Água e Saneamento – SANDBOX WP https://teste.projeto-zero.site Subdominio de Teste Mon, 15 Dec 2025 17:41:00 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=6.9.4 Depois de anos de racionamento, bairro União celebra a chegada da água em Alter do Chão https://teste.projeto-zero.site/depois-de-anos-de-racionamento-bairro-uniao-celebra-a-chegada-da-agua-em-alter-do-chao/ https://teste.projeto-zero.site/depois-de-anos-de-racionamento-bairro-uniao-celebra-a-chegada-da-agua-em-alter-do-chao/#respond Mon, 15 Dec 2025 17:41:00 +0000 https://projeto-zero.site/?p=22939 Microssistema de abastecimento garante acesso regular à água potável para centenas de famílias na periferia do distrito, em meio às estiagens cada vez severas

Em Alter do Chão, cartão-postal do Pará cercado pelas águas do Tapajós, a falta de água potável sempre foi uma contradição vivida por quem mora fora do circuito turístico. No bairro União, área periférica do distrito, essa realidade muda com a inauguração do sistema de abastecimento de água, resultado de uma articulação entre o Projeto Saúde e Alegria e a Coca-Cola Brasil, em parceria com a associação de moradores.

A entrega realizada na última sexta-feira (12), representa o fim de uma rotina marcada por racionamento, poços rasos contaminados e longos períodos sem água, agravados nos últimos anos pelas estiagens mais intensas na região amazônica. “As famílias daqui passaram anos vivendo uma situação de agonia, racionando água, enquanto as secas só foram piorando. Água não é favor, é direito”, destacou Caetano Scannavino, coordenador do Projeto Saúde e Alegria.

Morador de Alter do Chão, Caetano destacou o simbolismo da entrega acontecer justamente onde vive. Segundo ele, embora o PSA atue majoritariamente em comunidades ainda mais isoladas, a gravidade da situação no bairro União exigiu uma resposta urgente. “Era um sonho antigo da comunidade estruturar um sistema de água de verdade. E, se fosse para fazer, tinha que ser bem feito.”

O novo microssistema foi projetado para garantir segurança hídrica a longo prazo. O poço tem mais de 120 metros de profundidade, com estrutura em concreto e capacidade de armazenamento superior a 40 mil litros, somando-se às caixas instaladas nas residências. Todo o sistema opera com energia solar, reduzindo custos e aumentando a sustentabilidade.

“Não é só uma escolha ambiental, é também econômica. A conta de energia sempre foi um peso para a associação e para os moradores. Com a energia solar, isso muda radicalmente”, explicou Caetano. “O que chega aqui é dignidade, saúde e alegria para um povo guerreiro, que sustenta Alter do Chão longe dos holofotes.”

O acesso à água potável é um dos pilares históricos do Projeto Saúde e Alegria. Para Rodrigo Souza, coordenador do núcleo de acesso à água e saneamento do PSA, a inauguração reafirma esse compromisso. “O acesso à água é um direito fundamental. Hoje, esse microsistema traz impacto direto e indireto para mais de 3 mil pessoas que vivem no bairro União.” Além da infraestrutura, Rodrigo ressaltou a importância da gestão comunitária para garantir que o sistema seja resiliente e duradouro. “A tecnologia sozinha não sustenta um sistema de água. É a organização da comunidade que garante que ele funcione por muitos anos.”

O Presidente da Associação de Moradores do bairro União, Marcos Mota acompanhou de perto décadas de dificuldades. Ele lembra que houve períodos em que a água chegava apenas uma vez por semana. “Teve época em que as famílias precisavam sair do bairro para se higienizar. No verão, os poços secavam, a água ficava contaminada e as crianças sofriam com diarreia.”

Hoje, o cenário é outro. “O verão passou e o poço não secou. A água é de boa qualidade, chega às casas e mudou completamente a vida das famílias”, afirmou. Cerca de 178 famílias já são atendidas diretamente pelo sistema, e outras estão migrando para o novo abastecimento por conta da qualidade da água.

Ele também destacou a diversidade do bairro. “Aqui é território Borari, mas temos Arapiún, Arapiacá, Maruá, ribeirinhos e quilombolas. Esse sistema atende todos esses povos. Água é para todos.”

Moradora do bairro há mais de duas décadas, Roseneide resume a transformação. “Antes a água vinha uma vez por dia, às vezes só de manhã ou só de tarde. Hoje, a gente abre a torneira e tem água. Melhorou quase 100%.” Ela conta que a luta foi longa e coletiva. “Foram anos esperando uma resposta. Quando a notícia chegou, foi uma felicidade. Hoje temos água abundante e isso é qualidade de vida.”

Lília Maria, conhecida como Vera, que mora no bairro há mais de 25 anos também comemorou. “Quando cheguei, a gente tirava água em poço manual e lavava roupa no igarapé. Era muito difícil, principalmente com criança pequena. Hoje mudou tudo. Eu não reclamo da água.”

Carlos Dombroski, que atua na área de gestão comunitária do PSA, reforçou que o desafio agora é coletivo. “Ter água é um direito, mas manter o sistema funcionando exige deveres. A comunidade organizada é o que garante que esse sistema dure décadas.” Com experiência em outros sistemas implantados pelo PSA que funcionam há quase 30 anos, Carlos avalia que o bairro União reúne condições importantes para o sucesso. “Aqui existe associação, participação e compromisso. Isso faz toda a diferença.”

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Aldeia Nova Trairão comemora a inauguração do sistema de abastecimento de água https://teste.projeto-zero.site/aldeia-nova-trairao-comemora-a-inauguracao-do-sistema-de-abastecimento-de-agua/ https://teste.projeto-zero.site/aldeia-nova-trairao-comemora-a-inauguracao-do-sistema-de-abastecimento-de-agua/#respond Mon, 22 Sep 2025 21:53:21 +0000 https://projeto-zero.site/?p=22408 Ato de entrega reuniu lideranças Munduruku, parceiros institucionais e órgãos públicos para celebrar acesso à água no Alto Tapajós

O Projeto Saúde e Alegria realizou, no dia 12 de setembro, a entrega oficial do sistema de abastecimento de água da Aldeia Nova Trairão, localizada no território indígena Munduruku, no Alto Tapajós (PA). A iniciativa integra o projeto “Emergência Munduruku: Água, saneamento e higiene para crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade da Terra Indígena Munduruku”, que tem como proposta estratégica ampliar o acesso à água potável e aos serviços básicos de saneamento e higiene (WASH) nas aldeias em situação de maior vulnerabilidade.

