiar, que consiste na captação de água de chuva por meio do telhado e em um banheiro com fossa séptica” disse Jussara Salgado, Coordenadora do Programa de Infraestrutura Comunitária do PSA. 

O Programa Cisternas é uma iniciativa do PSA vinculado ao Ministério do Desenvolvimento. Essa fase marca o início das atividades, que só devem ser concluídas em 2026. A meta é implementar cerca de 744 tecnologias na Unidade de Conservação. O saneamento básico é uma prioridade para o Projeto Saúde e Alegria, que trabalha para levar água potável para comunidades da Amazônia.

Entre os anos de 2018 a 2021 foram implementadas 1.239 tecnologias sociais de acesso à água por meio do Programa Cisternas, dessas, 775 previam também a instalação de banheiros. Beneficiando comunidades dos municípios de Santarém, Belterra e Itaituba, impactando diretamente 3.100 pessoas com acesso à banheiros e esgotamento domiciliar e sanitário.

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Unidades Básicas de Saúde Indígena (UBSI) do alto Tapajós recebem instalações de energia solar e passam a atender mais de 10 mil indígenas com energia limpa https://teste.projeto-zero.site/ubsi-com-energia-solar/ https://teste.projeto-zero.site/ubsi-com-energia-solar/#respond Mon, 08 Jul 2024 15:10:26 +0000 https://projeto-zero.site/?p=20469 Programa de Infraestrutura do Projeto Saúde Alegria (PSA) concluiu, em parceria com o Distrito Sanitário Especial Indígena Rio Tapajós (DSEI-RT), a instalação de sistemas fotovoltaicos em três UBSIs e um centro de formação

A energia solar ajuda a conservar alimentos, economiza gás, diesel, combustível. É um kit, uma estrutura que ajuda a gente a conservar a natureza também”, comentou a atual coordenadora da Associação Wakoborun, Ediene Kirixi Munduruku, sobre as instalações nas Unidades Básicas de Saúde Indígena (UBSI) nas aldeias da etnia Munduruku, região do alto Rio Tapajós, que agora contam com energia solar off-grid.

No último dia 30 de junho, a equipe do Programa Infraestrutura do PSA finalizou as eletrificações de energia solar off grid em três Unidades Básicas de Saúde Indígena (UBSI) e um centro de formação no município de Jacarecanga/Pa. As instalações nas UBSI’s ocorreram nas aldeias Sai Cinza, Waró Apompõ e Santa Maria, em parceria com o Distrito Sanitário Especial Indígena Rio Tapajós (DSEI-RT) e contaram com apoio da MOTT Foundation e Empowered by Light.

O DSEI-RT atende a uma população de 10.629 indígenas da etnia Munduruku, distribuídos em 164 aldeias. Dessas, apenas 05 (cerca de 3,05%), têm acesso à rede convencional, fornecida pela concessionária local. As demais têm energia proveniente de geradores a combustão, movidos pela queima de combustível fóssil (não renovável), derivado do petróleo, geralmente gasolina ou diesel. A energia gerada pelos grupos geradores é utilizada para alimentar sistemas de abastecimento de água, UBSI, escolas e residências, o que implica no alto consumo de combustível e elevado custo de manutenção desses equipamentos. Além disso, a localização das aldeias e as dificuldades de acesso tornam a logística de distribuição do diesel extremamente complexa. Como alternativa, a substituição dos geradores por métodos sustentáveis na geração de energia reduz esse custo, garantindo melhores condições de acesso à energia de forma limpa e renovável.

As instalações objetivam também o uso de uma fonte de energia limpa, renovável, sustentável, que é o caso da energia solar, em substituição a grupos geradores. Os prédios das unidades básicas de saúde foram eletrificados para que essa energia possa alimentar geladeira para conservar vacina, telemedicina por meio da internet, questão de uso de nebulizadores, focos ginecológicos, que facilite o atendimento das unidades durante a noite e dessa forma consiga dar uma melhor qualidade no atendimento à atenção básica primária de saúde”, esclareceu a coordenadora do Programa de Infraestrutura do PSA, Jussara Salgado.

A tecnologia implementada se baseia no modelo criado pelo PSA e já testado em comunidades e aldeias da região de abrangência da ONG. Unidades Básicas de Saúde (UBS) estão sendo equipadas com kits para melhorar as condições de atendimento nos locais. Geladeiras para conservação de vacinas, energia fotovoltaica para o funcionamento das geladeiras e de sistema de acesso à internet, instalação de internet satelital e computador para telemedicina.