A ação foi realizada a partir da parceria com o Programa de WASH do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF Brasil) e o apoio institucional do Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) Rio Tapajós e da Associação Wakoborun, além das parcerias estratégicas do Projeto Saúde e Alegria: Fundación Avina, WWF e Mott Foundation.

O projeto está alinhado aos princípios do UNICEF, voltados para a área de água, saneamento e higiene, e também cumpre os preceitos da Constituição Federal, em conformidade com a Lei nº 11.445, de 5 de janeiro de 2007, que estabelece as diretrizes nacionais para o saneamento básico.

O sistema incluiu a perfuração de um poço profundo de 60 metros, rede de distribuição, dois reservatórios de 5 mil litros e bombeamento com energia solar. Rodrigo Souza, gestor de núcleo de acesso à água e saneamento do programa de infraestrutura comunitária do Projeto Saúde e Alegria, explicou que “antes a água era captada de um igarapé com mais ou menos um quilômetro de distância da aldeia e, na estiagem, os indígenas precisavam pegar água do rio, muitas vezes contaminada pela atividade garimpeira. Hoje é um marco histórico para a Aldeia Nova Trairão. Antes, caminhavam quase um quilômetro para pegar água, hoje tem água na torneira em casa”.

A Aldeia Nova Trairão é estratégica para o povo Munduruku, pois abriga o Centro de Resistência da Associação das Mulheres Wakoborun. A entrega do sistema de abastecimento de água, além de beneficiar diretamente os 45 indígenas residentes, terá um impacto ampliado ao atender mais de 500 indígenas que circulam pela aldeia durante os períodos de formações realizadas no centro. Além disso, as aldeias vizinhas, que durante a seca enfrentam dificuldades de acesso à água potável, poderão recorrer ao sistema da aldeia Nova Trairão em períodos críticos de estiagem extrema, ampliando o impacto da iniciativa ao beneficiar também mais de 100 indígenas que residem nas proximidades da aldeia.

“Corremos atrás disso há muitos anos, porque é muito difícil aqui. A perfuração do poço mudou nossa realidade”, contou Roberto Munduruku, morador da aldeia, ao lembrar da luta pelo projeto.

Para Sebastiana Rebelo, chefe do Serviço de Edificações e Saneamento Ambiental Indígena (Sesani) do DSEI/Rio Tapajós (RT), a conquista é resultado do esforço conjunto. “Água é vida, sem ela a gente não sobrevive. A união faz o diferencial”. A secretária de Planejamento e Captação de Recursos de Jacareacanga, Edileuza Viana, avaliou que a parceria com organizações externas é fundamental. “A aldeia há muitos anos esperava por esses benefícios. Água é qualidade de vida e dignidade.

Ediene Munduruku, coordenadora da Associação Wakaborun, enfatizou o significado da entrega: “Nós lutamos por anos atrás desse poço. Hoje não vamos mais andar atrás de água no igarapé. A partir de agora, esperamos ver menos casos de diarreia e outras doenças. As crianças estão felizes tomando banho e bebendo água limpa”.

“As mudanças climáticas são uma realidade na vida das crianças na Amazônia. Nos últimos dois anos, em especial, a seca extrema produziu impactos severos sobre as populações ribeirinhas, quilombolas e indígenas. Este projeto é parte de uma agenda  que o UNICEF tem levado para para povos indígenas para apoiar o acesso à água potável e fortalecimento dos serviços de saúde fragilizados por desigualdades históricas”, declarou Mariana Machado Rocha, chefe do escritório do UNICEF para o Pará.

O cacique José Edilson, fundador da Aldeia Nova Trairão, relembrou a mobilização das lideranças e da associação das mulheres, que “desde 2007 estamos batalhando”. Não quero parar na luta até garantir abastecimento de água para outras aldeias.”

O sistema de abastecimento entregue conta com um sistema de bombeamento movido a energia solar. Com essa iniciativa, o Projeto Saúde e Alegria, UNICEF e demais parceiros, além de garantir o acesso à água potável, promove soluções sustentáveis que reduzem os impactos ambientais, fortalecem a autonomia das comunidades indígenas e diminuem a dependência de combustíveis fósseis.

]]> https://teste.projeto-zero.site/aldeia-nova-trairao-comemora-a-inauguracao-do-sistema-de-abastecimento-de-agua/feed/ 0 Quilombos de Oriximiná comemoram chegada do Programa Cisternas: “Foi um dos melhores projetos. No verão a gente sofre muito com a falta d’água” https://teste.projeto-zero.site/quilombos-de-oriximina-comemoram-chegada-do-programa-cisternas-foi-um-dos-melhores-projetos-no-verao-a-gente-sofre-muito-com-a-falta-dagua/ https://teste.projeto-zero.site/quilombos-de-oriximina-comemoram-chegada-do-programa-cisternas-foi-um-dos-melhores-projetos-no-verao-a-gente-sofre-muito-com-a-falta-dagua/#respond Fri, 15 Aug 2025 19:06:42 +0000 https://projeto-zero.site/?p=22556 Projeto Saúde e Alegria em parceria com o Instituto Vitória Régias e a Associação das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Município de Oriximiná (ARQMO), iniciam implementação de tecnologias de acesso à água e saneamento

Mais de duzentas e trinta famílias quilombolas de Oriximiná festejaram o início da realização de um sonho com a chegada do Programa Cisternas, executado pelo Instituto Vitória Régia, com o apoio da Associação das Comunidades Remanescentes de Quilombos do Município de Oriximiná (ARQMO) em parceria com o Projeto Saúde e Alegria (PSA). A iniciativa busca garantir o acesso à água potável e banheiros por meio da construção de tecnologias sociais de captação e armazenamento de água da chuva.

Na comunidade Boa Vista do Cuminã, a coordenadora do projeto, Sheila Oliveira, destacou o processo formativo que acompanha a implantação.“Estamos na terceira etapa, que é a de treinamentos e capacitações para a instalação dessas tecnologias. A oficina une teoria e prática, e ao final dos cinco dias teremos uma cisterna pronta, construída de acordo com as normas do governo”, explicou.

Para as famílias, o impacto vai além do acesso à água: representa dignidade e melhoria na qualidade de vida. A moradora Edione Salgado Guedes compartilhou sua emoção ao ser contemplada: “Pra mim é uma grande alegria. A gente nunca pensou em ter uma cisterna dessas, porque não tínhamos condição. Aqui só tínhamos um cacimbão e nem sempre tinha água. Esse projeto vai mudar nossa vida, principalmente das famílias com crianças especiais. No meu caso, não tinha como dar banho adequado no meu filho. Agora, com a cisterna e um banheiro melhor, tudo vai mudar.”

“É  a primeira vez que o Programa Cisternas está sendo implementado em territórios quilombolas da Amazônia, o processo de implementação da política pública vem sendo construído através de uma soma de esforços do MDS, PSA, Vitória Régia e ARQMO, além das associações e lideranças dos territórios. Temos a previsão de ampliar o número de famílias atendidas para 348, com o apoio do Fundo Amazônia.” – Jussara Salgado, coordenadora de Infraestrutura Comunitária do PSA.

Lideranças do território também celebraram o avanço das políticas públicas. “É um projeto inédito para o território. Desde 1998 nosso povo vem pedindo políticas públicas. Agora, com a parceria do MDS, PSA e associações, estamos vendo essas ações chegarem. É um privilégio trazer água de qualidade para nossas famílias”, afirmou uma das lideranças presentes.

“Foi um dos melhores projetos que já veio para nós. No verão a gente sofre muito com a falta de água. Essa cisterna é uma bênção. Só metade das famílias foi contemplada, mas vamos continuar lutando para que outras também recebam.” – Dona Lurdes, moradora.

Fotos: ARQMO

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Política pública de acesso à água é discutida em seminário nacional em Santarém, PA https://teste.projeto-zero.site/politica-publica-de-acesso-a-agua-e-discutida-em-seminario-nacional-em-santarem-pa/ https://teste.projeto-zero.site/politica-publica-de-acesso-a-agua-e-discutida-em-seminario-nacional-em-santarem-pa/#respond Fri, 18 Jul 2025 17:31:31 +0000 https://projeto-zero.site/?p=22151 Seminário em Alter do Chão reuniu atores públicos, organizações da sociedade civil e comunidades para discutir o acesso à água no contexto das mudanças climáticas

Durante dois dias, representantes de territórios indígenas, quilombolas, extrativistas, gestores públicos e pesquisadores se reuniram em Alter do Chão (PA) para debater soluções de acesso à água e saneamento na Amazônia. O Seminário contou com painéis, mesas de debate e visita técnica à Aldeia Pajurá, na Resex Tapajós-Arapiuns, nesta sexta-feira (18).

O evento foi promovido pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), por meio de sua Secretaria Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (SESAN), em parceria com: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES); o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA); o Centro de Estudos Avançados de Promoção Social e Ambiental/Projeto Saúde e Alegria (CEAPS); o Memorial Chico Mendes (MCM); e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF). Na abertura, foram apresentadas as principais linhas de ação do Programa Cisternas, que atua há mais de vinte anos no semiárido e agora busca ampliar atuação na região amazônica.

Caetano Scannavino, coordenador do Projeto Saúde e Alegria, destacou que o seminário foi um espaço importante para escuta e construção de estratégias. “Dois dias de escuta, diálogos com representantes de governo, indígenas, quilombolas, extrativistas, academia. Dois dias para a gente poder estar construindo soluções para aprimorar as políticas e estratégias para fazer chegar água de qualidade nas aldeias e comunidades da Amazônia.”

Ele destacou o contraste entre a abundância de água doce e a realidade de escassez vivida por populações ribeirinhas. “É difícil explicar para a sociedade brasileira das outras regiões que a população ribeirinha da maior bacia hidrográfica de água doce do mundo sofre de estresse hídrico. Mas vide as duas últimas estiagens recordes aqui na região.”

A coordenadora do Conselho Indígena Tapajós Arapiuns, Margarete Maitapu, relatou os impactos da seca no Tapajós e como castigou a população indígena. “Ano passado nós sofremos com essas fortes estiagens, secando os igarapés e até mesmo os poços. As cisternas vêm para facilitar a vida dessas pessoas dentro dos seus próprios territórios.”

Na mesa dedicada à fala dos beneficiários, o cacique Raimundo do Carmo, da Aldeia Pajurá, lembrou como era o cotidiano antes da instalação das tecnologias sociais. “A gente pegava água na beirada. As idosas iam para beira lavar roupa, carregava o balde d’água na cabeça. Quando secava, aí tinha aquele problema de diarreia nas crianças, vômito. […] Agora nós fomos agraciado com esse projeto e estamos feliz, por esse projeto que facilitou muito a nossa saúde e a nossa vida.”

O coordenador do Memorial Chico Mendes, Adevaldo Dias, explicou que o seminário serviu para “tirar da invisibilidade essa questão da falta d’água para as comunidades extrativistas da Amazônia”. Segundo ele, há uma falsa percepção de que a água é abundante e acessível em todo o território. “Apesar de que em alguns momentos a gente de fato tem muita água, mas nem sempre essa água está propícia para o consumo humano.”

O representante do MDS, Vitor Santana, explicou que o governo busca alternativas de maior impacto para o contexto amazônico. “A gente tem passado os últimos dois anos com eventos climáticos extremos de muita seca. […] O que a gente busca aqui nesse seminário é justamente fazer uma reflexão sobre essa ação e de que forma a gente pode oferecer soluções mais efetivas.”

Durante o seminário, também foram discutidos os desafios da implementação de projetos em unidades de conservação, terras indígenas e comunidades tradicionais, além de modelos de financiamento sustentável e a relação entre acesso à água e inclusão produtiva.

Na Resex Médio Purus (AM), o desafio é ampliar o número de kits de saneamento para mais moradores, explicou Benedito Clemente, da Associação dos Trabalhadores Agroextrativistas. “A Resex tem 604 mil hectares e dentro dessas áreas nós temos uma média de 1.500 famílias. […] Só foram 250 kits. É muito pouco a gente atendida. Eu fico penalizado. […] Eu penso no coletivo. O meu trabalho é atingir o coletivo da unidade.”

Ao longo do evento, foram apresentados dados técnicos, relatos de campo e experiências de organizações como a ASPROC, Articulação do Semiárido e Aflora. Joaci Brito, presidente da SomecDH, ressaltou o impacto dessas tecnologias nas comunidades. “O que a gente tem visto nesse tempo todo que a gente tá executando, é que as pessoas conseguem mudar a vida para melhor. Eu acho que a cisterna tem muito isso, sabe? De mudar as vidas das pessoas.”