As tecnologias integradas são importantes para estruturar as unidades, tornando-as aptas ao teleatendimento médico dos profissionais que atuam nas UBSF. Entre 2023 e 2024 pelo PSA, 43 pontos de acesso à internet foram instalados por meio de antenas satelitais que promovem acesso à comunidades, aldeias nas UBSF para operar telemedicina e agilizar atendimentos médicos a moradores dessas regiões.

As UBSIs atendem os pacientes indígenas de áreas remotas, voltadas à atenção primária a estas populações, realizada pelas equipes multidisciplinares do DSEI-RT. Além disso, realizam a detecção de doenças tropicais, a exemplo da malária. A proposta de eletrificação de unidades em áreas de difícil acesso da saúde indígena é essencial para possibilitar a realização de diagnósticos dentro do território, evitando o deslocamento dos indígenas aos centros urbanos.

O sistema de 4,68 KWp está projetado para atender a demanda de energia para conservação de vacina, nebulização, foco ginecológico, acesso à internet para telemedicina, iluminação e outros equipamentos de média potência que são utilizados para exames laboratoriais.

A sede do Centro de Formação da Resistência está localizada na aldeia Nova Traíra, a eletrificação do local foi realizada em parceria com a Associação de Mulheres Indígenas Wakoborun, com o apoio da Mott Foundation. O espaço é de uso coletivo, utilizado para os encontros, reuniões e formações das lideranças indígenas do alto Rio Tapajós. Conta com cozinha comunitária, alojamentos e mini auditório.

Vai atender à nossa demanda, à nossa necessidade, que vai ajudar a parte de conservar os alimentos durante os dias de atividade que nós sempre temos. A gente tem um evento e a gente já vai estar usando, tendo apoio dessa instalação da energia. Agradecendo também pelo apoio, isso ajuda muito nós a conservar, ajudar a parte da comunidade, a parte do trabalho da associação. A gente está muito feliz”, comemorou Ediene Kirixi.

As instalações contam com apoio da Fundação Mott, parceira do Projeto Saúde e Alegria. A oficial de Programa para a América da Sul da Fundação Mott, Daniela Gomes Pinto, destacou o fortalecimento dos territórios atendidos com os projetos de impacto socioambiental: “O apoio que a Fundação Mott vem dando para organizações da sociedade civil como o Saúde e Alegria para acesso de comunidades isoladas à energias renováveis, vem de uma intenção de garantir por meio desse acesso, que possam proteger seus modos de vida, ter mais qualidade de vida e possam ter mais instrumentos para proteção territorial com autonomia necessária”, conclui.

Fotos: Rodrigo Souza/PSA.

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Oficina forma ‘mulheres eletricistas do sol’: “aprendi a medir tensão, corrente contínua e alternada”, destaca indígena https://teste.projeto-zero.site/oficina-forma-mulheres-eletricistas-do-sol/ https://teste.projeto-zero.site/oficina-forma-mulheres-eletricistas-do-sol/#respond Mon, 11 Mar 2024 12:26:26 +0000 https://projeto-zero.site/?p=19950 Mulheres de dezesseis comunidades e aldeias da Resex Tapajós-Arapiuns concluíram curso promovido pelo Projeto Saúde e Alegria, e agora estão habilitadas para manutenção e reparos in loco dos sistemas fotovoltaicos instalados

No período de 04 a 08 de março de 2024, uma formação exclusiva para mulheres de cinco aldeias e onze comunidades da Resex Tapajós-Arapiuns, município de Santarém/PA, ensinou os fundamentos da eletricidade básica e energia solar fotovoltaica off grid às moradoras das aldeias São Pedro, Solimões, Americano, Vista Alegre, Akaywasú/São Miguel e comunidades Novo Progresso, Pedra Branca, Capixauã, Anã, Vila Franca, Carão, Anumã, Mangal, Retiro, Parauá e Surucuá.

Formação exclusiva para mulheres reuniu participantes de cinco aldeias e onze comunidades da Resex Tapajós-Arapiuns, Santarém/PA. Foto:Yuri Rodrigues/acervo Saúde e Alegria.

Sediado no Centro Experimental Floresta Ativa na comunidade Carão – unidade idealizada pela ONG para formações e capacitações, o curso reuniu conteúdo teórico e prático, possibilitando autonomia para manutenção dos sistemas já instalados em comunidades e independência financeira aplicando o conhecimento na implementação de novos sistemas.