Escassez hídrica e a urgência de ampliar o alcance da política de acesso à água na Amazônia

A diretora de Promoção da Inclusão Produtiva Rural e Acesso à Água do MDS, Camile Sahb, destacou que a percepção externa sobre a disponibilidade de água na Amazônia nem sempre reflete a realidade local. “Quando a gente olha pra esse rio, pra essa quantidade de água, a gente acha que não existe problema de água. Na verdade, a gente tem o problema de não ter uma água segura para beber, para segurança alimentar que garanta geração de renda para essas famílias.”

Ela defendeu que a crise climática exige uma resposta adequada às novas condições ambientais. “Com as mudanças climáticas a gente precisa fazer essa discussão de maneira séria, pra que a gente possa dar condições de adaptação e resiliência pra que elas possam continuar vivendo nesses locais.”

O oficial de água, saneamento e higiene do UNICEF, Rodrigo Rezende, reforçou a importância de envolver diferentes atores para garantir o acesso seguro aos serviços básicos, sobretudo para públicos vulneráveis. “Iniciativas como essa reforçam a importância de fortalecer sinergias e parcerias voltadas para garantia do acesso seguro, ao acesso à água, ao saneamento e práticas de higiene nas comunidades da Amazônia, considerando povos e comunidades tradicionais e toda a população indígena, ribeirinha, quilombola.”

Segundo ele, o déficit de cobertura de água potável e saneamento ainda é elevado para esses grupos populacionais. “A importância é discutirmos com todos esses atores, que estão no estudo, que estão no espaço de tomada de decisão, para poder beneficiar essas crianças e adolescentes.”

A secretária de Segurança Alimentar e Nutricional do MDS, Lilian Rahal, ressaltou que o governo busca ampliar a presença de políticas públicas nos territórios amazônicos de forma adequada à realidade local. “Olhar para as unidades de conservação, para as populações da Amazônia, e enxergar alternativas e possibilidades para que elas possam ter água de qualidade, possam ter segurança alimentar, possam continuar vivendo nos seus territórios com boas condições de vida.”

Segundo Lilian, as tecnologias sociais vêm sendo aprimoradas com base no diálogo com as populações. “Hoje nós temos mais de 6.000 famílias que já receberam essas tecnologias. […] Temos aí um outro desafio pela frente que é avançar para que nós possamos ter até o final do próximo ano mais pelo menos 4 a 5 mil famílias recebendo essas tecnologias sociais de acesso à água.”

Ela defendeu a continuidade e ampliação desse modelo de trabalho articulado. “Nós estamos trabalhando aqui para que os nossos serviços públicos possam chegar da forma que essas populações precisam, da que essas populações têm direito, para que elas possam continuar vivendo nesses territórios, preservando a Amazônia, com qualidade de vida.”

Modelo de gestão comunitária no Tapajós

O seminário também abordou o funcionamento da política pública de acesso à água a partir das tecnologias sociais implementadas nos territórios. Jussara Salgado, coordenadora do Programa de Infraestrutura Comunitária do Projeto Saúde e Alegria (PSA), explicou que o Programa Cisternas, atualmente gerido pelo Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), funciona por meio de editais públicos. “O PSA concorre a esses editais e se for classificado ele passa a gerir esse fundo. E a gente pode subcontratar outras organizações sociais para executarem diretamente nos territórios.”

Na Resex Tapajós-Arapiuns, o PSA atua como gestor com parceria de organizações de base como a Tapajoara e o Conselho Indígena Tapajós-Arapiuns (CITA). “Todo o processo ocorre com a participação das comunidades, dos comunitários, junto da construção. Tem todo um processo social que é feito inicialmente, que é o diagnóstico social, atividades formativas, para depois vir a implementação da tecnologia”, explicou Jussara.

A gestão das estruturas de abastecimento também é coletiva. “Durante o processo formativo, é trabalhado esses aspectos de gestão comunitária, para que a comunidade possa se organizar de uma forma, para autogerir a infraestrutura que eles estão recebendo.” Segundo ela, esse processo leva, em média, quatro meses de atuação direta nas comunidades, envolvendo construção coletiva e formação de lideranças locais.

Na sexta-feira, último dia do evento, a visita foi à Aldeia Pajurá, onde os participantes conheceram o Sistema Pluvial Multiuso Comunitário, implementado no território por meio do Programa Cisternas.

Ouça a edição especial do Programa Alô Comunidade deste 18/07:

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Projeto Saúde e Alegria conclui entrega de filtros coletivos para acesso à água potável em comunidades de Óbidos, no PA https://teste.projeto-zero.site/psa-conclui-entrega-de-filtros-obidos/ https://teste.projeto-zero.site/psa-conclui-entrega-de-filtros-obidos/#respond Wed, 02 Jul 2025 18:31:02 +0000 https://projeto-zero.site/?p=22091 Nova expedição do Programa de Infraestrutura Comunitária distribuiu filtros de nanotecnologia para escolas ribeirinhas do município de Óbidos, possibilitando tratamento de água consumida por estudantes ribeirinhos 

No período entre os dias 26 e 27 de junho de 2025, o Projeto Saúde e Alegria finalizou o ciclo de entrega de filtros coletivos de água potável em cinco comunidades ribeirinhas da região de Óbidos, oeste do Pará. Com a distribuição, a iniciativa alcança 87 comunidades em diferentes territórios do oeste do Pará, com apoio da Água Segura, Sanofi, Cause e Piamerica.

As tecnologias foram instaladas em locais de uso coletivo nas comunidades Igarapé Grande, Santo Antônio, Liberdade, Vila Poranga e Vila Barbosa, como escolas, postos de saúde e centros comunitários, com o objetivo de garantir água tratada para populações que enfrentam, historicamente, o consumo de água sem tratamento.

Iranilce Dos Santos Corrêa, da Comunidade Santo Antônio, destacou a diferença trazida pelo filtro. “É algo que vai beneficiar muito nossa família, porque a condição da nossa água (realmente para consumo, ela) não é uma água boa. A gente toma porque é a única que tem. Então pra vocês verem: ó, a diferença aqui, ó, uma água dessa aqui, ó. Poxa, maravilha pra gente.”

Água tratada após filtragem.

Em Liberdade Paraná de Baixo, Roseneide Pinto dos Santos, agente comunitária, relatou os impactos da falta de água segura na saúde da população. “A gente precisa realmente dessa água tratada. No período da cheia e da seca, a gente enfrenta situações muito difíceis, com problemas de diarreia, vômito. Então, isso vai nos ajudar muito, porque hoje nós estamos com esse filtro que vai ajudar a nossa comunidade.”

Na Escola Dom Pedro, Ieda da Silva Barbosa também recebeu o equipamento e agradeceu aos parceiros envolvidos. “Agora nós vamos ter água saudável.”

Durante as entregas, as equipes do projeto realizaram formações com os moradores sobre o uso e manutenção dos filtros. Gabriel Nunes, da Água Segura, reforçou os cuidados necessários para garantir o funcionamento do equipamento. “Seria bom que a gente deixasse ela sentar ali um tempo, pra tirar as coisas. O produto também evapora. Não é aconselhável botar água com cloro, mas se por acaso, beleza. O único problema é que diminui o tempo de vida do filtro. Ele tem que trabalhar mais. E amanhã ele trabalha menos”, explicou.

Gabriel destacou ainda que o uso do filtro precisa estar associado a práticas de higiene. “A gente descobriu na época do Covid que não adiantava nada o filtro ser fantástico e a gente estar sujo. A limpeza do filtro tem que ser acompanhada de uma certa limpeza nossa, pelo menos das mãos.”

Desde 2022 o Projeto Saúde e Alegria e Water is Life se juntaram para viabilizar o acesso à água potável em regiões vulneráveis da Amazônia que enfrentam dificuldades para acessar água potável, mesmo estando na maior bacia hidrográfica do planeta. O consumo de água não tratada impacta a saúde das comunidades. Em três anos, a distribuição de filtros de nanotecnologia possibilitou o tratamento de águas superficiais de rios, igarapés e cacimbas para mais de 6.200 famílias para mitigar os efeitos da falta de saneamento básico na região e reduzir os impactos de eventos climáticos extremos.

“A entrega desses filtros visa suprir a falta de acesso à água potável na região amazônica, especialmente durante a seca, quando o acesso à água se torna ainda mais difícil. Com essa iniciativa, espera-se melhorar significativamente a qualidade de vida das comunidades atendidas”- IzabelleSena, técnica do PSA.

“É uma solução de baixo-custo, que traz resultados imediatos, como a redução das doenças de veiculação hídrica e diarreias, maior causa da mortalidade infantil na nossa região. E são investimentos que se pagam ao diminuir os gastos de saúde com doenças evitáveis”, explica Jussara Salgado, coordenadora do Programa de Infraestrutura Comunitária do PSA.

Fotos: Cause.

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Mais de cem famílias conquistam acesso à água potável em comunidades e aldeias da Resex Tapajós-Arapiuns https://teste.projeto-zero.site/cem-familias-conquistam-acesso-a-agua-potavel/ https://teste.projeto-zero.site/cem-familias-conquistam-acesso-a-agua-potavel/#respond Mon, 23 Jun 2025 17:59:50 +0000 https://projeto-zero.site/?p=22049 Pajurá, Rosário e São Tomé receberam novas tecnologias de acesso à água no Tapajós

O Projeto Saúde e Alegria (PSA) realizou mais uma entrega do Programa Cisternas na região do Tapajós, contemplando as comunidades Rosário, Pajurá e São Tomé. Ao todo, 101 famílias foram atendidas com sistemas de captação e armazenamento de água da chuva e poços, além de banheiros com fossas. As ações fazem parte de uma iniciativa do Governo Federal, por meio do Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), realizada pelo PSA em parceria com organizações locais como Tapajoara e CITA e execução da SOMECDH.

As tecnologias entregues são voltadas à segurança hídrica e à autonomia comunitária, garantindo água para o consumo humano e para atividades produtivas. Esta é a segunda vez que o programa é implementado na região.

Na Aldeia Pajurá, onde 36 famílias foram beneficiadas, lideranças destacaram o processo de articulação que viabilizou a chegada do projeto. O cacique Raimundo Tupinambá lembrou que o acesso à água sempre foi uma preocupação do coletivo. “Água é vida, né? A gente pode ter tudo na vida, mas não tendo água a gente não é nada. O povo tá feliz, graças a Deus. Hoje estão todos com água, caixas cheias, tomando banho no banheiro deles”, afirmou.

A agente de saúde Cleusiney Vieira reforçou a importância do acesso à água potável para a saúde da comunidade. “Hoje nós temos uma água que vai estar sendo para nós já um presente, porque a água que nós usávamos do rio, hoje em dia, se você for fazer a análise nela, não é mais aquela água como ela era antes. Que hoje é muito contaminada de várias coisas”, relatou.

Na comunidade de Rosário, onde 22 famílias foram contempladas, a comunitária Maria Lucilene destacou o envolvimento das famílias para garantir que o projeto permanecesse na pauta de prioridades. “Foi uma luta, foi uma guerra, uma guerra mesmo, sabe? Vontade de querer ter hoje o que a gente está recebendo hoje. Eu já estou feliz que vou entregar para quem for receber”.

Comunidade Rosário festejou entrega de sistemas.

Com 43 famílias atendidas, a comunidade de São Tomé também integrou o conjunto de entregas recentes. Os novos sistemas garantem que mais famílias tenham acesso a água de qualidade, fortalecendo a autonomia comunitária na gestão dos recursos hídricos. Cornélio Fernando, morador da comunidade lembrou das duas secas históricas dos anos de 2023 e 2024. Com água na torneira, ele espera enfrentar o efeito das mudanças climáticas de forma diferente: “esse projeto ele trouxe assim uma uma uma melhoria melhor para nós, regaçar as nossas plantas, é, para a gente tomar o nosso banho, beber nossa água potável, muito boa mesmo. É, agora vai chegar o verão, né? E pelo que a gente espera é que a seca ainda continue aquela seca, né, que tem vindo nos últimos anos. Mas agora vai ser um pouco diferente”.

O Programa Cisternas no Tapajós contempla, ao todo, 744 famílias em aproximadamente 20 comunidades e aldeias. A execução conta com o apoio de equipes locais e organizações parceiras, fortalecendo ações de infraestrutura comunitária e promovendo condições básicas para saúde, produção e qualidade de vida nas comunidades atendidas.