Historicamente, o Projeto Saúde e Alegria (PSA) atua na eletrificação rural com soluções adaptadas ao contexto das comunidades ribeirinhas, com sistemas fotovoltaicos para escolas, unidades de saúde, polos de acesso à internet, bombeamento de água em áreas que não possuem acesso à rede. “Todo trabalho é feito para autogestão e autonomia comunitária. E os eletricistas do sol são parte disso, moradores e moradoras de aldeias e comunidades de áreas remotas, habilitados para serviços básicos de eletricidade, prevenção de acidentes, também a manutenção e reparos dos sistemas fotovoltaicos instalados. Assim, podem resolver in loco muitos dos problemas, evitando elefantes brancos com o abandono de equipamentos quebrados diante dos altos custos para trazer técnicos da cidade ou levar os equipamentos até lá, sem falar nos frequentes casos em que acabam sendo vítimas de enganação, ressaltou Caetano Scannavino, coordenador geral do PSA.

Essa é a sexta turma da Oficina Eletricistas do Sol e a primeira realizada somente para mulheres. As turmas anteriores foram marcadas pela participação majoritária de homens, pois apenas três mulheres participaram em 5 edições. Essa turma foi especialmente pensada para elas e construída por mulheres para as mulheres”, explicou a engenheira Jussara Salgado, coordenadora do Programa de Infraestrutura Comunitária do PSA.

No dia internacional da mulher, celebrado 8 de março, foi realizada conversa sobre lutas, direitos e espaços conquistados pelas mulheres. A facilitação foi promovida pela antropóloga e coordenadora adjunta do programa de Saúde do PSA, Luana Arantes.

Ao longo de 5 dias intensos, as participantes aprenderam sobre fundamentos da eletricidade básica e energia solar fotovoltaica off grid e apresentaram situações do seu dia a dia com o uso da energia solar, quando puderam tirar dúvidas. “O objetivo é que mais mulheres possam ocupar espaços nas formações e nas áreas técnicas em suas comunidades e aldeias”, destacou Ana Costa, técnica da equipe do Programa de Infraestrutura, que além da energia, envolve também o acesso à água, saneamento e internet.

Emocionada, a indígena Roseli Kumaruara, moradora da aldeia Solimões, avaliou o curso como uma oportunidade de provar a capacidade feminina em atividades historicamente praticadas por homens. “Estou me sentindo realizada por estar aqui. Somos mulheres e estamos quebrando um tabu”. Para a liderança, o aprendizado também vai fortalecer os laços comunitários: “É uma conquista esse curso e esse aprendizado, pois vamos levar informações para nossas aldeias e comunidades. Agora somos nós que vamos levar o conhecimento para os homens, o que pode e o que não pode”, pontua.

Sem a energia elétrica, comunidades que usam sistemas de energia solar ainda sofrem com a falta de manutenção nas tecnologias. Ione Gomes, da aldeia Vista Alegre, destaca que a partir do curso, já tem os conhecimentos para aplicar nas residências. “Pra nós, lá é uma dificuldade, mas com essa oficina estamos aprendendo. Nós sentimos orgulho de ter uma oficina que dá valor para as mulheres. Isso aqui é uma valorização com esse espaço”.

Com a aplicação das lições aprendidas na formação, Maria do Carmo da aldeia Capixauã, planeja ampliar a vida útil das baterias. Comenta que sai da oficina com a missão de multiplicar. “Levar para minha mãe e para as mulheres que ficaram na comunidade. Aprendi a medir tensão, corrente contínua e alternada que eu não sabia. O lado mais importante foi sobre as baterias que as pessoas fazem errado de comprar baterias, usar duas novas e uma usada e não funciona porque as usadas desgastam as novas”, explica.

A formação de agentes comunitários ‘Eletricistas do Sol’ conta com apoio da Fundação Mott, parceira do Projeto Saúde e Alegria. A oficial de Programa para a América da Sul da Fundação Mott, Daniela Gomes Pinto, destacou o fortalecimento dos territórios atendidos com os projetos de impacto socioambiental: “O apoio que a Fundação Mott vem dando para organizações da sociedade civil como o Saúde e Alegria para acesso de comunidades isoladas à energias renováveis, vem de uma intenção de garantir por meio desse acesso, que possam proteger seus modos de vida, ter mais qualidade de vida e possam ter mais instrumentos para proteção territorial com autonomia necessária”, conclui.