“As tecnologias sociais do Cisternas estão relacionadas às ações de adaptação climática que o Projeto Saúde e Alegria vem desenvolvendo nos territórios. As comunidades assistidas foram impactadas nos anos anteriores pelas secas recordes registradas na bacia do Rio Tapajós, que resultaram em situação de insegurança hídrica e alimentar. Com o avanço do Programa, as famílias têm melhores condições de captação, tratamento, armazenamento e distribuição de água potável, além de acessar instalações sanitárias adequadas, limpas e seguras” – Jussara Salgado, coordenadora de Infraestrutura Comunitária.

 

Fotos: João Albuquerque/PSA.

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MDS e Casa Civil visitam comunidades contempladas com Cisternas na Resex Tapajós-Arapiuns https://teste.projeto-zero.site/mds-e-casa-civil-visitam-comunidades-cisternas/ https://teste.projeto-zero.site/mds-e-casa-civil-visitam-comunidades-cisternas/#respond Thu, 08 May 2025 19:39:07 +0000 https://projeto-zero.site/?p=21865 Moradores das comunidades Pau da Letra e Mirixituba, localizadas na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns, celebraram a instalação de tecnologias sociais de acesso à água potável, por meio do Programa Cisternas. As entregas contaram com a presença de representantes do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), da Casa Civil da Presidência da República e do Projeto Saúde e Alegria (PSA), responsável pela implementação local, atingindo mais de 1,4 mil famílias beneficiadas com tecnologias sociais 

“A gente antes coletava água do rio que nem sempre é potável. A chegada do projeto foi um alívio”, contou Lucinelia Lameira, 42, moradora da comunidade do Pau da Letra, contemplada com sistemas de coleta e armazenamento de água da chuva e banheiros e que beneficia aproximadamente 70 pessoas de 18 famílias, proporcionando acesso à água potável por meio de tecnologias sociais de uso autônomo. A comunidade recebeu a visita do MDS e Casa Civil às estruturas já implantadas. Camile Sahb, do MDS, ressaltou que “o programa tem se mostrado importante para garantir água e efetivar o direito social à segurança alimentar”. Ela reforçou que as mudanças vão além da infraestrutura. “As famílias mudam a dinâmica delas, passam a ter um banheiro. Antigamente tinham que fazer as necessidades fisiológicas no mato”, ressaltou.

Moradores de Mirixituba comemoram acesso à água potável. Fotos: João Albuquerque.

Em Mirixituba, um microssistema coletivo de abastecimento de água potável foi construído com participação direta da comunidade, em mutirão coletivo (puxirum). O coordenador do PSA, Caetano Scannavino, destacou que “a população que habita a maior bacia de água doce do mundo vive estresse hídrico”. A ausência de acesso à água de qualidade resulta em doenças que poderiam ser evitadas. “A principal causa da mortalidade infantil ainda é a diarreia, a desidratação”.

O PSA tem atuado na implementação de soluções comunitárias com foco em autonomia e governança local. Em parceria com organizações da região, visa melhorar a gestão dos recursos hídricos e aumentar a produtividade agrícola das comunidades, promovendo o desenvolvimento sustentável na região. A tecnologia implementada permite a captação e armazenamento de água da chuva, assegurando o abastecimento para consumo e atividades produtivas, além da implementação de banheiros com fossas simplificadas. O programa é uma iniciativa do Governo Federal, vinculado ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), e está sendo executado pela segunda vez na região do Tapajós, contemplando 744 famílias em cerca de 20 aldeias e comunidades indicadas pela Tapajoara e pelo CITA.

“Quando a população constroi junto, ela se sente partícipe, se apropria e se torna proprietária do sistema”, disse Scannavino. O trabalho inclui a criação de estatutos e regras de gestão estabelecidos pelos próprios moradores.

“A gente carregava água nos baldes. Hoje temos os reservatórios e os banheiros que mudaram a vida das famílias. Antigamente fazia buraco para usar os sanitários” – Madson Oliveira – morador de Pau da Letra.

A Casa Civil acompanhou as entregas nas duas comunidades. Irani Ramos, da Secretaria do PAC, destacou o esforço dos comunitários. “Eles tiveram que carregar 57 toneladas de material para o alto do morro. Foi uma grande conquista construída com apoio de vários atores”, afirmou. Ele também pontuou os desafios da região: “Apesar da abundância de água, muitas vezes é preciso tratá-la por causa da contaminação”.

Família de Pau da Letra exibe sistema de acesso à água e saneamento do Programa Cisternas.

A presidente do Conselho Indígena Tapajós-Arapiuns (CITA) Margarete Maitapu, reforçou a importância do programa para as aldeias da Resex. “O programa Cisternas vai contribuir com certeza com essa população”, afirmou. Ela ressaltou que a implementação abrange não só Mirixituba, mas também outras aldeias e comunidades, com apoio do governo federal e do PSA.

“As ações do programa são inicialmente de processos sociais para que depois possa ser realizada a etapa construtiva, e o início dessa etapa coincidiu com o período de seca na região. A entrega das tecnologias é fruto das contrapartidas comunitárias, que desde o início envolveram-se na construção do projeto, e do trabalho realizado pelo PSA e SOMEC”, explicou Jussara Salgado, Coordenadora do Programa de Infraestrutura Comunitária do PSA.

A implementação desses sistemas em Pau da Letra e Miritituba integra um conjunto de ações do PSA voltadas para ampliar o acesso à água potável em comunidades da Amazônia. Na região, as obras são executadas pela SOMECDH. Iniciativas semelhantes estão sendo realizadas em outras comunidades, como a Aldeia Pajurá e Rosário. A meta é atingir mais de 2,5 mil famílias até 2026.

“Pra eles entenderem que eles vão ajudar no processo, que a participação coletiva é importante, isso precisa ter um trabalho junto. A gente começou o processo aqui em fevereiro, com reuniões e encontros. A partir daí, a gente vem fazendo o acompanhamento dessas comunidades. A gente tem a participação nos cursos de formação, onde todos os beneficiários tiveram que participar pra entender o que é o programa e de que forma ele funciona”, explicou a Coordenadora de Projetos da SOMEC-DH, Michele Patrícia Siqueira Monteiro.

]]> https://teste.projeto-zero.site/mds-e-casa-civil-visitam-comunidades-cisternas/feed/ 0 Aldeias Munduruku celebram acesso à água potável e energia renovável promovido pelo Projeto Aliados pela Água https://teste.projeto-zero.site/aldeias-munduruku-celebram-acesso-a-agua-potavel-e-energia-renovavel-promovido-pelo-projeto-aliados-pela-agua/ https://teste.projeto-zero.site/aldeias-munduruku-celebram-acesso-a-agua-potavel-e-energia-renovavel-promovido-pelo-projeto-aliados-pela-agua/#respond Sat, 19 Apr 2025 19:53:24 +0000 https://projeto-zero.site/?p=21818 Iniciativa levou sistemas de abastecimento e formação comunitária para quatro aldeias do Rio Cururu, fortalecendo a saúde das famílias indígenas

Desde 2018, o Projeto Saúde e Alegria tem atuado no território Munduruku, nos municípios de Itaituba e Jacareacanga (PA), com ações integradas de acesso à água potável, saneamento e energia renovável. Em 2024, a iniciativa deu mais um passo importante: a implementação de sistemas de abastecimento em quatro aldeias da região do Rio Cururu — Morro do Careca, Aipirep, Bananal do Rio Cururu e Missão Velha — beneficiando diretamente 108 famílias, totalizando 520 indígenas atendidos.

“Antes, nós estávamos usando água do rio. Tomando banho, fazendo comida, lavando roupa, tudo com água do rio”, lembrou o cacique da aldeia Waro Baxe Watpu, Raimundo Waro. A prática, comum em muitos territórios indígenas, traz sérios riscos à saúde, como explica Valdelino Poxo da aldeia Morro do Careca: “As crianças e a população sentiam dores de barriga por causa da água suja. Era muita diarreia, muito verme.”

Além da estrutura física, o projeto inclui capacitação comunitária. “Durante a entrega oficial, realizamos uma formação sobre uso e gestão das águas. Explicamos como manter o sistema funcionando, o que pode ou não pode ser feito, quando limpar o reservatório e como usar o sistema fotovoltaico que instalamos”, explicou o técnico de Campo do PSA, Rodrigo Souza.

A ação faz parte do Programa de Infraestrutura Comunitária do PSA, que se alinha aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável da ONU, especialmente as ODS 6 (água potável e saneamento) e 7 (energia limpa e acessível). “Nosso viés é a sustentabilidade. Por isso, levamos energia solar, para que não haja dependência de motores a gasolina”, reforçou o técnico em organização comunitária do PSA, Silvanei Rodrigues.

“Pegamos água nas panelas para fazer o preparo das comidas e lavar a louça também. Agora não consumimos mais a água do igarapé, mas do poço artesiano” – Lina Akay Munduruku – Cacica da Waro Baxe Watpu.

Com a nova estrutura, cada residência passou a contar com um ponto de consumo de água encanada. “Agora é fácil, né? A água tá funcionando, tem torneira, banheiro em todas as casas. A comunidade tá feliz”, comemora Valdelino Poxo.

A chegada da energia também impactou diretamente a saúde: “Antes, a energia era de gerador e só funcionava duas horas por dia. Agora temos equipamentos funcionando o dia todo — microscópio para exame de malária, inaladores, materiais odontológicos. Isso mudou totalmente a qualidade da assistência”, contou a enfermeira do pólo Waro Apompo, Marlúcia dos Santos.

A parceria com o Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) e com a Associação foi fundamental para a execução do projeto. O PSA também doou kits de monitoramento da qualidade da água, fortalecendo o trabalho de vigilância ambiental realizado pelos próprios indígenas, destacou a coordenadora do Programa de Infraestrutura Comunitária do PSA, Jussara Salgado.

“A gente tá recebendo o kit de fazer análise de água dentro das comunidades indígenas, a qual vai facilitar também o trabalho dos nossos profissionais que acompanham, que fazem análise dentro do território. Então pra nós isso é uma satisfação muito grande, tá trazendo esse benefício, esses equipamentos” – Haroldo Saw, coordenador do DSEI Rio Tapajós.

A iniciativa é um fruto da articulação do Projeto Aliados pela Água liderado pela Fundação Coca Cola, Projeto Saúde e Alegria com apoio da Fundação Avina, EBL, Unicef e Fundação Mott.

Fotos: Pedro Alcântara/Acervo PSA.

]]> https://teste.projeto-zero.site/aldeias-munduruku-celebram-acesso-a-agua-potavel-e-energia-renovavel-promovido-pelo-projeto-aliados-pela-agua/feed/ 0 Filtros de nanotecnologia são distribuídos no Pará e Rondônia e auxiliam comunidades atingidas por hidrelétrica https://teste.projeto-zero.site/filtros-de-nanotecnologia-sao-distribuidos-no-para-e-rondonia-e-auxiliam-comunidades-atingidas-por-hidreletrica/ https://teste.projeto-zero.site/filtros-de-nanotecnologia-sao-distribuidos-no-para-e-rondonia-e-auxiliam-comunidades-atingidas-por-hidreletrica/#respond Mon, 14 Apr 2025 12:10:49 +0000 https://projeto-zero.site/?p=21777 Em resposta à crise hídrica agravada pela seca histórica que atingiu a Amazônia entre 2023 e 2024, o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) está distribuindo 500 filtros de nanotecnologia para comunidades afetadas nos estados de Rondônia e Pará. A ação é resultado de uma parceria entre o MAB, o Projeto Saúde e Alegria, Water is Life, o Ministério Público do Trabalho (MPT) e o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 14ª Região.

Os filtros doados utilizam uma micromembrana capaz de reter até 99,9% de vírus, bactérias e impurezas, oferecendo uma alternativa de baixo custo para o tratamento de água em áreas onde o acesso à água potável é precário ou inexistente. O equipamento é composto por um balde de 20 litros com tampa, filtro com nanotecnologia e uma seringa para retrolavagem.

No estado de Rondônia, os filtros estão sendo entregues a famílias ribeirinhas da região do Baixo Madeira, no município de Porto Velho. As comunidades atendidas incluem Brasileira, São Carlos, Bom Será, Boca do Jamari, Terra Firme e Terra Caída.

“Esses filtros são importantes para que essas famílias tenham acesso à água potável. O Rio Madeira tem muito sedimento e não é adequado para o consumo direto. Não há sistema de tratamento nessas comunidades. A nanotecnologia que conhecemos por meio do Saúde e Alegria vai contribuir para que crianças e idosos tenham acesso a água segura”, afirmou Célio Muniz, da coordenação nacional do MAB em Rondônia.