Eletricistas do sol na Amazônia 

A inserção de tecnologias renováveis que promovam o acesso à energia em comunidades isoladas é fundamental para o desenvolvimento socioeconômico e sustentável dessas regiões. Para que o processo ocorra de forma transversal e participativa, faz-se necessário envolver os comunitários em práticas educativas de formação técnica e de gestão, possibilitando uma melhor compreensão, uso e autonomia da tecnologia proposta. Essas práticas estão relacionadas ao modelo de gestão comunitária que o PSA adota em seus projetos, sensibilizando os principais atores envolvidos na intervenção (técnicos do PSA e comunitários) para perceberem-se enquanto coletivo, de modo a fortalecer o sentido participativo e para que assumam responsabilidades conjuntas durante a execução do projeto.

Com isso, os geradores a diesel vêm sendo substituídos por sistemas de energia solar off grid que são dimensionados para atender demandas de uso individual (residências) ou de uso coletivo (escolas, UBS, sistema de abastecimento de água, telecentros e unidades de processamento). Desde 2017, o PSA já instalou sistemas de energia solar off grid em 45 comunidades/aldeias, beneficiando diretamente mais de 4.000 famílias.

Para nós mulheres que normalmente estamos no dia a dia da casa, ter essa autonomia para mexer com nossos eletrodomésticos e sistemas de energia solar é importante. Nós temos sistemas isolados na comunidade e coletivos, fotovoltaicos do sistema de água e poder ter esse conhecimento, nós vamos poder fazer reparos e não precisa vir um profissional de fora” – Mariane Tupinambá, coordenadora da Ampravat – aldeia São Pedro Rio Tapajós.

A oficina eletricista do sol nasceu de uma iniciativa do PSA em promover capacitação técnica em energia solar para os beneficiários dos projetos. Isso permite que os comunitários adquiram conhecimento sobre a tecnologia para auxiliar em manutenções preventivas e desperte interesse de jovens e adultos para uma futura atividade profissional na área. A oficina é realizada de forma teórica e prática, abordando desde os fundamentos básicos de eletricidade até aplicações de sistemas off grid, já foram realizadas 5 edições do curso capacitando 125 pessoas.

Dificilmente a gente vê essa inclusão porque antes a gente só via para homens. Aqui existem mulheres muito fortes na comunidade. Isso vai me ajudar a fazer com que a minha comunidade cresça de forma sustentável” – Geovana, Parauá.

A Resex Tapajós Arapiuns é um dos territórios da Amazônia no qual a população vive sem acesso a energia da rede, estima-se que quase 1 milhão de amazônidas ainda convivam com essa realidade. Essas populações buscam por fontes alternativas de energia, geralmente a base da queima de combustíveis fósseis, como é o caso de grupos geradores que são utilizados de forma intermitente nas comunidades.

O PSA, juntamente com outras organizações, vem construindo com entes públicos um mapa do caminho para fazer chegar água, energia e internet a esses um milhão de amazônidas povos da floresta excluídos. São tecnologias de ponta na ponta, de baixo custo e alto impacto social, investimentos que se pagam com a viabilização da telemedicina, conservação de vacinas, informatização das escolas, abastecimento de água, processamento de produtos agroflorestais, entre outros benefícios para o bem-viver”, finaliza Caetano Scannavino.

Infraestruturas para comunidades da Amazônia inspiram novos modelos de tecnologias adaptadas para floresta. Fotos: acervo Saúde e Alegria.

Gran Circo Mocorongo: a magia do lúdico 

Durante os cinco dias de formação, as participantes que emergiram nos fundamentos de eletricidade básica e conceitos de energia solar off-grid, se empoderaram das tecnologias e participaram de dinâmicas promovidas pelo Programa de Educação, Cultura e Comunicação do PSA, EDUCOM.

Formação integra ações de arte-educação do PSA. Foto: Gerderson Oliveira/acervo Projeto Saúde e Alegria.

A arte-educadora Elis Lucien ressaltou a importância das ações de palhaçaria e arte circense para animar as mulheres e ativar o engajamento, “trouxe uma percepção muito bacana de estar envolvendo a teoria e o lúdico. Hoje nós estamos com uma equipe só de mulheres e possibilita muitos risos e desenvoltura”, comenta.

As interações e intervenções fazem parte da atuação da ONG e promovem quebra-gelo durante as formações. “Às vezes a gente chega muito retraído da nossa comunidade. Quando surge o lúdico, as brincadeiras, dinâmicas e o colorido, isso faz com que elas se sintam acolhidas e a vontade para que a gente possa trocar informações”, destaca.

Participantes da oficina discutiram ainda, temáticas relacionadas à resistência feminina e formação territorial. Foto: Yuri Rodrigues/acervo Saúde e Alegria.
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