Filtros oferecem alternativa de tratamento seguro para água barrenta. Fotos: RECUNIRRO.

Com a cheia atual do Rio Madeira, que chegou a 16,73 metros, muitas famílias estão ilhadas e sem acesso à água tratada. A situação se repete em anos alternados, com períodos de seca extrema e cheias intensas que afetam diretamente a segurança hídrica das comunidades.

A moradora da comunidade Vila do Jacu desde 2014, Francisca Trindade relatou os impactos das mudanças climáticas: “A enchente de 2014 acabou com tudo. Ano passado, a seca acabou de novo. As águas estão mudando. Estou fazendo farinha, mas muitas bananas já se estragaram. É dali que tiramos nossa alimentação.”

Thelma Temes, da comunidade Brasileira, destacou a dificuldade no abastecimento: “Durante a seca, tivemos entrega de água apenas duas vezes. Foram três tabletes de água por pessoa. Uma pessoa precisa de pelo menos dois litros por dia. Naquele calor, a necessidade era ainda maior.”

No Pará, 100 famílias ribeirinhas das ilhas de Cametá serão beneficiadas com os filtros. A região é impactada pela Hidrelétrica de Tucuruí desde a década de 1970. As comunidades atendidas incluem As comunidades que serão atendidas são: Paruru do Meio, Paruru de Cima, Cuxipiari Rio, Cuxipiari Carmo, Praticaia Costa, Juruate, Tabatinga 1, Capiteua de Carapajó, Várzea São José, Guajará de Baixo, Guajará Costa, Murutizal, Juba de Baixo, Santa Rosa, Mapiraí de Cima, Mapiraí de Baixo, Jacaré Xingu, Ilha Gama, Ilha Caripi, Ilha São Sebastião, Beira da Várzea, Mapeuá 1, Paruruzinho, Ten-Tém, Tabatinga 2, Mapiraízinho, Praticaia e Paruru de Baixo.

“A região vive uma grande contradição: há água por todos os lados, mas ela não é própria para consumo. As famílias precisam buscar água tratada na comunidade de Carapajó. Os filtros vão dar mais autonomia e qualidade de vida, pois agora a água para beber e cozinhar poderá ser filtrada localmente”, explicou Sueyla Malcher, da coordenação regional do MAB no Pará.

As populações ribeirinhas enfrentam os efeitos da construção da hidrelétrica, que alterou os ciclos naturais do rio Tocantins, impactando a pesca e os modos de vida tradicionais. O fornecimento dos filtros representa uma medida emergencial frente a uma realidade de exclusão histórica do acesso ao saneamento básico.

Para o Projeto Saúde e Alegria que iniciou a estratégia de uso de filtros de nanotecnologias para comunidades ribeirinhas, prejudicadas pela falta de água potável, fazer a experiência ganhar escala e replicabilidade para outras regiões é uma necessidade: “Transformando água suja, barrenta em água potável. Isso vem sendo bastante útil, principalmente nesta situação de estiagem severa, onde comunidades isoladas, próximas apenas de um fio d’água muito barrento conseguem converter aquela água em água de qualidade para consumo. São filtros de baixo custo, fácil transporte, baixa manutenção. Chega a durar cerca de dois anos e meio até 5 anos e deveriam ser escalados via políticas públicas para que essa tecnologia possa alcançar um número maior de famílias que precisam” – destaca Caetano Scannavino, coordenador da ONG.

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Moradores de Pau da Letra na Resex Tapajós-Arapiuns comemoram instalação do Programa Cisternas: “as famílias estão felizes” https://teste.projeto-zero.site/cisternas-pau-da-letra/ https://teste.projeto-zero.site/cisternas-pau-da-letra/#respond Fri, 28 Mar 2025 17:43:48 +0000 https://projeto-zero.site/?p=21670 Setenta pessoas da comunidade localizada na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns comemoram instalação de sistema que possibilita acesso à água potável

O Projeto Saúde e Alegria (PSA) realizou a entrega de sistemas de abastecimento de água do Programa Cisternas na comunidade de Pau da Letra, localizada na Reserva Extrativista Tapajós-Arapiuns. A iniciativa beneficia aproximadamente 70 pessoas de 18 famílias, proporcionando acesso à água potável por meio de tecnologias sociais de uso autônomo.

Durante a cerimônia de entrega, os moradores assinaram os termos de recebimento dos sistemas, formalizando a conclusão do processo. Madison Carlos Cardoso Oliveira, representante da comunidade, destacou a importância da ação para os moradores: “Nossa comunidade foi contemplada e hoje as famílias estão felizes por receber essa cisterna em suas casas. Foi algo inesperado, e só temos a agradecer ao projeto por esse benefício”.

O Programa Cisternas, coordenado pelo PSA na região e executado pela SOMECDH em parceria com organizações locais, visa melhorar a gestão dos recursos hídricos e aumentar a produtividade agrícola das comunidades, promovendo o desenvolvimento sustentável na região. A tecnologia implementada permite a captação e armazenamento de água da chuva, assegurando o abastecimento para consumo e atividades produtivas. O programa é uma iniciativa do Governo Federal, vinculado ao Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS), e está sendo executado pela segunda vez na região do Tapajós, contemplando 744 famílias em cerca de 20 aldeias e comunidades indicadas pela Tapajoara e pelo CITA.

A participação ativa das famílias nas etapas de mobilização, diagnóstico social, formação e construção das tecnologias é uma das metodologias mais importantes de apropriação das tecnologias, garantindo que os beneficiários compreendam e saibam utilizar os sistemas de maneira eficiente. Essa abordagem fortalece a gestão comunitária e assegura o acesso contínuo à água para todas as famílias atendidas.

“As ações do programa são inicialmente de processos sociais para que depois possa ser realizada a etapa construtiva, e o início dessa etapa coincidiu com o período de seca na região. A entrega das tecnologias é fruto das contrapartidas comunitárias, que desde o início envolveram-se na construção do projeto, e do trabalho realizado pelo PSA e SOMEC.” Jussara Salgado, Coordenadora do Programa de Infraestrutura Comunitária do PSA.

A implementação desses sistemas em Pau da Letra integra um conjunto de ações do PSA voltadas para ampliar o acesso à água potável em comunidades da Amazônia. Iniciativas semelhantes estão sendo realizadas em outras comunidades, como a Aldeia Pajurá, Rosário e Mirixituba.

Fotos: SomecDH

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